Fotos mostram como era para ser complexo de luxo de frente para o mar que virou “pesadelo” em Florianópolis

Realidade do local conta com uma estrutura de concreto inacabada e abandonada

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Realidade do local conta com uma estrutura de concreto inacabada e abandonada (Foto: Redes sociais, Reprodução / Morgana Fernandes, NSC TV)

A construção de um complexo de luxo de frente à Praia dos Ingleses, em Florianópolis, está com as obras paralisadas desde 2023. Nas redes sociais, imagens divulgadas mostram como era o projeto antigo da construção.

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O empreendimento pretendia criar mais de 350 quartos de hotel400 vagas de estacionamento e um shopping com 100 lojas. Entretanto, a realidade do local conta com uma estrutura de concreto inacabada e abandonada.

As obras estão paradas desde junho de 2023, quando o plantão de vendas foi fechado definitivamente. Compradores que adquiriram cotas compartilhadas ou investiram na cooperativa relatam prejuízos, que chegam a até R$ 200 mil por investidor.

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A situação levou o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) a instaurar, na última semana, uma notícia de fato, registro que pode resultar, entre outras alternativas, na abertura de um inquérito, para apurar o atraso na entrega. Além disso, o alvará de construção do empreendimento junto à prefeitura está vencido, segundo o g1.

Projeto tinha venda com cotas compartilhadas

A proposta do projeto combinava o modelo de cooperativa, que envolvia proprietários dos terrenos, fornecedores e cerca de 140 cooperados, com a venda de cotas compartilhadas, formato em que o comprador pode usar o imóvel em períodos definidos do ano, sem ter a titularidade da propriedade.

Veja fotos do projeto e do local

Obra deu prejuízo para compradores

A modalidade cooperativa, com vendas de cotas compartilhadas, chamou atenção de investidores e compradores de diversas regiões do país. Entre eles, o empresário gaúcho Otávio Borba, que comprou três cotas no final de 2021 e investiu mais de R$ 21 mil antes de suspender as parcelas.

“Eu nunca tinha ouvido falar em morada compartilhada. Achamos que era um investimento legal e até hoje nós não tivemos retorno nenhum mais”, relatou o empresário ao g1.

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A professora Janaína de Sousa Alves, moradora de São Paulo, também relatou perdas ainda maiores. Ela adquiriu cinco cotas em 2020, que somam quase R$ 200 mil.

“Foram R$ 200 mil que nós perdemos. Florianópolis é uma cidade muito atrativa. Uma das coisas que a gente nem pensou foi: ‘Ah, é uma coisa que não vai dar certo.’ A gente nunca pensou nisso. Até por ser uma cidade turística, atrativa e o local bonito, acabamos acreditando”, disse.

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Queixas e processos contra as empresas

Após o abandono da obra, relatos de prejuízo cresceram nas redes sociais e em fóruns de consumidores.

A empresa JC Compra e Venda de Imóveis Ltda, uma das cooperadas, e a JC Compra e Venda de Imóveis SCP Centrinho dos Ingleses, dona de parte da obra, somam quase 800 ações judiciais em primeiro e segundo graus, figurando como réus na maior parte dos processos, segundo o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

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Além disso, há dezenas de registros em plataformas de reclamações na internet. No Procon de Florianópolis, 11 processos estão abertos contra os responsáveis pelo projeto.

O que dizem as empresas

Procurado para esclarecer os motivos da interrupção das obras, Júlio De David, sócio proprietário da JC Compra e Venda de Imóveis, informou ao g1 que as dificuldades financeiras começaram há quatro anos.

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“A obra sofreu um problema de falta de recurso pós-pandemia e tudo mais. Não conseguia mais vender, houve um problema de venda e a obra teve que ser parada. Ela tinha também um fundo de São Paulo que investia no momento, que passou por uma certa dificuldade. Nós imaginávamos na época que a obra ia ficar parada por uns 90 dias, mas o que acabou acontecendo é que, nesse tempo, algumas pessoas entraram na Justiça, o que atrapalhou todo o processo”, alegou De David.

Segundo o empresário, o plantão de vendas e as portas do empreendimento foram fechados em junho de 2023, quando a empresa passou a buscar novos investidores no mercado.

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A direção da JC Compra e Venda de Imóveis afirmou que negocia com uma nova empresa investidora a entrada no negócio para viabilizar a retomada das obras. A proposta deve alterar a estrutura jurídica do empreendimento, transformando o modelo atual de cooperativa em uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) incorporada, sob nova gestão.

Segundo David, cerca de 99% do pacote de acordo para essa transição já está alinhado, e uma assembleia com os cooperados deve ocorrer nas próximas semanas para definir o cronograma oficial de pagamentos e reinício dos trabalhos.

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Investidores que desejam o ressarcimento de valores ou esclarecimentos devem entrar em contato pelo e-mail centrinho@jccompraevenda.com. Segundo a empresa, cada caso será tratado individualmente.