Entre rios, Andes e deserto: nova rota do Brasil ao Pacífico ganha forma rumo à China

Projeto conhecido como Corredor Bioceânico de Capricórnio terá mais de dois mil quilômetros de estradas entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile

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ponte sobre o Rio Paragua

Ponte sobre o Rio Paraguai com 1.294 metros de comprimento e 29 metros de altura está com 90% das obras concluídas (Foto: Saul Schramm, Secom MS)

A rota bioceânica que promete ligar o Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil ao Oceano Pacífico, por meio de Paraguai, Argentina e Chile, pode começar a operar a partir de 2026, segundo a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

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O projeto, também conhecido como Corredor Bioceânico de Capricórnio, terá mais de dois mil quilômetros de estradas, ligando os portos brasileiros de Santos, Paranaguá e Itajaí aos terminais chilenos de Iquique, Mejillones e Antofagasta.

Veja fotos da Ponte da Rota Bioceânica

Como vai ser a rota bioceânica?

A rota começa em polos industriais e agropecuários do Centro-Oeste, Sul e Sudeste, seguindo por rodovias até Porto Murtinho (MS), cidade às margens do rio Paraguai. No trecho, está sendo finalizada a ponte binacional de 1.294 metros de comprimento e 29 metros de altura, ligando Porto Murtinho a Carmelo Peralta, no Paraguai. A obra foi financiada com recursos da Itaipu Binacional, com investimento de cerca de US$ 85 milhões.

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Na etapa internacional, o corredor atravessa o Chaco paraguaio, segue pelo norte argentino e chega à Cordilheira dos Andes, o principal desafio geográfico do trajeto. Após cruzar a cadeia montanhosa, a rota segue pelo deserto do Atacama, no Chile, em direção aos portos do Pacífico.

Para viabilizar a infraestrutura rodoviária, ferroviária, portuária e aduaneira dos países vizinhos, o Brasil articulou cerca de US$ 10 bilhões em financiamentos internacionais. O Chile, por sua vez, já realizou investimentos superiores a US$ 1 bilhão para garantir melhorias logísticas e portuárias ao longo do corredor.

O percurso termina nos portos do norte do Chile, principalmente Iquique, Mejillones e Antofagasta, que recebem obras de ampliação e modernização. Entre as intervenções estão a instalação de nova grua no porto de Iquique e a construção do molhe de abrigo em Antofagasta, medida que deve reduzir períodos de paralisação por condições climáticas.

Redução no tempo de transporte

A partir desses terminais, as mercadorias seguem diretamente para o mercado asiático. O uso do corredor pode reduzir o tempo de transporte em até 12 dias em relação às rotas tradicionais, segundo estimativas apresentadas por autoridades chilenas.

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Atualmente, grande parte da produção brasileira precisa percorrer longas distâncias até os portos do Atlântico — sobretudo Santos — antes de seguir para o exterior. A nova rota busca encurtar esse trajeto e ampliar a integração logística regional, facilitando o transporte de cargas e fortalecendo as relações comerciais entre os países.

Integração e estratégia comercial

A rota também abre caminho para o uso estratégico dos tratados de livre comércio chilenos, que abrangem mais de 80% do PIB global. Com isso, produtos brasileiros poderão ser processados ou agregados no Chile e exportados com maior competitividade.

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A expectativa é que o corredor impulsione setores como agroindústria, turismo, logística e serviços, além de estimular a formação de cadeias produtivas integradas entre os países.