Condomínio com 171 apartamentos de curta temporada em bairro nobre de Florianopolis vira alvo de investigação do MP

Procedimento foi instaurado após representação de associação de moradores, que questiona impactos urbanísticos e ambientais do projeto previsto para o Norte da Ilha

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MPSC solicitou informações à Prefeitura, à Casan e aos responsáveis pelo Santinho Spot para avaliar a viabilidade urbanística e ambiental do empreendimento (Foto: Divulgação)

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) instaurou uma Notícia de Fato para apurar possíveis irregularidades urbanísticas e ambientais envolvendo o empreendimento imobiliário Santinho Spot, previsto para ser construído na Estrada Vereador Onildo Lemos, no bairro Santinho, em Florianópolis.

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A investigação foi aberta após uma representação protocolada pela Associação de Moradores Renovação Ingleses e Santinho (AMORIS), que questiona os impactos que o projeto poderá causar à infraestrutura e ao meio ambiente da região.

Veja fotos da Praia do Santinho

O Santinho Spot prevê a construção de duas torres residenciais de sete pavimentos, com 171 unidades habitacionais e duas lojas comerciais. Segundo a representação, a maior parte dos apartamentos será destinada à locação de curta temporada — short stay.

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No despacho que instaurou o procedimento, o Ministério Público determinou a realização de diligências para verificar a viabilidade urbanística e ambiental do empreendimento.

Entre as providências, a Secretaria Municipal de Planejamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano terá prazo de 15 dias para informar como foi conduzida a análise técnica do projeto, esclarecer sua viabilidade urbanística e detalhar eventuais medidas mitigadoras exigidas para reduzir impactos na região.

No mesmo prazo, a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) deverá informar se os sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário existentes no bairro possuem capacidade para atender à demanda gerada pelo empreendimento.

Os responsáveis pelo Santinho Spot também foram notificados a apresentar o projeto arquitetônico completo, estudos técnicos, licenças, autorizações e demais documentos relacionados à obra.

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Estudo independente motivou questionamentos

Na representação encaminhada ao Ministério Público, a AMORIS argumenta que, embora o empreendimento esteja dispensado da elaboração obrigatória do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), a associação contratou um estudo técnico independente de impacto de vizinhança e de tráfego (EIV/EIT).

Segundo a entidade, o levantamento identificou possíveis impactos sobre a mobilidade, os sistemas de saneamento, a infraestrutura urbana e a preservação ambiental da região, levantando dúvidas sobre a capacidade de suporte do bairro diante do novo empreendimento.

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Para a presidente da associação, Danny Novaes, a abertura da investigação demonstra que as preocupações apresentadas pela comunidade merecem análise técnica.

— O Santinho é um bairro com características ambientais e urbanísticas muito específicas. Não somos contra o desenvolvimento, mas defendemos que ele aconteça de forma responsável, respeitando os limites da infraestrutura existente e garantindo qualidade de vida para moradores e visitantes. Esperamos que todas as informações sejam analisadas com transparência pelo Ministério Público — afirmou.

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A associação sustenta que a discussão extrapola o caso específico do Santinho Spot e reacende o debate sobre o modelo de crescimento imobiliário nos balneários de Florianópolis. Segundo a entidade, a expansão urbana deve ser acompanhada por investimentos em mobilidade, abastecimento de água, esgotamento sanitário e demais serviços públicos, para evitar impactos na qualidade ambiental e na vocação turística da região.

Com a instauração da Notícia de Fato, o Ministério Público inicia a fase de coleta de informações junto aos órgãos públicos e aos responsáveis pelo empreendimento para avaliar a necessidade de adoção de novas medidas.