Engenheiro de Joinville vai à China para assumir associação que reúne empresas com US$ 120 bilhões em vendas no setor da indústria

Atuando em Joinville, no Norte catarinense, desde 1994, Christian revela que ocupar o espaço tem como objetivo retomar o nome do Brasil em âmbito internacional no setor da ferramentaria

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Engenheiro de Joinville assume associação internacional

Chistian viaja para Xangai, na China, para participar da conferência da Associação Internacional da Ferramentaria (Foto: Arquivo Pessoal, Xangai International Services, NSC Total)

O empresário e engenheiro Christian Dihlmann alcançou um importante marco para o setor industrial de Joinville e do Brasil com a nomeação para ocupar a presidência da International Special Tooling and Machining Association (ISTMA). A associação é a principal representante da indústria de ferramentais, moldes, matrizes e usinagem no mundo.

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Atuando em Joinville, no Norte catarinense, desde 1994, Christian revela que ocupar o espaço tem como objetivo retomar o nome do Brasil em âmbito internacional. Por isso, ele vai viajar para Xangai, na China, e representar o país na conferência oficial da entidade, que reúne mais de 8 mil empresas e mais de US$ 120 bilhões em vendas.

— É muito trabalho assumir uma entidade como essa, mas é uma oportunidade ímpar para que o Brasil retome o protagonismo no setor da ferramentaria. — disse ao NSC Total.

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Atualmente, o engenheiro trabalha na própria empresa e participa de diversas associações e cooperativas para engajar a indústria local. Mas, a realidade é que o gosto pela engenharia veio antes de tudo isso, por influência da família.

— Meus avós eram engenheiros mecânicos, meus tios e irmãos também eram engenheiros. Então acabei seguindo esse caminho. — revelou. Por isso, escolheu cursar Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde despertou seu interesse pela ferramentaria.

O que é a ferramentaria e qual sua importância?

Apesar de Joinville ser um forte polo industrial, nem todos sabem o que é, exatamente, a ferramentaria. Ela é considerada um dos pilares da indústria de transformação, já que praticamente todos os produtos moldados e injetados dependem desse tipo de tecnologia. Christian explica que é como fazer a “forma do bolo”.

— Quando você faz um bolo, você precisa de uma forma, certo? Nós fazemos essa forma. Se você quer fazer uma peça, por exemplo uma batedeira, ela tem um formato, então a gente faz o molde. O plástico é colocado dentro e, quando solidifica, vira o produto. Tudo tem um molde, tudo tem uma forma para ser produzido.

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O papel da ferramentaria como um dos pilares da indústria, ou como a “indústria que alimenta as outras”, por desenvolver a tecnologia necessária para a fabricação de inúmeros produtos, ganha ainda mais relevância em Santa Catarina. No estado, a indústria responde por quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB).

Já em Joinville, um dos maiores polos metalmecânicos do país, essa tecnologia abastece indústrias expressivas como a automotiva e a de fundição, responsáveis pela produção de componentes como blocos de motor.

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No Brasil, o setor reúne cerca de 2,5 mil a 3 mil empresas ligadas à cadeia de ferramentaria, moldes e matrizes, segundo estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (Abinfer). Entretanto, o Brasil ainda depende de importações em segmentos de maior complexidade tecnológica.

Em alguns segmentos industriais (como automotivo e linha branca), a dependência de importados pode ultrapassar 50% a 70% dos ferramentais de maior valor agregado, conforme a associação. Diante deste cenário, as associações buscam trazer novamente essa produção para suprir, além do mercado nacional, também o internacional. Esse é um dos objetivos que o engenheiro busca reforçar no cooperativismo.

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O cooperativismo e a trajetória até a presidência da ISTMA

Depois de se formar, Christian foi atrás de fazer um mestrado, também na Universidade Federal de Santa Catarina e de lá foi para o exterior.

— Quando eu fui fazer o mestrado, o meu orientador estava criando um grupo de pesquisa na área. Ele convidou eu e mais dois colegas para participar. Nessa época, então, fui para a Alemanha estudar.

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Lá, ele teve contato com o associativismo e resolveu voltar ao Brasil e se aproximar de associações que pudessem fortalecer a indústria na região. Sua chegada em Joinville aconteceu após ser selecionado para trabalhar em uma indústria local.

— Então, eu vim para Joinville. Eu tinha aprendido muito sobre associativismo na Europa e minha primeira atividade fora da empresa foi buscar uma entidade que trabalhasse com essa questão. Encontrei isso na Acij, no Núcleo de Usinagem e Ferramentaria. — conta.

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A associação logo passou a se relacionar com outros polos, como São Paulo, Caxias do Sul e São José dos Campos. O movimento foi crescendo e, em 2011, foi criada a Associação Brasileira da Indústria de Ferramentais (Abinfer), onde ele ocupou a presidência.

Para além da articulação nacional, a visão dele era de que o Brasil não poderia se desligar da realidade do mundo em relação à tecnologia e ao desenvolvimento. Por isso, a entidade se associou à ISTMA em 2012.

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— Como queríamos contribuir para o desenvolvimento do Brasil, entramos na diretoria da entidade e já sugerimos realizar a conferência. Em 2017, assumi como vice-presidente e, em 2024, passei a ser presidente da ISTMA Américas, uma das divisões da entidade.

Agora, o próximo passo é Christian ir a Xangai para participar da conferência, onde poderá ser confirmado como novo presidente de uma das entidades internacionais mais importantes do setor industrial.

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Segundo Christian, além de aproximar o Brasil dos principais polos mundiais da ferramentaria, o objetivo é ampliar a presença da indústria brasileira no mercado internacional.

— Há anos já fomos exportadores, inclusive de mão de obra, e queremos recuperar. Uma das frentes é a internacionalização. A nossa ideia é que o Brasil possa produzir ferramentais e exportar, atendendo tanto o mercado interno quanto o exterior. Para isso acontecer, a gente precisa aparecer. — conclui.