Ele perdeu tudo depois de um golpe, dormiu nas ruas e hoje tem dois empregos para realizar um único sonho em SC

Golpe financeiro fez com que amazonense precisasse buscar formas de recomeçar a vida em São José, na Grande Florianópolis

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Amazonense trabalha durante o dia e usa o espaço para descansar durante a noite (Foto: Prefeitura de São José, Divulgação)

Amazonense trabalha durante o dia e usa o espaço para descansar durante a noite (Foto: Prefeitura de São José, Divulgação)

Um amazonense de 49 anos tinha o sonho de trabalhar como engenheiro civil, área em que se formou. A partir disso, ele escolheu Santa Catarina como lar para viver uma nova experiência de vida, aproveitando o registro profissional ativo e especialização em Pavimentação, Drenagem e Terraplanagem. No entanto, o homem, que prefere não ter o nome divulgado, viu os planos não darem certo e, hoje, tem como objetivo conseguir alugar uma kitnet em São José, na Grande Florianópolis.

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O homem mora, de forma temporária, na Casa Rosa, abrigo noturno mantido pela Secretaria de Assistência Social de São José. Quando chegou ao Estado, a vida parecia caminhar nos eixos: bastava um emprego na área de formação.

No entanto, um golpe financeiro fez com que o amazonense enfrentasse uma situação de vulnerabilidade extrema. Sem dinheiro, sem casa, e longe da família, o homem precisou dormir nas ruas por cerca de dois meses. Experimentou drogas e passou por situações que jamais achou que um dia enfrentaria.

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— Foi muito difícil, eu estava muito vulnerável. Nunca imaginei que passaria por isso. Mas tenho consciência que isso não faz parte da minha vida, que só tenho a perder — disse, em relato à Prefeitura de São José.

Veja fotos da Casa Rosa, espaço de acolhimento em São José

Dois empregos para pagar aluguel

No abrigo do executivo municipal da cidade que fica a 13km do Centro de Florianópolis, o homem vê uma oportunidade de mudar de vida. Isso porque, somente com o abrigo é que ele consegue trabalhar em dois empregos sem se preocupar em pagar aluguel.

De dia, ele trabalha em uma serralheria. Já aos finais de semana, trabalha como freelancer em um restaurante. É no abrigo que ele dorme, jantar, toma banho e coloca a cabeça no travesseiro para seguir firme no dia seguinte.

Economizando cada dia mais, o homem quer alugar uma kitnet nas próximas semanas e, assim, não depender mais do abrigo.

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— Foi muito difícil concluir a graduação. Sou de uma família de baixa renda e fui o primeiro da família a me formar. Eu gastei o que não tinha para ser engenheiro civil. Agora estou procurando me reerguer — disse.

Casa Rosa oferece apoio para quem precisa recomeçar

Com capacidade para atender 40 pessoas todas as noites, a Casa Rosa fica localizada no bairro Praia Comprida, com um custo mensal de R$ 70 mil para a Prefeitura de São José. Lá, são fornecidos alimentos, roupas de cama e banho, energia elétrica e água. No valor, também calcula-se o custo dos profissionais que atuam no local.

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No inverno, o local funciona também como um abrigo para as baixas temperaturas, com ampliação do espaço para mais 15 vagas.

A coordenadora da Casa Rosa, Janini Fernanda Gomes da Rocha Araújo, afirmou que metade das pessoas que são atendidas diariamente estão trabalhando atualmente.

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— Eles chegam aqui por volta das 19h e são acolhidos. Às 7 horas da manhã, quando o serviço se encerra, muitos vão atrás de emprego. Trabalham, juntam um dinheirinho e, quando conseguem se restabelecer, alugam um lugar para morar. Aí a gente vê essa evolução — destacou.

No local, não é permitida a entrada de pessoas sob efeito de álcool ou outras substâncias psicoativas, e os acolhidos devem respeitar os profissionais e os demais usuários do serviço, segundo o diretor da Alta Complexidade da Secretaria de Assistência Social, Guilherme Bosquetti Mateus. 

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Na pandemia de Covid-19, o espaço também serviu para que empresários pudessem se reestabelecer diante da difícil situação econômica enfrentada.

A Casa Rosa faz parte do atendimento da assistência social da Prefeitura de São José que, ao lado do Centro Pop, Abordagem Social e de outras duas casas de acolhimento institucional, funcionam como uma forma de acompanhar quem precisa de apoio para se reerguer diante das dificuldades. O Centro Pop oferece acompanhamento psicossocial, alimentação, higiene, informações sobre o Cadastro Único e orientações para acesso à documentação.