Combo climático impulsiona El Niño e agosto chega com previsão de chuva frequente em SC

Trimestre deve ter chuva e temperatura acima da média, diz Fórum Climático catarinense

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Cheia em Blumenau (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

Agosto deve ser um mês com chuva e temperatura acima da média em Santa Catarina. A constatação foi feita por meteorologistas catarinenses na reunião do Fórum Climático nesta semana. Além da influência do El Niño, outros fatores devem contribuir para tornar os dias mais instáveis no Estado.

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O Fórum Climático é um grupo de meteorologistas que se reúne mensalmente para fazer a previsão do trimestre. Na mais recente delas, nesta quarta-feira (29), os profissionais analisaram diferentes modelos climáticos e constataram que o indicativo é de bastante chuva a caminho.

Isso porque, para além do El Niño, que já está configurado e, aos poucos, ganhando força, outros comportamentos oceânicos e atmosféricos estão favorecendo a formação de nuvens carregadas. Ou seja, agosto chega com um “combo” propício para dias cinzentos.

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Todas as regiões devem sentir esse impacto. Uma das características do El Niño também é de que a temperatura, no geral, fique acima da média não só em agosto, como em todo o próximo trimestre.

Inverno atípico

Normalmente, agosto é mais seco, com dias consecutivos de sol, mas neste ano a previsão é de mais nuvens e chuva. As frentes frias e os sistemas instáveis devem atuar com maior frequência e intensidade em Santa Catarina, trazendo temporais com raios, granizo e vendavais.

No trimestre, os ciclones extratropicais surgirão diferentes vezes entre o Litoral da Argentina, Uruguai e Sul do Brasil, o que acende o alerta também para embarcações, com ventos fortes e mar agitado, que podem resultar em ressacas.

Médias históricas de chuva em SC

Em agosto, a média de chuva varia de 110 a 190 mm no Oeste e Planalto e de 110 a 150 mm no Vale do Itajaí e Litoral. Em setembro e outubro começa a época de chuvas de primavera, com totais de precipitação mais elevados. Os totais de chuva em setembro variam de 150 a 210 mm no Oeste e de 110 a 170 mm nas demais regiões. Em outubro os volumes de chuva são os mais elevados do trimestre e variam de 210 a 280 mm no Oeste e de 140 a 180 mm nas demais regiões.

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El Niño

As chances do El Niño atingir a categoria “super” em 2026 é de 81%. A atualização das projeções, que é feita mensalmente pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Nooa), dos Estados Unidos, uma das principais instituições do mundo no monitoramento do fenômeno, reforçou neste mês que este pode ser um dos maiores El Niño da história. O pico, por enquanto, é esperado entre outubro e dezembro. O El Niño deve continuar em atuação ao menos até o outono de 2027.

“Há 81% de chance de um El Niño muito forte durante o período de outubro a dezembro, que estaria entre os maiores eventos de El Niño registrados historicamente desde 1950. Mesmo os eventos de El Niño mais fortes não levam ao impacto típico em todos os lugares, mas eventos mais intensos podem inclinar significativamente as probabilidades a favor dos resultados esperados”, cita o comunicado.

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O que o órgão quis dizer é que isso não significa os maiores estragos de todos os tempos para as regiões afetadas. Um El Niño forte apenas torna os impactos mais prováveis. Ou seja, no caso de Santa Catarina, onde as chuvas são frequentes na primavera e verão, as precipitações já estão mais intensas. Para que haja um grande desastre relacionado às precipitações, é preciso um combo entre El Niño e outros fatores climáticos e meteorológicos, explicam profissionais da área.

Entenda o El Niño em 10 passos

Super El Niño é incomum, mostram dados históricos

O El Niño nada mais é do que o nome dado ao aquecimento das águas superficiais de um trecho do Oceano Pacífico, perto do Peru. Oficialmente não existe a classificação de “super El Niño”, mas o termo é usado popularmente quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa os 2°C acima da média, patamar considerado elevado e pouco comum, explica o meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Caio Guerra.

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Para se ter uma ideia, desde 1950, dos 25 episódios de El Niño, cinco tiveram registros acima dos 2ºC, mostram dados da Noaa. O que o levantamento também indica é uma diminuição no intervalo de El Niños de forte intensidade.

Entre a metade do século passado e meados do atual, foram mais de 10 anos entre um “super El Niño” e outro. Na história recente, esse tempo caiu para oito anos. E agora, se de fato o próximo aquecimento ficar acima dos 2ºC, a “pausa” será de menos de cinco anos.