Mesmo com tremores intensos provocados pela doença de Parkinson, Ricardo conseguiu erguer sozinho uma casa improvisada usando pneus velhos, telhas e lonas reaproveitadas. Ex-pedreiro, ele mora no local há anos e enfrenta uma rotina marcada pela falta de água encanada, energia elétrica e banheiro em Campina Grande, na Paraíba.
Durante décadas, Ricardo trabalhou na construção civil levantando casas para outras famílias. Há cerca de dez anos, começou a sentir tremores frequentes nas mãos e no corpo, sintomas que inicialmente atribuiu ao desgaste físico da profissão.
O diagnóstico de Parkinson veio apenas sete anos depois, quando a doença já comprometia sua capacidade de trabalhar. Sem conseguir exercer a profissão nem continuar recolhendo materiais recicláveis, que haviam se tornado sua principal fonte de renda, ele passou a depender de doações de alimentos e da ajuda de moradores da região para sobreviver.
Qual a rotina do ex-pedreiro que fez casa de pneus
Para cozinhar, Ricardo faz fogo a lenha entre pedras no chão. À noite, relata a presença de escorpiões, baratas e cobras que entram pelos espaços entre os pneus e a estrutura da residência.
Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), Ricardo recebe gratuitamente a medicação utilizada no tratamento do Parkinson. No entanto, afirma que frequentemente interrompe o uso dos remédios prescritos para ansiedade e depressão porque não consegue comprá-los.
Segundo ele, chegou a testar canabidiol por um curto período e percebeu melhora dos sintomas, mas o custo mensal do tratamento, de cerca de R$ 600, inviabilizou a continuidade.
Homem perdeu guarda dos filhos por más condições financeiras
Além das dificuldades financeiras, Ricardo afirma que a condição de extrema pobreza afetou sua vida familiar. Pai de quatro filhos, ele conta que perdeu a guarda das crianças quando elas ainda eram pequenas em razão das condições precárias em que a família vivia.
Apenas uma das filhas voltou ao seu convívio por decisão judicial e atualmente é criada pela avó paterna. Para tentar reverter o cenário, moradores e organizações sociais abriram uma vaquinha que visa doações a Ricardo. O objetivo é que ele possa seguir com tratamento de saúde adequado e receber um lar digno.


