Impacto da gripe K redefine resposta ao vírus e exige ação imediata

Maior perigo reside na rapidez com que o quadro pode evoluir para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)

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Atualmente, a Influenza já é responsável por cerca de 22% de todas as hospitalizações respiratórias graves no estado (Foto: Banco de imagens)

Os catarinenses costumam associar o aumento das doenças respiratórias às geadas de junho, mas os números de casos de influenza mostram que, em 2026, o vírus não esperou o casaco sair do armário. Os dados mais recentes da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC) confirmam: a gripe chegou mais cedo e com uma agressividade que não víamos há temporadas.

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A análise das Semanas Epidemiológicas (SE) revela um cenário atípico. Enquanto em anos anteriores o crescimento da curva de Influenza ocorria a partir da SE 15, em 2026 o salto nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) começou já na SE 05, ainda em pleno fevereiro.

Até o fechamento do boletim de março, Santa Catarina já registrava um volume de casos de Influenza A superior ao dobro do mesmo período do ano passado. Até o início de fevereiro, o estado já contabilizava 6 óbitos por Influenza, evidenciando que o vírus circulante não é apenas rápido, mas letal para os grupos de risco.

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O grande protagonista desse fenômeno é a “Gripe K”. Trata-se de uma mutação do vírus Influenza A (H3N2) que começou a ser detectada no Brasil no final de 2025, mais precisamente no final de novembro e dezembro de 2025, a SES/SC já monitorava pelo menos 17 casos confirmados em seis municípios catarinenses.

O problema é que, por ser uma variante com mutações específicas na proteína de superfície, ela encontrou uma população com baixa imunidade residual. O vírus não esperou as temperaturas caírem, e aproveitou a alta circulação de pessoas entre o final de 2025 e o início de 2026 para se estabelecer em solo catarinense.

Os números da DIVE são claros sobre o impacto dessa antecipação. O estado já contabiliza óbitos precoces em regiões como o Vale do Itajaí e a Grande Florianópolis, com uma concentração preocupante em dois extremos da vida: crianças menores de cinco anos que representam aproximadamente 36,9% dos casos de SRAG por Influenza, e osidosos maiores de 60 anos, que somam 40% das internações graves.

Atualmente, a Influenza já é responsável por cerca de 22% de todas as hospitalizações respiratórias graves no estado, um índice que normalmente só atingiríamos em maio.

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Diferente do resfriado comum, que se manifesta de forma gradual e leve, a Cepa K da Influenza A (H3N2) tem se mostrado uma “invasora” abrupta. O paciente costuma relatar o exato momento em que os sintomas começaram: uma febre súbita, geralmente acima dos 38,5°C, acompanhada de uma prostração tão intensa que o simples ato de levantar da cama se torna um desafio. É a chamada “gripe derrubadora”.

O que a diferencia das cepas anteriores é a velocidade com que os sintomas sistêmicos dominam o organismo. Além da dor de garganta aguda e da tosse seca, as dores musculares e articulares são marcantes, criando uma sensação de esgotamento físico profundo.

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Em crianças e idosos, os grupos que os dados da DIVE/SC apontam como os mais vulneráveis nesta temporada, a variante tem apresentado também sinais gastrointestinais, como náuseas e episódios de vômito, o que pode mascarar o diagnóstico inicial.

No entanto, o maior perigo reside na rapidez com que o quadro pode evoluir para a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Como os sintomas da Gripe K se sobrepõem aos de outras variantes e até mesmo da Covid-19, o diagnóstico clínico tornou-se um desafio para os médicos neste início de 2026.

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A recomendação da vigilância epidemiológica é clara: não subestime o que parece ser “apenas uma gripe”. Em um ano onde o vírus se antecipou ao inverno, o tempo entre os primeiros sintomas e o início do tratamento antiviral é o que define, na maioria das vezes, o desfecho do quadro clínico.

Essa mudança no comportamento viral, portanto, exige muita atenção e a necessidade de uma mudança de postura na prevenção. A “Gripe K” provou que o vírus não respeita as estações do ano. Afinal a circulação viral iniciou em pleno verão catarinense em dezembro de 2025.

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Se a circulação viral já está consolidada desde então, e ganhou força nestas primeiras semanas de 2026, a vacinação e a etiqueta respiratória deixam de ser precauções de inverno para se tornarem urgências imediatas.

Santa Catarina está diante de um desafio epidemiológico novo. Seguimos.

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Quem são os grupos prioritários para vacinação contra a gripe?

Por Sabrina Sabino, médica infectologista, formada em Medicina pela PUCRS, mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professora de Doenças Infecciosas na Universidade Regional de Blumenau.