Todos os dias, 145 mulheres são internadas no Brasil para o tratamento de varizes. Esse dado é da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular (SBACV), que aponta que mais de 529 mil brasileiras foram internadas por esse motivo entre 2013 e 2022. Cerca de 38% da população do país possui a doença, que é mais comum em pacientes do sexo feminino: as mulheres recebem 76% dos diagnósticos totais de varizes no Brasil.

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Reconhecíveis pelas veias dilatadas e tortuosas, geralmente nas pernas, coxas e pés, as varizes surgem quando as válvulas de dentro das veias param de funcionar corretamente e deixam de impedir o refluxo sanguíneo. Assim, o sangue se acumula nas veias, fazendo com que elas se dilatem e as varizes comecem a se manifestar visualmente, com dilatação, inchaço, e mudanças na cor e textura da pele. 

O que são varizes

Varizes é problema comum que tem como principais sintomas o desconforto, a dor e o inchaço na região afetada. No entanto, vai muito além das questões estéticas: as complicações decorrentes das varizes abrangem, nos casos mais graves, a formação de feridas e inflamação das veias.

Segundo Fabrício Martins Zucco, especialista em cirurgia vascular do Hospital Santa Catarina de Blumenau, as implicações psicológicas e sociais da doença resultam em uma significativa diminuição na qualidade de vida, exercendo influência nas atividades diárias dos pacientes:

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— Essa realidade demonstra a importância do tratamento das varizes, não apenas visando aspectos clínicos, mas também considerando o bem-estar emocional e social das pessoas afetadas — destaca o médico do HSC.

(Foto: Canva)

Quais são as causas

A doença tem múltiplas causas, e pode se desenvolver a partir de diversos fatores. Entre os mais comuns estão a predisposição genética, a idade e o estilo de vida. Sedentarismo, obesidade, excesso de tempo sentado ou em pé, bem como trauma ou lesões nas veias, também podem ser causas do aparecimento de varizes.

A maior incidência em mulheres pode ser explicada, principalmente, pelos fatores hormonais e genéticos, como a gravidez e o uso de contraceptivos. Mudanças hormonais da menstruação e da menopausa, assim como a pressão sobre as veias pélvicas durante a gravidez, podem causar o desenvolvimento da doença.

— No entanto, é importante destacar que homens também podem enfrentar problemas circulatórios, embora em menor frequência. Casos em jovens também ocorrem ressaltando a influência genética e a importância dos hábitos de vida na saúde vascular — destaca Zucco.

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Quando devo me preocupar com as varizes?

Fabrício afirma que as queixas mais comuns dos pacientes com varizes são de desconforto, sensação de peso, cãibras noturnas, coceira e inchaço nos tornozelos. Em caso de sintomas persistentes, como dor intensa, inchaço ou alterações cutâneas nas regiões afetadas, o médico aconselha a avaliação de um especialista.

Quando não tratadas, as varizes podem levar a complicações mais sérias, como úlceras venosas, que são feridas abertas na pele, geralmente localizadas nas áreas onde as varizes são mais pronunciadas, resultado da acumulação crônica de sangue nas veias. Outro problema que pode aparecer é  o risco de trombose venosa profunda (TVP), condição em que se formam coágulos sanguíneos nas veias profundas, além de eczema, dermatite, hemorragias e pigmentação da pele.

Portanto, o diagnóstico precoce e a abordagem adequada no tratamento são essenciais para que esse processo ocorra da forma mais efetiva possível. O médico ressalta ainda a importância da prevenção e o incentivo para que os pacientes adotem um estilo de vida saudável, que envolve a prática regular de exercícios e o controle de peso.

— A realização de consultas periódicas é fundamental, especialmente para aqueles com histórico familiar. Prevenção é a palavra-chave, mas é fundamental lembrar que existem diversas ferramentas disponíveis atualmente para o cuidado da saúde vascular.

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(Foto: Canva)

Como é feito o tratamento

O tratamento das varizes varia conforme a gravidade da condição do paciente, como detalha o especialista do Hospital Santa Catarina de Blumenau:

— Inicialmente, são recomendadas medidas como prática de exercícios, utilização de meias de compressão e elevação das pernas. Procedimentos menos invasivos, como escleroterapia, lasers transdérmicos ou terapias termoablativas das veias calibrosas têm se tornado técnicas cada vez mais utilizadas, substituindo a cirurgia convencional em muitos casos. Quando indicados corretamente, esses procedimentos proporcionam excelentes resultados.

Em que casos é necessário fazer cirurgia?

Com a evolução de técnicas menos invasivas, a cirurgia convencional vem sendo reservada para casos mais avançados, situações em que as outras opções de procedimento podem não ser tão eficazes. 

— Os resultados de todos os tratamentos que realizamos são obtidos em colaboração, com o médico identificando e orientando de maneira apropriada as doenças circulatórias, como as varizes , e o paciente comprometendo-se a seguir as orientações. É importante destacar que o sucesso do tratamento muitas vezes requer ajustes no estilo de vida, corrigindo maus hábitos que podem acelerar as doenças — finaliza.

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O Hospital Santa Catarina de Blumenau é referência no Estado e conta com uma equipe de especialistas em diversas áreas da Medicina. Fundado em 1920 pela Comunidade Luterana do município, o hospital possui hoje 152 leitos de internação em uma área de mais de 21 mil metros quadrados. O HSC Blumenau possui infraestrutura de CTI Adulto, UTI Neonatal e Pediátrica, clínica de saúde mental, salas cirúrgicas e uma equipe com mais de mil colaboradores.

Sede do Hospital Santa Catarina de Blumenau (Foto: Divulgação)

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