A cirurgia bariátrica, também conhecida como gastroplastia, é um procedimento médico indicado para o tratamento de obesidade, que é tida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos mais graves problemas de saúde da atualidade: a estimativa da organização é de que, em 2025, 2,3 bilhões de adultos estejam acima do peso em todo o mundo, sendo 700 milhões com obesidade, doença caracterizada pelo índice de massa corporal (IMC) acima de 30.

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No Brasil, o Mapa da Obesidade da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) mostra que 20,3% da população está inserida em um quadro da doença, com frequência semelhante entre homens e mulheres. O problema também afeta crianças e adolescentes, com 12,9% dos pequenos entre cinco e nove anos diagnosticados com obesidade, além de 7% dos adolescentes entre 12 e 17 anos.

Segundo dados de 2023 da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), foram feitas 74.738 cirurgias deste tipo em 2022. O médico Felipe Koleski, cirurgião bariátrico do Hospital Santa Catarina de Blumenau, explica que esse procedimento é um método consolidado — algumas modalidades até mesmo há mais de 40 anos —, bastante seguro e com baixo risco para o paciente. 

Há dois tipo de cirurgia bariátrica: “sleeve” e “bypass gástrico”. Entenda mais abaixo (Foto: Canva)

Para quem a bariátrica é indicada?

A cirurgia bariátrica consiste na redução do estômago do paciente e pode ser feita com ou sem desvio intestinal. Os tipos mais realizados são a gastrectomia vertical, também conhecida como “sleeve”, e o bypass gástrico. Enquanto a gastrectomia vertical é um modelo de cirurgia em que a capacidade gástrica é reduzida de 900 a 1.200 ml para 150/200 ml, o bypass gástrico associa a redução gástrica a um desvio intestinal. 

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— As duas cirurgias são muito efetivas e a escolha do método sempre será baseada em fatores como sexo, idade, perfil alimentar, índice de massa corporal e doenças associadas. Alguns estudos recentes mostram que o bypass gástrico, em que ocorre desvio intestinal, pode trazer benefícios a pacientes com doenças metabólicas, como diabetes tipo 2 — afirma Koleski, do HSC Blumenau.

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No ano passado, a cantora, compositora e produtora musical D’Lara, que participou do reality show The Voice em 2016, passou por uma cirurgia bariátrica do tipo sleeve com o objetivo de perder peso de forma saudável e voltar aos palcos “repaginada”. Desde o procedimento, feito no Hospital Santa Catarina de Blumenau, reduziu o peso em 36 quilos, saindo dos 115 para os atuais 79.

— Comecei o tratamento quatro meses antes da cirurgia, com acompanhamento psicológico e nutricional, todos da mesma equipe para melhor compreensão do meu caso. Eu já não conseguia mais andar direito, estava sempre ofegante, meus joelhos doíam e não tinha disposição para nada, nem para cantar.

Cirurgia bariátrica é recomendada para casos graves de obesidade (Foto: Canva)

Precauções

Nenhuma cirurgia é isenta de riscos. No caso da bariátrica, os principais riscos imediatos são sangramento e trombose, inerentes a qualquer procedimento cirúrgico. Além disso, um risco específico da cirurgia bariátrica são as fístulas, vazamentos do conteúdo gástrico ou intestinal para a cavidade abdominal, que podem acontecer em até 0,5% dos procedimentos.

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Após o procedimento, as complicações tardias são a pedra na vesícula,  que podem ser evitadas com utilização de medicação que evita a formação do cálculo; anemia decorrente da alteração na absorção de vitaminas do complexo B e ferro; osteoporose decorrente da alteração na absorção de vitamina D e cálcio. 

Cantora D’Lara antes e depois da bariátrica (Foto: Arquivo Pessoal)

Bariátrica como tratamento

É importante ressaltar que a bariátrica não é uma cura para a obesidade, que é uma doença crônica e incurável. O procedimento é o método mais efetivo para o tratamento de casos graves e é indicada para pessoas entre 18 e 65 anos que possuem IMC entre 35 e 40 associado a comorbidades, ou IMC superior a 40, com ou sem comorbidades. Koleski destaca ainda que não basta o paciente querer fazer a cirurgia: é preciso ter um caso grave de obesidade estabelecido há pelo menos dois anos, com tratamento médico prévio sem sucesso.

— Após indicada a cirurgia,  as pessoas com obesidade irão realizar o preparo pré-operatório. Serão solicitados exames laboratoriais, endoscopia digestiva alta, ultrassom abdominal, avaliação cardiológica e pulmonar. Obrigatoriamente passará por uma avaliação psicológica e nutricional. Essa avaliação tem como objetivo analisar se a pessoa estará apta para a cirurgia e prepará-la para os novos desafios, pois existirá uma mudança na relação com o alimento,  com seu corpo e com outras pessoas — afirma o médico do Hospital Santa Catarina de Blumenau.

A experiência de D’Lara foi de uma longa preparação para a bariátrica: antes da cirurgia, começou uma dieta com a nutricionista, tratando a compulsão alimentar de forma simultânea com uma psicóloga. Em quatro meses, perdeu oito quilos, e também buscou se informar sobre o procedimento com leituras e conversas com pessoas que passaram pela mesma cirurgia. Depois da operação, com o acompanhamento de seu marido, a cantora conta que conseguiu se adaptar bem às dietas restritivas e, em uma semana, perdeu dez quilos. Ela conta que, desde o pré-operatório, ter as comidas prontas é um passo importante:

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— No começo se ingere muito líquido, de uma em uma hora, em doses de 50 ml. Depois de uma semana, vai para 70 ml e, depois de mais duas semanas, finalmente 100 ml. É importante ter uma balança para saber o peso correto da comida sempre, tomar os medicamentos, os suplementos vitamínicos e proteicos todos os dias para se manter saudável, sem esquecer de todo mês levar a injeção de B12 — relata D’Lara.

O tratamento da obesidade grave, no entanto, não se encerra com a cirurgia. Segundo Koleski, o procedimento é uma etapa do tratamento, e é muito mais do que a simples perda de peso: 

— Costumo dizer que a pessoa com obesidade nunca terá alta e sempre deverá fazer o seguimento com seu cirurgião e equipe multidisciplinar. Nos primeiros anos esse retorno será mais frequente, de forma trimestral, e a partir do segundo ano esse retorno pode ser feito a cada 6 meses até o quarto ano da cirurgia. A partir do quinto ano, os pacientes costumam estar bem adaptados com retornos anuais, para realização de exames laboratoriais, reposição de vitaminas e exames de imagem quando necessários.

Aumento na qualidade de vida

O médico aponta que a cirurgia bariátrica também vai além da simples perda de peso. O tratamento da obesidade envolve não apenas a redução do estômago, mas ganho de saúde pela melhora das comorbidades e aumento da qualidade de vida, pois situações corriqueiras, como cruzar as pernas, calçar meias e sapatos, e até mesmo brincar com os filhos voltam a ser possíveis.

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Cinco meses após o procedimento, a cantora D’Lara já percebe isso em seu dia a dia: 

— Tenho disposição para tudo: caminhar, passear, andar de bicicleta, ajudar nos afazeres de casa e, principalmente, me dedicar à minha volta aos palcos. Não tenho mais compulsão por comer e respeito os limites do meu novo corpo. Estou muito feliz.

Sobre o Hospital Santa Catarina de Blumenau

O Hospital Santa Catarina de Blumenau é referência no Estado e conta com uma equipe de especialistas em diversas áreas da Medicina. Fundado em 1920 pela Comunidade Luterana do município, o hospital possui hoje 152 leitos de internação em uma área de mais de 22 mil metros quadrados. O HSC Blumenau possui infraestrutura de CTI Adulto, UTI Neonatal e Pediátrica, clínica de saúde mental, salas cirúrgicas e uma equipe com mais de mil colaboradores.

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