SC celebra 30 anos da primeira bariátrica com cirurgias ao vivo na Grande Florianópolis

Estado teve aumento de 550% nas cirurgias bariátricas em 2025 pelo SUS

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Cirurgia bariátrica é um procedimento médico que modifica o sistema digestivo para tratar a obesidade grave (Foto: Banco de imagens)

Santa Catarina celebra, neste mês de abril, os 30 anos da primeira cirurgia bariátrica realizada no Estado. O marco na medicina será lembrado com uma programação especial no Hospital Regional de São José, na Grande Florianópolis. O evento ocorre nesta sexta-feira (10) e no sábado (11) e reúne especialistas para discutir a evolução da técnica, além de promover cirurgias ao vivo para profissionais de saúde.

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O pioneirismo remonta a 1996, quando o procedimento foi realizado pelo cirurgião Nicolau Fernandes Kruel, também responsável por implantar a cirurgia bariátrica pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na unidade hospitalar. Três décadas depois, o médico será homenageado durante a programação.

Programação reúne especialistas e cirurgias ao vivo

As atividades começam na sexta-feira, com uma noite dedicada à memória e à troca de conhecimento. Às 18h30min, ocorre a homenagem ao professor Nicolau Kruel.

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Na sequência, às 19h, o cirurgião Nilton Kawahara ministra uma palestra sobre a trajetória da cirurgia bariátrica no Brasil e em Santa Catarina. O dia se encerra com um jantar de confraternização entre os participantes.

No sábado (11), o destaque fica por conta das chamadas “cirurgias ao vivo”, que permitem a atualização prática dos profissionais da área. Às 7h30min, o cirurgião Felipe Koleski realiza uma OAGB (bypass gástrico com anastomose única) por videolaparoscopia.

Já às 10h, será a vez de um bypass gástrico também por videolaparoscopia, conduzido por Nicholas Kruel e Nicolau Fernandes Kruel.

Da técnica rudimentar à cirurgia metabólica

Cirurgião do aparelho digestivo e bariátrico em Florianópolis, o médico Marcos Túlio Silva acompanha de perto essa trajetória. Ele começou a realizar cirurgias em 1998, apenas dois anos após o primeiro procedimento no Estado, e presenciou toda a evolução da especialidade.

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Segundo ele, os primeiros anos eram marcados por limitações técnicas e alto risco aos pacientes.

— Naquela época, os grampeadores eram rudimentares, muitas anastomoses eram feitas manualmente e os fios cirúrgicos causavam reação tecidual. Isso gerava complicações como fístulas e um índice de mortalidade muito alto — explica.

O cenário começou a mudar nos anos 2000, com a consolidação da videolaparoscopia e o avanço dos materiais cirúrgicos.

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— O grande avanço veio com a videolaparoscopia, melhores grampeadores e a evolução das técnicas. Hoje, entendemos que não é só restringir a alimentação, mas provocar uma alteração metabólica e hormonal no organismo — afirma.

Além da tecnologia, a abordagem multidisciplinar passou a ser fundamental no tratamento, incluindo acompanhamento psicológico, nutricional e preparo físico dos pacientes, de acordo com o médico.

Futuro aponta para robótica e novas técnicas

De acordo com o médico Marcos Túlio, o futuro da cirurgia bariátrica já está em curso e envolve inovação tecnológica e novos conceitos.

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— A cirurgia robótica é um avanço importante, principalmente para pacientes super obesos, oferecendo mais segurança e menos dor. Além disso, as técnicas metabólicas vêm ganhando espaço, com melhor controle do diabetes tipo 2 e perda de peso mais eficiente — destaca.

Entre as novidades, estão procedimentos mais recentes aprovados nos últimos anos, como a bipartição intestinal e o OAGB, técnica que será demonstrada durante o evento.

Perfil dos pacientes permanece o mesmo, diz médico

Apesar de todas as transformações, um aspecto pouco mudou ao longo das décadas: o perfil dos pacientes atendidos pelo SUS.

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— Cerca de 85% dos pacientes são mulheres entre 40 e 50 anos. Isso se manteve ao longo do tempo e ainda é objeto de estudo — observa o médico.

O Hospital Regional de São José recebe pacientes regulados pelo SUS de uma ampla faixa do Sul catarinense. Segundo o cirurgião Marcos Túlio Silva, a área de cobertura vai de Palhoça até a divisa com o Rio Grande do Sul, abrangendo municípios como Araranguá, Criciúma, Sombrio e Braço do Norte, além de outras cidades da região Sul do Estado, conforme a regulação da Secretaria de Saúde.

SC tem alta de mais de 500% em cirurgias bariátricas pelo SUS

Santa Catarina registrou um aumento de 550% no número de cirurgias bariátricas em 2025, em comparação com a quantidade de procedimentos feita três anos antes, em 2022.

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Dados divulgados pelo governo catarinense em fevereiro deste ano mostram já foram feitas 3.815 cirurgias bariátricas na rede pública desde 2023. As cirurgias ocorrem em pacientes com indicação e em todas as regiões catarinenses.

O secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, explica que os números são resultado de uma ampliação no número de instituições hospitalares capazes de fazer o procedimento.

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— Implementamos a Tabela Catarinense de procedimentos, o Programa de Valorização dos Hospitais e a habilitação estadual para que mais unidades pudessem fazer cirurgias. Assim, conseguimos trazer novos hospitais, que antes eram privados, para reforçar a rede pública e acelerar as cirurgias bariátricas. Mas precisamos lembrar que a cirurgia é o último recurso, as unidades desenvolvem um trabalho com equipe multiprofissional, antes de realizarem o procedimento — afirma.

Na rede hospitalar estadual, foram feitas 2.228 cirurgias bariátricas no ano de 2025, número seis vezes maior em relação a 2022, quando foram registrados 343 procedimentos.

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O crescimento já era observado nos anos anteriores, com 410 cirurgias em 2023 e 834 em 2024, mas teve o maior salto no último ano. No mesmo período, o número de hospitais passou de seis, em 2022, para nove em 2025, ampliando o atendimento a pacientes de todas as regiões do Estado.

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