O tradicional Ori Bar acaba de ganhar mais um endereço em Florianópolis. A mais nova unidade foi inaugurada na última quinta-feira (2), no Rio Tavares, na Rodovia Dr. Antônio Luiz Moura Gonzaga, 2393, ampliando a presença da marca na Capital.
Com a novidade, o Ori passa a contar com 10 unidades espalhadas por Santa Catarina: Abraão, Pedra Branca, Santa Mônica, Centro, Kobrasol, Biguaçu, Itapema, Campeche, Ingleses e, agora, Rio Tavares.
A expansão contrasta com a origem humilde do negócio, que nasceu há mais de 50 anos como uma pequena mercearia de bairro e hoje recebe cerca de 300 mil clientes por mês, além de vender mais de 1 milhão de almôndegas por ano.
Veja fotos da história do bar
De um boteco “raiz” a referência em Florianópolis
A história começou em 1973, quando Odorico Bernardo, o “seu Ori”, abriu a Mercearia Ori no bairro Abraão, na parte continental de Florianópolis. Na época, o estabelecimento era um típico boteco de bairro, com cerveja e poucos petiscos.
Nem salgados eram vendidos nos primeiros anos. A decisão era um gesto de amizade: um bar vizinho, pertencente a um amigo de seu Ori, já trabalhava com esse tipo de produto, e ele preferiu não fazer concorrência.
Os filhos, Alex Bernardo e Odorico Bernardo Neto, cresceram dentro do negócio.
— A gente nasceu atrás do balcão — costumam dizer os irmãos.
Alex começou a ajudar o pai aos sete anos. Odorico, aos 10. O trabalho virou rotina desde cedo e, anos depois, seria também o futuro da família.
As almôndegas que conquistaram SC
O carro-chefe do Ori surgiu justamente quando o antigo concorrente fechou as portas. Com espaço para vender salgados, seu Ori percebeu que ainda faltava alguma coisa no cardápio. Foi então que criou a receita das almôndegas que se tornaria símbolo da casa.
No início, o consumo era modesto.
— Antigamente, a gente comprava 20 quilos de carne moída por mês. Hoje, a gente compra oito toneladas por mês. A gente vende mais de 1 milhão de almôndegas por ano — relembra Alex.
A decisão que mudou o futuro do bar
Depois que seu Ori adoeceu, ele chegou a aconselhar os filhos a seguirem outro caminho. A ideia era vender o estabelecimento para que ambos buscassem outra profissão. A mãe, Oscarina Delza Bernardo, conhecida pelos moradores do Abraão como Carina ou Cacá, sonhava em ver os filhos trabalhando em um banco.
Os planos, porém, mudaram. Ainda adolescentes, Alex e Odorico decidiram assumir o negócio. Na época, um tinha cerca de 19 anos e o outro, 15. Pouco tempo depois, o pai faleceu, deixando o bar sob responsabilidade dos dois.
Nos primeiros anos, praticamente faziam de tudo. Sem cozinheiros e com apenas duas fritadeiras, alternavam entre a cozinha e o balcão para preparar as almôndegas e atender os clientes.
— Chegou uma hora que foi automático, mas também foi um chacoalhão: ou vai ou não vai — recorda Alex.
A expansão que quase não aconteceu
Apesar do sucesso da unidade do Abraão, a ideia de transformar o Ori em uma rede demorou a surgir. Foi somente em 2019 que um conhecido perguntou a Alex por que a família nunca havia expandido o negócio. A resposta foi bem-humorada.
— Eu disse: “Do jeito que está, é mais fácil eu fechar do que expandir” — contou ao NSC Total em meio à ridadas.
Na sequência, os irmãos chegaram a planejar uma grande unidade na Pedra Branca. O contrato, porém, não foi assinado antes da pandemia de Covid-19. Segundo Alex, essa decisão acabou salvando o negócio.
Depois da pandemia, eles encontraram outro ponto comercial na mesma região e deram início à expansão. Vieram então as unidades do Centro, Santa Mônica, Kobrasol, Biguaçu, Campeche, Ingleses, Itapema e, agora, Rio Tavares.
Mais de cinco décadas depois da abertura da pequena mercearia no Abraão, o nome escolhido pelo fundador segue estampando a fachada dos bares.
— O Ori carrega o nome dele, não o meu nem o do meu irmão. É dele. Para nós isso é um orgulho enorme. A gente espera que, onde ele esteja, esteja feliz com o reconhecimento que ele conquistou na cidade — afirma Odorico.






















