A Chevrolet está perto de iniciar uma das maiores mudanças mecânicas de sua linha brasileira nos últimos anos. Os tradicionais motores flex continuarão sob o capô, mas passarão a trabalhar com assistência elétrica para reduzir o consumo de combustível e as emissões.
A confirmação veio de Fabio Rua, vice-presidente da General Motors América do Sul. Durante a celebração dos 5 milhões de veículos produzidos pela fábrica de Gravataí (RS), o executivo afirmou em entrevista à imprensa que a empresa está próxima de lançar seus primeiros híbridos nacionais.
A Chevrolet ainda não revelou oficialmente o calendário, os preços nem todos os carros que receberão a novidade. Rua antecipou, porém, que a intenção é ter praticamente todo o portfólio produzido no país eletrificado até 2030. A estratégia deverá reunir desde híbridos leves até modelos plug-in, que podem ser carregados na tomada.
Como serão os novos motores da Chevrolet
O primeiro passo deverá ser dado com um sistema híbrido leve de 48 volts. Nesse tipo de conjunto, um pequeno motor elétrico auxilia o propulsor a combustão principalmente nas arrancadas e retomadas, momentos em que o gasto de combustível costuma ser maior.
A energia recuperada durante desacelerações e frenagens é armazenada em uma bateria menor que a utilizada pelos híbridos convencionais. O sistema também permite desligamentos e partidas mais rápidos do motor a combustão.
O carro, contudo, não consegue circular apenas com eletricidade. A assistência serve para aliviar o trabalho do motor flex, melhorar as respostas em baixa velocidade e diminuir o consumo sem exigir uma bateria grande, pesada e cara.
Também não será necessário conectar o veículo a uma tomada. A recarga acontece durante o próprio uso do automóvel, como ocorre atualmente em modelos híbridos leves de Fiat, Jeep e outras fabricantes.
Tracker deve ser o primeiro Chevrolet híbrido flex
O Tracker é apontado como o primeiro modelo a receber a nova tecnologia. A informação foi divulgada pelo jornalista Jorge Moraes, da CNN Brasil, após a Chevrolet apresentar seus planos de eletrificação à rede de concessionárias. O Sonic deverá receber o sistema em uma segunda etapa.
Os dois SUVs utilizam o motor 1.0 turboflex de três cilindros com injeção direta. No Tracker, ele entrega até 115,5 cv e 18,9 kgfm de torque. O modelo também oferece o 1.2 turbo de até 141 cv e 22,9 kgfm, compartilhado com a Montana.
A Chevrolet ainda não informou qual desses motores será combinado inicialmente ao sistema de 48 volts. Também não há confirmação de aumento de potência. Em híbridos leves, a prioridade costuma ser melhorar a eficiência, não transformar radicalmente o desempenho.
Onix, Onix Plus e Montana aparecem como candidatos naturais a receber algum nível de eletrificação futuramente por utilizarem propulsores da mesma família. Isso, entretanto, ainda não foi confirmado pela fabricante.
Mudança faz parte de investimento bilionário
A preparação dos híbridos não começou agora. Em 2024, a General Motors anunciou investimento de R$ 5,5 bilhões em São Paulo, incluindo o desenvolvimento de motores híbridos flex e a modernização de fábricas e produtos.
O valor faz parte de um pacote de R$ 7 bilhões previsto para o Brasil entre 2024 e 2028. Na ocasião, a GM já havia anunciado que o país seria o primeiro mercado do mundo a oferecer sua tecnologia híbrida compatível com etanol e gasolina.
O novo conjunto também permitirá que a Chevrolet responda ao avanço de concorrentes eletrificados sem abandonar de imediato os motores produzidos no país. Para o motorista, a mudança deverá aparecer principalmente na redução do consumo, enquanto o abastecimento continuará sendo feito normalmente com gasolina ou etanol.
Apesar de a montadora afirmar que o lançamento ocorrerá em breve, ainda não há uma data oficial para o primeiro Chevrolet híbrido flex chegar às lojas.





