Influenciador de SC que pescou peixes em lista de extinção é multado pelo Ibama

Em vídeos divulgados nas redes sociais, influenciador afirmou que iria oferecer curso sobre como capturar espécie de peixe que integra lista de ameaçada de extinção, de acordo com o Ibama

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Peixe integra lista de animais em extinção, afirma Ibama

Peixe integra lista de animais em extinção, afirma Ibama (Foto: Ibama, Redes sociais, Reprodução)

Um influenciador digital de Santa Catarina foi autuado e multado em R$ 60 mil por pescar seis miragaias (Pogonias courbina), peixe conhecido como burriquete. A espécie integra a Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

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Nas redes sociais, o influenciador divulgou imagens das espécies e ainda anunciou que iria oferecer um curso sobre “como capturar burriquetes”. Ele afirma que irá “ensinar todas as técnicas e macetes” para pescar a espécie, enquanto os peixes aparecem se movendo, já fora d’água. O nome do influenciador não foi divulgado pelo órgão de fiscalização.

Por que o influenciador foi multado?

A infração está prevista no no Artigo 24 do Decreto nº 6.514/2008, que afirma que é proibido “matar, perseguir, caçar, apanhar, coletar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida”.

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Por se tratar de uma espécie em risco de extinção, a multa é de R$ 5 mil por animal. As sanções foram aplicadas em dobro, já que a infração ocorreu com o intuito de obter vantagem financeira, seja pela divulgação do curso de pesca, ou pela monetização da publicação nas redes sociais.

Denúncias referentes a infrações ambientais podem ser feitas por meio da plataforma Fala.Br ou pelo telefone 0800 061 8080.

Divergência com regulamentação estadual

Em dezembro do ano passado, a Secretaria da Aquicultura e Pesca publicou a portaria SAQ nº 009/2025, que estabelece o tamanho mínimo para que se possa capturar o burriquete. Na época, a publicação da portaria levou em conta o parecer técnico do coordenador-geral do Projeto de Monitoramento da Atividade Pesqueira (PMAP-SC), que afirmava não haver evidências científicas para a proibição da pesca.

“O parecer destaca ainda que a inclusão do que se acreditava ser a espécie Pogonias Cromis na lista federal de ameaçadas, em 2014, desconsiderou dados de produção catarinenses, que mostraram volumes expressivos — como os 41 mil quilos capturados pela pesca artesanal em 2016”, alegou a Secretaria da Pesca.

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Maricultores teriam relatado prejuízos ao cultivo de moluscos por conta do peixe, com estragos em pencas, lanternas e gaiolas. A secretaria alega que a captura controlada auxilia para o “manejo em áreas afetadas e beneficia diretamente a pesca artesanal”.

Contudo, o superintendente do Ibama em Santa Catarina, Paulo Maués, afirma que a regulamentação da atividade compete à esfera federal.

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— A competência para regulamentar a atividade e estabelecer a proibição da captura dessas espécies ameaças de extinção é da esfera federal, responsável pela definição das normas aplicáveis à pesca marinha — explica Paulo Maués.