Ministra vê risco em projeto aprovado de forma “relâmpago” que dificulta aborto legal em crianças

Projeto foi aprovado pelo Senado em menos de dois minutos com relatoria da senadora Damares Alves (Republicanos-DF)

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Projeto teve apoio da senadora Damares Alves (Republicanos) (Foto: Clarice Castro, Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania; Agência Senado)

Projeto teve apoio da senadora Damares Alves (Republicanos) (Foto: Clarice Castro, Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania; Agência Senado)

O Senado aprovou, nesta terça-feira (3), um projeto de decreto legislativo que suspende os efeitos de uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). A resolução tinha como objetivo regulamentar o direito de crianças ao aborto legal, previsto em casos de estupro, por exemplo. A votação levou menos de dois minutos para ser concluída na modalidade simbólica, sem que ficassem registrados quais senadores votaram a favor ou contra. Com informações do g1.

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Em nota divulgada ainda na terça-feira, a ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello, afirmou que a decisão vai na “contramão” de “um esforço conjunto e intersetorial do Governo do Brasil, dos conselhos participativos e da sociedade civil na promoção de políticas públicas que protejam nossas crianças e adolescentes“.

A ministra destacou, no texto, que os direitos assegurados no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na legislação brasileira seguem vigentes. Pela lei, qualquer relação sexual com menores de 14 anos configura estupro. A resolução da Conanda entrou em vigor em 2025, com foco na demonstração de que a gestação em crianças e adolescentes “representa risco à saúde física, psicológica e mental”.

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A resolução do Conanda tinha como objetivo prever procedimentos legais e estabelecer diretrizes com vigência em todo o território nacional para organizar fluxos de atendimento, com rede de proteção à criança ou adolescente vítima.

Com a revogação, o aborto legal para crianças e adolescentes em casos previstos em lei como feto anencéfalo, risco de vida para a gestante e gravidez decorrente de violência sexual, pode ser dificultada.

Proposta não precisa passar pela sanção de Lula

O projeto suspende os efeitos de uma norma do Poder Executivo e, por isso, não precisa passar por sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O relatório da proposta foi elaborado pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado. No documento, ela afirmou que a norma “relativiza prerrogativas legalmente asseguradas pelo ordenamento jurídico“.

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“Ao admitir hipóteses em que decisões relacionadas à interrupção da gestação possam ocorrer sem a participação ou ciência dos pais e responsáveis, a Resolução não apenas reorganiza fluxos administrativos, mas relativiza prerrogativas legalmente asseguradas pelo ordenamento jurídico”, apontou no relatório.

O texto faz referência a um trecho da resolução do Conanda, que diz que a criança ou adolescente tem o direito de ser acompanhado em todos os procedimentos necessários do aborto por um integrante do órgão do Sistema de Garantia de Direitos das Criança e do Adolescente.

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“A ausência dos pais ou responsáveis legais não impede o pleno exercício do direito à informação de crianças e adolescentes, sendo obrigatório que todas as informações e esclarecimentos sobre a interrupção da gestação sejam fornecidas de forma clara e acessível”, destacou a resolução.