Duas cidades de Santa Catarina estão entre as 10 mais afetadas em todo o país pelo novo tarifaço dos Estados Unidos a produtos brasileiros. Joinville, na terceira posição do ranking, e Caçador, na décima, figuram entre as economias locais mais fortemente atingidas pela dupla taxação imposta pelo governo de Donald Trump.
O levantamento foi feito pelo jornal Estadão com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). O estudo, segundo a publicação, considera os 10 grupos de produtos brasileiros mais impactados pelas novas tarifas e as exportações registradas aos americanos em 2024, quando não havia tarifaço.
Neste recorte, Joinville contabilizou US$ 229,9 milhões em exportações aos Estados Unidos em 2024, atrás somente de Piracicaba (SP), com US$ 1,19 bilhão, e São Paulo (SP), com US$ 239,4 milhões, mostra o ranking.
Os americanos são o principal parceiro comercial estrangeiro da maior cidade catarinense. Em 2025, 16% das cargas que saíram de Joinville para o exterior partiram rumo ao país da América do Norte. Este percentual de volume se repetiu no primeiro semestre de 2026, mas com um valor de US$ 95 milhões, queda de 23,1%.
O tarifaço impacta principalmente a indústria metalmecânica de Joinville. Entre janeiro e junho deste ano, segundo dados do MDIC, 27,7% das exportações locais para os Estados Unidos foram de partes de motores, uma das expertises locais.
No caso de Caçador, quem sofre é a indústria madeireira. Em 2024, sem tarifaço, o município exportou US$ 176 milhões aos Estados Unidos. Já no primeiro semestre de 2026, o valor foi de US$ 57,2 milhões, conforme dados do MDIC, uma redução de 43,8% na comparação com o mesmo período de 2025. A pauta exportadora da cidade é basicamente centrada na madeira, um dos itens afetados pelas tarifas, com mais de 60% das vendas externas.
O tarifaço
Os Estados Unidos aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos comprados do Brasil, sob a alegação de práticas comerciais consideradas desleais – um dos alvos é o sistema de pagamentos Pix. Essa sobretaxa entrou em vigor na última quarta-feira (22).
Na última quinta (23) veio outra taxação, de 12,5%, a partir do argumento de que o Brasil falha em combater a importação de bens produzidos com trabalho forçado. Com isso, houve uma dupla taxação para alguns setores que chegou a 37,5%.
