Quem é o ex-prefeito de SC alvo de operação do Gaeco contra esquema de corrupção

Conhecido como Pedroca, Pedro Alfredo Ramos comandou o município da Grande Florianópolis entre 2021 e 2024

Compartilhe:
Pedro Alfredo Ramos

Pedro Alfredo Ramos foi alvo de um mandado de busca e apreensão durante a Operação Regalo, nesta terça-feira (19) (Foto: Redes sociais, Reprodução)

O ex-prefeito de São João Batista, Pedro Alfredo Ramos (MDB), foi alvo de um mandado de busca e apreensão durante a Operação Regalo, nesta terça-feira (19), que investiga organização criminosa, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. A ação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e o Grupo Especial Anticorrupção (Geac).

Continua após a publicidade

Conhecido como Pedroca, Pedro Alfredo Ramos comandou o município entre 2021 e 2024. Nas últimas eleições municipais, concorreu à reeleição, mas acabou derrotado pelo atual prefeito, Juliano Peixer (União).

Em nota, a defesa de Pedroca informou que ainda não teve acesso aos autos da investigação e que, por isso, desconhece a investigação contra ele. A defesa também negou a existência de “qualquer prática ilícita durante sua gestão pública”.

Continua após a publicidade

“A defesa reafirma que o Prefeito permanecerá colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação, confiante de que, ao final, ficará plenamente demonstrada a lisura de sua conduta e a inexistência de qualquer prática ilícita durante sua gestão pública”, diz a defesa (veja a nota completa abaixo).

Entenda as investigações

Durante a operação desta terça-feira, o prefeito de Balneário Piçarras, no Norte de Santa Catarina, Tiago Maciel Baltt (MDB), foi preso preventivamente. No total, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 37 mandados de busca e apreensão em residências, empresas e órgãos públicos localizados nos municípios de Timbó, Biguaçu, Piçarras, São João Batista, Tijucas, Indaial, Itapema, Itajaí, Porto Belo, Bombinhas e Colider (Mato Grosso). 

As investigações inciaram em 2024. Conforme o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), há indícios de que os investigados atuavam de forma estruturada, com divisão de tarefas, envolvendo núcleo empresarial e político-administrativo, mediante pagamento de propina correspondente a 3% dos contratos públicos vinculados ao município de Balneário Piçarras e em valores variados em relação ao município de São João Batista.  

A ação investiga busca aprofundar a colheita de provas relativas a contratos de prestação de serviços de obras e urbanização da Orla Norte de Balneário Piçarras, além de outros contratos da cidade e de São João Batista. Há indícios de atuação de um grupo político com um grupo empresarial. 

Continua após a publicidade

Em Balneário Piçarras às vantagens indevidas auferidas pelos investigados com o pagamento de propina, suportadas pelos cofres públicos, alcança valores de aproximadamente R$ 485.912,08, diz o Ministério Público.

Na ação desta terça-feira, foi decretado o sequestro dos valores, que conforme apurado foram pagos a com propina. Tal medida considera que esses valores, pagos pelo núcleo empresarial ao núcleo político da organização criminosa, possuem origem espúria e deverão ser restituídos aos cofres públicos. 

Continua após a publicidade

A investigação tramita em sigilo

O que diz a defesa do ex-prefeito

A defesa técnica do Prefeito Pedro Alfredo Ramos ainda não teve acesso aos autos da investigação, razão pela qual, até o presente momento, desconhece o seu conteúdo e os fatos efetivamente apurados.

Continua após a publicidade

Na data de hoje será protocolado pedido formal de acesso integral ao procedimento investigatório, medida indispensável ao pleno exercício do contraditório, da ampla defesa e das prerrogativas profissionais da advocacia.

É importante destacar que investigações envolvendo agentes públicos e ocupantes de cargos de elevada relevância administrativa constituem circunstância relativamente comum na vida pública, não representando, por si só, qualquer juízo de culpabilidade ou irregularidade.

Continua após a publicidade

Pedro Alfredo Ramos recebeu os integrantes do GAECO de forma absolutamente serena e colaborativa, franqueando espontaneamente acesso ao seu aparelho celular, documentos e demais elementos solicitados, demonstrando total transparência e absoluto respeito às instituições.

A defesa reafirma que o Prefeito permanecerá colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação, confiante de que, ao final, ficará plenamente demonstrada a lisura de sua conduta e a inexistência de qualquer prática ilícita durante sua gestão pública.

Continua após a publicidade

Camila Ruediger Pöpper – OAB/SC 31.289

O que diz a prefeitura de São João Batista

A Prefeitura Municipal de São João Batista informa que, na manhã desta terça-feira (19/05), recebeu equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e do Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), vinculados ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), no âmbito da denominada “Operação Regalo”.

Continua após a publicidade

A operação investiga supostos crimes relacionados a contratos públicos nos municípios de Balneário Piçarras e São João Batista, envolvendo apurações sobre organização criminosa, corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. A Administração Municipal destaca que os mandados de busca e apreensão relacionados a São João Batista referem-se a processos e contratos vinculados à gestão anterior, compreendida entre os anos de 2021 e 2024.

A Prefeitura reforça que está colaborando integralmente com as autoridades competentes, colocando-se à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários e contribuir com o andamento das investigações. Por respeito ao trabalho dos órgãos de controle e em razão do sigilo judicial que envolve o caso, a Administração Municipal não irá se manifestar sobre detalhes da investigação neste momento.

Continua após a publicidade

A atual gestão destaca seu compromisso com a transparência, a legalidade, a correta aplicação dos recursos públicos e o fortalecimento das instituições“.