Uma publicação da Organização Meteorológica Mundial alertou para o que deve acontecer com a chegada do El Niño neste ano. A previsão da agência ligada à ONU é de que o fenômeno comece a se formar no fim do inverno em Santa Catarina e se estenda por tempo ainda incerto. Se isso de fato se confirmar, o clima pode alcançar patamares de aquecimento nunca antes vistos — e isso, na prática, significa também aumento no número de eventos extremos.

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O recado é claro e reforça o que a ciência já vem repetindo: o clima da Terra está mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história observada. O relatório confirma que de 2015 a 2025 foi o período mais quente já registrado. O ano passado só não bateu o recorde do ano anterior por influência da La Niña — fenômeno que resfria as águas de um trecho do oceano pacífico. E é justamente desse fator que vem a preocupação com 2026.

Com o El Niño (aquecimento dessas mesmas águas) dando sinais de chegada para o segundo semestre, conforme dados do governo americano, a análise da ciência é de que ele acabará elevando ainda mais as temperaturas globais, que poderão atingir novos recordes, agravando mais a emergência climática. Dos Estados Unidos vem também a informação de que se o El Niño se formar, “a intensidade potencial permanece muito incerta, com chance de um em três de que seja ‘forte’ de outubro a dezembro”.

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Pulmão do mundo

O oceano, tido como o principal regulador climático do mundo por conta da capacidade de absorver dióxido de carbono, está pagando um preço alto por isso. A extensão anual do gelo marinho no Ártico atingiu ou se aproximou de um mínimo histórico, a extensão do gelo marinho na Antártida foi a terceira menor já registrada e o derretimento das geleiras continuou sem cessar, de acordo com o relatório.

— O estado do clima global é de emergência. O planeta Terra está sendo levado além de seus limites. Todos os principais indicadores climáticos estão em alerta máximo — disse o secretário-geral da ONU, António Guterres.

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O balanço energético da Terra mede a taxa na qual a energia entra e sai do sistema terrestre. Em um clima estável, a energia solar que entra é aproximadamente igual à quantidade de energia que sai. No entanto, o aumento das concentrações de gases de efeito estufa que retêm calor – dióxido de carbono, metano e óxido nitroso – para o nível mais alto em pelo menos 800 mil anos, perturbou esse equilíbrio.

O desequilíbrio energético aumentou desde o início das observações em 1960, particularmente nos últimos 20 anos, atingindo um novo pico em 2025.

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Quanto maior o desequilíbrio…

Santa Catarina conhece bem o efeito desse aquecimento global. Quanto maior a temperatura, pior o desequilíbrio e, por consequência, mais eventos extremos em diferentes pontos do globo. Calor intenso, chuvas torrenciais e ciclones tropicais estão na lista dos fenômenos que causaram transtornos e devastação nos últimos anos.

O efeito El Niño e La Niña

O ano de 2025 foi um dos mais quentes dos últimos 176 anos, refletindo a transição para condições de La Niña que resfriam temporariamente o planeta. O ano de 2024 – que começou com um forte El Niño – continua sendo o ano mais quente, com cerca de 1,55 °C acima da média de 1850–1900.

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O El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água no Oceano Pacífico Equatorial, perto do Peru, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.

Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção Norte-Sul. Essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.

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O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Os efeitos são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado. Para a ciência são necessários cinco meses consecutivos com a temperatura da água abaixo de -0,5ºC para que haja um La Niña (e cinco acima de 1,5ºC para configurar um El Niño). 

Entenda o El Niño em 10 passos

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