Casal de SC larga carreira, muda para sítio e transforma sonho de queijos artesanais em negócio premiado internacionalmente

Estabelecimento irá participar do Worf Cheese Awards, o maior concurso internacional dedicado exclusivamente a queijos no mundo

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Queijaria irá participar do Worf Cheese Awards (Foto: Arquivo pessoal)

Daiani de Bem Borges, de 48 anos, é farmacêutica bioquímica e decidiu criar uma queijaria em Florianópolis após uma viagem transformadora até São Paulo. Os queijos do Boca da Serra já foram premiados em concursos do estado e devem concorrer em uma premiação internacional em novembro, na Espanha.

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Formada pela Universidade Federal de Santa Catarina, Daiani trabalhou como farmacêutica por 14 anos até decidir mudar. A paixão pela saúde e a busca por uma alimentação saudável também contribuíram para a decisão.

Foi em 2019 que Daiani teve a oportunidade de fazer cursos e participar de vivências sobre a produção de queijos artesanais.

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“Visitei algumas queijarias na Serra da Canastra e no interior de São Paulo. Quando eu conheci as queijarias do Caminho dos Queijos Artesanais Paulistas, me apaixonei pelo que vi. Eu vi nessas pequenas queijarias artesanais o desenvolvimento de um trabalho genuíno, que valoriza e respeita as características naturais daquela região conferindo aos seus produtos uma identidade própria. Na ocasião falei comigo mesma: Nossa que projeto legal, quero levar isso para Santa Catarina” disse a profissional, em conversa com o NSC Total.

Depois dessa visita, Daiani uniu essa vontade com a sua admiração pela saúde.

“Sempre procurei ter uma alimentação saudável, sempre valorizei a produção de alimentos de verdade, minimamente processados, sem o uso de aditivos químicos” disse.

Casal investiu em sonho

Foi em 2020 que, em plena pandemia, Daiani e seu marido, Ricardo Bruggmann Muhle, venderam a casa, mudaram de cidade e foram morar em um sítio na Serra do Mar, em Águas Mornas, para realizar o sonho da antiga bioquímica de montar uma queijaria artesanal.

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Segundo Daiani, o marido Ricardo, de 48 anos, sempre ajudou no negócio. Engenheiro sanitarista, Ricardo é o responsável pela estação de tratamento de esgoto que reaproveita o soro para geração de biogás, utilizado na própria queijaria, e de biofertilizante, usado na propriedade.

O engenheiro não se envolveu com a produção dos queijos, mas é ele que busca o leite utilizado na produção, fabricado por um fornecedor local.

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“Nós compramos leite de um pequeno produtor da região. O leite é coletado na hora da ordenha e processado assim que chega na queijaria. Os queijos são produzidos com leite de vacas Jersey criadas a pasto. Para comprar o leite, fomos atrás de um produtor responsável e preocupado com o bem estar animal, com as boas práticas de higiene e com o meio ambiente” disse Daiani.

Queijaria irá participar de concurso internacional

Em 2024, a queijaria Boca da Serra conseguiu o Selo Arte para três dos cinco queijos produzidos através do Serviço de Inspeção do município de Florianópolis e com o apoio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), permitindo a comercialização para todo o Brasil.

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Atualmente, o estabelecimento tem cinco queijos autorais registrados que já conquistaram várias premiações em concursos estaduais, nacionais e até internacionais.

Em julho, a queijaria participou do concurso Prêmio Queijo Brasil em Blumenau. A marca alcançou o pódio com três queijos: o queijo “Maciambu” ganhou prata, o “Parmerino” ganhou ouro e o “Catarina” recebeu Bronze. O prêmio é o o maior concurso nacional dedicado a valorizar, desenvolver e premiar queijos e produtos lácteos artesanais brasileiros.

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“Participar de eventos como o Prêmio Queijo Brasil é sempre uma expectativa muito grande e uma grande emoção. Tem muita dedicação e comprometimento envolvidos na produção dos queijos. Mais do que medalhas, as premiações são um indicativo de que estamos trilhando o caminho certo” diz Daiani.

Além disso, a queijaria também irá participar do Worf Cheese Awards, o maior concurso internacional dedicado exclusivamente a queijos no mundo, em novembro na Espanha. Essa é a segunda vez que o estabelecimento participa do concurso.

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“Nós participamos do Worf Cheese Awards pela primeira vez no ano passado. Eu nem me imaginava participando de um concurso tão grande como esse, concorrendo com outros queijos de todo o mundo tão cedo (…) Para a nossa surpresa, nosso queijo Serramar ganhou medalha de prata na Suíça. Esse ano o concurso vai ser na Espanha, em novembro, e pretendemos mandar dois queijos para o concurso. Vamos cruzar os dedos e torcer para que nossos queijos sejam novamente premiados internacionalmente” afirma Daiani.

No World Cheese Awards, os vencedores não recebem prêmios em dinheiro. O foco do concurso é o reconhecimento de mercado, o prestígio e a valorização comercial do produto.

Saiba mais sobre a queijaria

70 km de Florianópolis, a queijaria artesanal Boca da Serra é localizada no Morro do Cedro, na divisa do município de Águas Mornas com Rancho Queimado. O objetivo dos criadores do estabelecimento é desenvolver queijos diversos.

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“Nosso objetivo é desenvolver queijos com identidade própria, que valorizem as características locais e naturais na região no qual estamos inseridos, com respeito ao meio ambiente. Buscamos o equilíbrio entre o novo e o tradicional nas técnicas e métodos empregados para elaboração dos nossos queijos. Acreditamos que há muita ciência no saber fazer e para não se perder nessa busca é necessário estar sempre atento à essência de cada produto” disse Daiana.

Conheça os queijos

Floripano – Queijo semiduro, sabor suave, adocicado, com notas de amêndoas e aroma envolvente. Massa lisa, compacta, podendo ter pequenas olhaduras. Casca natural, maturado 30 dias no mínimo. Seu nome é uma homenagem a região serrana da Grande Florianópolis, local onde é produzido.

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Premiações

  • Bronze (VI Prêmio Queijo Brasil) – 2023;
  • Ouro (VII Prêmio Queijo Brasil) – 2024;
  • Bronze (II Concurso de Queijos Artesanais Catarinenses) – 2024;
  • Ouro (VII Prêmio Queijo Brasil) – 2025.

Maciambu Queijo macio com casca fina e alaranjada, recoberta por uma fina e irregular camada de mofo branco que cobre uma massa cremosa e amanteigada. Seu nome revela o principal traço de sua personalidade e é fruto da homenagem a um rio da região que tem sua nascente e foz dentro do Parque da Serra do Tabuleiro em Santa Catarina.

Premiações 

  • Bronze (VI Prêmio Queijo Brasil) – 2023;
  • Ouro (I Concurso de Queijos Artesanais Catarinenses) – 2023;
  • Prata (VII Prêmio Queijo Brasil) – 2024;
  • Ouro (II Concurso de Queijos Artesanais Catarinenses) – 2024;
  • Ouro (VII Prêmio Queijo Brasil) – 2025.

Serramar – Queijo de massa lisa, amanteigada. Seu sabor lembra creme de leite fresco, com notas de caramelo e um dulçor cítrico. Maturação mínima 60 dias.

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Premiações

  • Super ouro (3° Mundial do Queijo do Brasil) – 2024;
  • Ouro (II Concurso de Queijos Artesanais Catarinenses) – 2024;
  • Bronze (VII Prêmio Queijo Brasil) – 2025;
  • Prata (Word Cheese Awards 2025-26, em Bern na Suíça)  – 2025.

Catarina – Queijo de coagulação lática, massa untuosa e espalhável, sabor levemente ácido e adocicado. Seu nome é uma homenagem ao Estado de Santa Catarina. Queijo registrado em 2025, ainda não conquistou nenhuma medalha.

Parmerino – Queijo de massa cozida prensada, produzido a partir de uma mistura de leite integral de vaca com leite de ovelha. Sua casca é natural rústica, sua massa é lisa, fechada, e possui aroma envolvente e adocicado. Seu sabor é complexo e preenche a boca de forma agradável e persistente. A inspiração veio dos queijos duros italianos, mas com um toque autoral.