Investimento de R$ 1,5 bilhão no meio da Amazônia transformará caminho de 880 km

BR-319 foi inaugurada há 50 anos e enfrenta disputas entre setores econômicos e ambientais por reformas

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BR-319 tem aproximadamente 885 quilômetros (Foto: Dnit, Divulgação)

BR-319 tem aproximadamente 885 quilômetros (Foto: Dnit, Divulgação)

A BR-319, que liga Manaus, no Amazonas, e Porto Velho, em Rondônia, em um trecho de aproximadamente 885 quilômetros, passará por uma reconstrução após anos de impasse por conta de questões ambientais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta terça-feira (26), que a reconstrução rodovia federal deverá seguir critérios rigorosos de preservação ambiental, já que a estrada passa por uma das áreas mais sensíveis da Floresta Amazônica.

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— Ela não é uma estrada qualquer. Ela está situada num lugar muito sensível da Amazônia. Para autorizar a gente fazer essa estrada, estamos discutindo há meses qual é o sistema de segurança ambiental mais seguro — disse Lula.

Nesta quarta-feira (27), foi assinada a primeira de quatro ordens de serviços para o asfaltamento da rodovia, com investimento de R$ 381 milhões para a recuperação de pavimentação de um dos trechos de 52 quilômetros. O investimento previsto nos quatro trechos de obra é de R$ 1,5 bilhão.

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A estrada foi inaugurada em 1976 e transformou o tempo de viagem entre as capitais, principalmente no que diz respeito ao escoamento de produtos agropecuários da região, assim como o deslocamento de profissionais de órgãos de controle e fiscalização, por exemplo. No entanto, há anos a BR-319 passa por problemas, com trechos não asfaltados.

Por isso, durante o período de chuvas, o deslocamento pela rodovia não é fácil, com a recuperação da rodovia sendo defendida por diversos setores, mas com resistência sobre os impactos ambientais na floresta amazônica.

Veja fotos da BR-319

Necessidade de cuidados ambientais nas obras

Em uma entrevista ao Jornal do Amazonas 1ª Edição, da Rede Amazônica, Lula afirmou que o governo deve trabalhar para que a estrada seja vista como uma referência mundial em obras com controle ambiental.

— Talvez seja a estrada feita com o maior cuidado ambiental de qualquer país do mundo. Será uma estrada modelo de qualidade e preservação ambiental — disse.

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Ao longo da BR-319, há mais de 28 Unidades de Conservação federais e estaduais, criadas para garantir que a rodovia se desenvolva sem comprometer os valores ecológicos da Amazônia, segundo o Dnit.

“Trecho do meio” da BR-319 é o mais crítico

A rodovia começou a ser asfaltada em 2001, com 820 quilômetros sendo no estado do Amazonas e 64 quilômetros em Rondônia. O trecho mais crítico é o chamado “trecho do meio”, entre os quilômetros 250 e 590 da rodovia, onde editais para obras já foram abertos no início de maio para obras na estrada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

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Os editais foram abertos depois de terem sido suspensos pela Justiça Federal após o Observatório do Clima questionar a dispensa de licenciamento ambiental nas intervenções. Para a entidade, os serviços previstos caracterizam reconstrução e pavimentação da rodovia e, por isso, seriam necessários estudos de impacto ambiental. O Dnit e a Advocacia-Geral da União (AGU) entraram com recursos e, com isso, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região derrubou a suspensão.

Na decisão, o órgão argumentou que a execução das obras poderia ser comprometida com a paralisação durante estiagem, chamada “janela hidrológica” neste ano, necessária para que as obras sejam feitas.

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Além das obras em quatro trechos da rodovia, também está prevista a construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu, com investimento total de R$ 678 milhões. O prazo para conclusão é de três anos.

*Com informações da CNN, Folha de S.Paulo e g1.