Como infectologista, acompanho diariamente a evolução dos vírus respiratórios e, este ano, o cenário exige uma reflexão imediata: a gripe não esperou as temperaturas caírem para marcar presença em Santa Catarina. Estamos iniciando agora, em março de 2026, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, e o momento não poderia ser mais oportuno.
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Gripe chegou antes do frio em Santa Catarina
Os dados epidemiológicos mais recentes mostram que a circulação viral foi antecipada. Em nosso estado, o vírus já vinha sendo identificado em amostras de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) desde o final de 2025, com um destaque preocupante para a detecção do subclado H3N2, que tem demonstrado alta transmissibilidade e já causou 15 óbitos em solo catarinense apenas nestes primeiros meses do ano.
Historicamente, Santa Catarina é um estado que enfrenta invernos rigorosos, o que naturalmente eleva as internações, diferentemente dos estados do norte do Pais, por exemplo. No entanto, o que observamos em 2026 é um pico precoce de doenças respiratórias.
Até a 10ª semana epidemiológica, o Brasil já registrava mais de 50 mil casos de SRAG, e em Santa Catarina a situação caminha para um patamar de alerta, com mais de mil casos confirmados e 89 mortes relacionadas a complicações respiratórias no total.
Entre os óbitos, a Influenza A já responde por cerca de 30% das ocorrências nas últimas semanas, um número expressivo que reforça que a gripe, longe de ser um “resfriado forte”, é uma patologia com potencial letal, especialmente para os mais vulneráveis.
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Vacina protege contra H1N1, H3N2 e Influenza B
No ano passado, apenas 57% do público prioritário em Santa Catarina buscou a imunização, um índice muito abaixo da meta de 90% necessária para garantir a proteção coletiva. Com um público-alvo estimado em 3,2 milhões de pessoas no estado, a vacina trivalente disponível este ano protege contra as cepas que mais nos preocupam no momento: H1N1, H3N2 e a linhagem B.
É fundamental compreender que a vacina leva cerca de duas semanas para gerar a resposta imunológica completa. Portanto, esperar o frio chegar para procurar o posto de saúde é um erro estratégico que pode custar caro à saúde pública e individual.
Neste sábado (28), celebramos o “Dia D” de mobilização em cidades como Florianópolis, Joinville e Blumenau, estendendo-se por todo o território catarinense. O apelo é direto aos idosos, gestantes, pais de crianças pequenas e portadores de doenças crônicas: a ciência nos deu a ferramenta mais eficaz para evitar hospitalizações.
Vacinar-se agora é um ato de responsabilidade com a própria vida e com a rede de saúde, que já sente a pressão desse aumento atípico de casos. Não deixemos que a desinformação ou a procrastinação superem a evidência dos dados.
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Quem são os grupos prioritários para vacinação contra a gripe?
Por Sabrina Sabino, médica infectologista, formada em Medicina pela PUCRS, mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professora de Doenças Infecciosas na Universidade Regional de Blumenau.






