Incêndios atingem milhares de hectares em Mato Grosso e cercam rebanho de 250 animais

Mato Grosso registrou 137 focos de calor em 24 horas, sendo 50 deles em terras indígenas

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Incêndios florestais (Foto Divulgação Cropo de Bombeiros)

Incêndios florestais (Foto: Divulgação Cropo de Bombeiros)

Incêndios florestais avançam por diferentes regiões de Mato Grosso, atingem milhares de hectares de vegetação e já causam problemas de saúde, danos à rede elétrica e prejuízos a propriedades rurais. Uma das situações mais críticas ocorre em Nova Santa Helena, no norte do Estado, onde 15 mil hectares já foram atingidos pelas chamas e o município chegou a liderar a lista nacional de focos de calor registrados nas últimas 48 horas.

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Em outro ponto do Estado, em Paranatinga, um alerta elaborado a partir de fontes de satélite classifica a ocorrência como incêndio grave e estima em 373 quilômetros quadrados — o equivalente a 37,3 mil hectares — a área queimada.

Nesta sexta-feira (7), o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBMMT) combatia cinco incêndios florestais, localizados nos municípios de Nova Santa Helena, Paranatinga, Novo São Joaquim, Rosário Oeste e Juara.

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No norte do Estado, as chamas atingem uma área de assentamento localizada na divisa entre Marcelândia, Cláudia e Nova Santa Helena. Segundo os bombeiros, grande parte do incêndio está concentrada em uma área federal, enquanto as equipes trabalham para impedir que o fogo avance para novas áreas estaduais e para extinguir os focos ativos.

As altas temperaturas durante a tarde, a baixa umidade relativa do ar e os ventos fortes contribuem para o avanço das chamas, que já atingiram áreas de reserva e propriedades rurais.

Fumaça provoca problemas de saúde

As consequências dos incêndios também são sentidas pelos moradores. Em Cláudia, a fumaça tomou conta da região e reduziu a visibilidade. Em um assentamento rural entre o município e Nova Santa Helena, onde vivem cerca de 300 pessoas, houve aumento na procura por atendimento no posto de saúde nos últimos dias.

Segundo profissionais da unidade, moradores têm apresentado alergias, falta de ar e dores de cabeça em razão da grande quantidade de fumaça.

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O fogo também chegou perto de residências. Árvores queimadas caíram sobre uma estrada e arrancaram parte da fiação elétrica. A cozinheira Lidiane Rodrigues Vieira estava em casa com a mãe e as filhas quando as chamas avançaram sobre o capim próximo à residência.

“A minha mãe e a minha menina já entraram gritando: ‘Mãe, está pegando fogo, está pegando fogo’. Não entendi nada. Quando saí aqui, já estava pegando aqui no capim”, relatou.

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Produtores tentam salvar animais

Nas propriedades rurais, o fogo também provoca prejuízos. O agricultor Luiz Lemos Martins tenta resgatar 250 cabeças de gado cercadas pelas chamas e teme as consequências da destruição das áreas de pastagem durante os próximos meses.

“E agora não sei mais o que fazer, não tem mais o que fazer. Não sei nem estimar o prejuízo que nós vamos ter aí. Ainda tem três meses para chover ainda, é complicado”, afirmou.

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Para conter o avanço das chamas na região entre Marcelândia, Cláudia e Nova Santa Helena, a operação reúne viaturas, aeronaves, brigadistas, equipes da Força Nacional e máquinas cedidas por produtores rurais. Até esta sexta-feira, as aeronaves haviam lançado 21 mil litros de água sobre os focos do incêndio.

Mato Grosso registra 137 focos de calor em 24 horas

Mato Grosso registrou 137 focos de calor nas últimas 24 horas, segundo dados do Programa BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), consultados às 17h desta sexta-feira.

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Do total, 79 focos foram identificados no Cerrado, 56 na Amazônia e dois no Pantanal. Outros 50 focos foram detectados em terras indígenas do Estado.

A maior concentração ocorreu na Terra Indígena Parabubure, em Campinápolis, com 16 focos, seguida pela Terra Indígena Sangradouro/Volta Grande, em General Carneiro, com 12. Também houve registros em terras indígenas de Paranatinga, Gaúcha do Norte, Nova Nazaré, Santo Antônio do Leste, Barra do Garças e Ribeirão Cascalheira.

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Os números de focos de calor, no entanto, não representam necessariamente a quantidade de incêndios florestais. O foco de calor indica uma área com temperatura elevada detectada por satélite, que pode ou não estar associada à ocorrência de fogo.

Além dos cinco incêndios florestais em combate, o Corpo de Bombeiros informou que também monitora focos de calor decorrentes de queimadas ilegais em outros dois municípios de Mato Grosso.