Especialista em longevidade: “Usar fones de ouvido Bluetooth é como por um micro-ondas na cabeça”

A frase do médico e influencer mexicano Patricio Ochoa viralizou nas redes sociais e reacendeu o debate sobre a segurança dos fones sem fio

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fones de ouvido bluetooth radiação (8)

O risco real dos fones não é por ser Bluetooth mas sim pela perda auditiva por volume alto. (Foto: Reprodução, Pexels)

O médico mexicano e especialista em longevidade Patricio Ochoa causou polêmica nas redes sociais ao comparar o uso do fone de ouvido Bluetooth ao funcionamento de um forno micro-ondas. Em um post no Instagram, Ochoa escreveu: “usar fones Bluetooth é como colocar um micro-ondas na cabeça”, frase que bastou para transformar o assunto em debate científico e preocupação sobre os riscos.

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A comparação não se sustenta cientificamente e para muitos foi uma espécie de alarmismo do médico. Tanto a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) quanto a Organização Mundial da Saúde (OMS), além de outros organismos internacionais, afirmam que a radiação dos aparelhos Bluetooth homologados fica muito abaixo dos limites de segurança. No entanto, os especialistas desses órgãos confirmam que o maior risco de fones de ouvido não é a radiofrequência e sim o volume que a pessoa escuta e o tempo em que fica com o fone na cabeça.

Ochoa, que tem quase 1 milhão de seguidores, disse que tanto os fones de ouvido e o forno micro-ondas utilizam ondas eletromagnéticas, mas também deixou claro que a radiofrequência não é a mesma em ambos. O médico disse que enquanto o micro-ondas precisa de muita potência para aquecer alimentos, os fones de ouvido precisam de menos porque são usados em curta distância.

Para os órgãos oficiais de saúde e telecomunicações, no Brasil e também em outras partes do mundo, os fones Bluetooth operam com potências centenas e até milhares de vezes menores que um forno micro-ondas doméstico, e que há pesquisas e evidências de décadas de estudos que provam que não há nenhum tipo de dano cerebral por usar esse tipo de aparelho.

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Isso não significa que não existam riscos reais no uso de fones de ouvido. Existem. Mas eles têm outra origem: o volume alto e o tempo prolongado de uso podem causar perda auditiva induzida por ruído (PAIR), uma condição irreversível que já preocupa especialistas em saúde auditiva pelo aumento entre jovens e adolescentes.

Quem é Patricio Ochoa

Antes de qualquer análise, vale contextualizar a fonte. Patricio Ochoa é médico cirurgião formado pela Universidade Anáhuac Norte, no México, com cédula profissional 12628961 registrada nas autoridades mexicanas. Ele fez mestrado em longevidade e antienvelhecimento pela Universidade de Barcelona e um fellowship em medicina funcional pelo Institute for Functional Medicine (IFM), dos Estados Unidos.

Ochoa é uma figura conhecida das redes sociais na América Latina, com cerca de 1 milhão de seguidores no Instagram e forte presença em podcasts e conferências sobre longevidade. Sua comunicação é orientada por medicina funcional e biohacking, campos ainda controversos dentro da medicina tradicional e não plenamente reconhecidos como especialidades pelos conselhos médicos brasileiros ou internacionais.

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Ter formação médica não isenta uma afirmação da necessidade de comprovação científica. E, no caso da comparação com micro-ondas, a evidência atual disponível não apoia a analogia feita pelo influencer.

O que fazer, no fim das contas

Para quem usa fones Bluetooth regularmente, a mensagem prática pode ser resumida assim:

  • Não é preciso temer a radiofrequência de fones Bluetooth certificados. As evidências científicas e regulatórias atuais não apoiam essa preocupação
  • É preciso, sim, cuidar do volume e do tempo de uso. Seguir a regra 60/60 (60 minutos usando e 60 minutos sem) é uma boa base
  • Verifique se o produto tem selo da Anatel, garantia de que passou pelos testes de segurança brasileiros
  • Se você sente zumbido, redução súbita da audição ou dificuldade em compreender conversas em ambientes ruidosos, procure um otorrinolaringologista para avaliação
  • Não substitua orientação médica por vídeos virais de redes sociais, ainda que assinados por profissionais com boa formação

A tecnologia dos fones sem fio é útil, prática e, quando homologada e usada com moderação, segura. A preocupação com efeitos térmicos ou “aquecimento cerebral” não tem respaldo na literatura científica atual. Já o cuidado com o volume que você escolhe todos os dias tem, sim, consequências reais para os próximos 30, 40 ou 50 anos da sua vida.

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Cuide da sua audição. Ela é o único par de ouvidos que você tem, e a ciência já sabe o suficiente para dizer que não é o Bluetooth que a coloca em risco.