Empresa de móveis de SC tem falência decretada após 55 anos de história e dívida de R$ 133 milhões

Empresa estava com a produção paralisada desde maio; Justiça determinou o levantamento, avaliação e venda dos bens para pagamento dos credores

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A Três Irmãos, indústria de móveis em SC, ocupou um importante espaço no mercado (Foto: Divulgação)

A tradicional empresa de móveis, a Três Irmãos, que iniciou as operações em 1971, Campo Alegre, teve falência decretada pela Justiça. A decisão foi assinada pelo juiz nesta segunda-feira (10) que solicitou a expedição de um mandado para lacrar a fábrica e as filiais. As empresas estavam sem produzir desde maio, segundo a sentença. Também foi apontado uma dívida de aproximadamente R$ 133 milhões, valor que pode ser ainda reavaliado.

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Além disso, a Recupere, Administradora Judicial do processo, recebeu ordem para arrecadar os bens e documentos da empresa, inventariá-los, avaliá-los e posteriormente vendê-los. Um leiloeiro ainda deverá ser indicado. O pedido de recuperação judicial da Três Irmãos iniciou ainda em 2024. A empresa apontou um cenário cenário desfavorável para o comércio exterior que se iniciou desde 2021, marcado por influências da COVID-19 e também pela queda nas vendas para o exterior, incluindo para destinos como os Estados Unidos.

Ainda não há valores exatos acerca de quantos funcionários foram desligados e se ainda há funcionários ativos na empresa. A Recupere informou ao NSC Total que, até abril, havia cerca de 301 funcionários, entre ativos e afastados, considerando a unidade de Caçador e a matriz em Campo Alegre. A administradora aponta que os dados são do Relatório Mensal de Atividades de abril.

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Veja foto da Três Irmãos, indústria de móveis em SC

O que levou o juiz a decretar falência

O pedido de falência havia sido pedido pelo MP em junho de 2026. Ao ser analisado pelo juiz, ele alegou alguns fatores, entre eles o descumprimento de obrigações assumidas no plano de recuperação judicial. Conforme a sentença, ficou configurado o inadimplemento de credores (com saldos em aberto de aproximadamente R$ 210.318,13 e € 175.581,42), além da falta de comprovação da destinação de cerca de R$ 3,25 milhões obtidos com a alienação de ativos anteriormente homologados.

Também descumprimento de parcelamentos fiscais. A empresa teve três parcelamentos de ICMS cancelados pelo Estado de Santa Catarina devido ao atraso de três ou mais cotas, além de apresentar inadimplementos perante a Receita Federal.

Além disso, o documento aponta o “esvaziamento patrimonial”. Esse esvaziamento foi comprovado pela retirada acelerada e sem autorização judicial de maquinários de grande porte da sede da empresa, pela paralisação total das atividades produtivas desde 14/05/2026 e pela situação de abandono da matriz.

Quais os próximos passos?

Deve ser expedido, com urgência, um mandado para lacrar o estabelecimento empresarial e suas filiais (em Campo Alegre/SC e Caçador/SC) para preservar os bens. O oficial de justiça realizará a diligência acompanhado pela Administração Judicial.

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Além disso, deverá ser feita uma busca para rastrear possíveis bens, para que se realize o bloqueio deles, como imóveis, equipamentos e outros.

A Administração Judicial, a Recupere, terá 60 dias, após assumir formalmente a função na falência, para apresentar um plano detalhado de realização dos ativos. Esse plano deverá prever uma estimativa de tempo não superior a 180 dias para a realização dos bens. Precisará apresentar, em até 40 dias da assinatura do termo, um relatório apontando as causas da quebra e as responsabilidades civil e penal dos envolvidos.

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Já a Três Irmãos terá que, em cinco dias, no prazo de 5 dias, a relação de credores em formato de planilha eletrônica. Se não fizer isso, será usada a relação já elaborada pela Administração Judicial. Os credores terão 15 dias para contestar os valores apresentados. Por isso os R$ 133 milhões podem ser alterados.

Histórico da empresa

A história da tradicional indústria de móveis em SC começou em 1971, em Campo Alegre, no Planalto Norte, com uma pequena marcenaria familiar dedicada à fabricação de carroças. Com o passar dos anos, o negócio passou a produzir móveis de madeira maciça para o mercado brasileiro, como mesas, cadeiras e oratórios entalhados à mão.

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A Três Irmãos foi crescendo e ocupou um importante espaço no mercado de móveis, principalmente ao fazer a primeira exportação para a multinacional sueca IKEA, líder global no setor de móveis, em 2009.

A expansão prosseguiu em 2016, com a aquisição de uma unidade industrial em Caçador. A planta chegou a processar cerca de 15 mil toneladas de madeira por mês e recebeu investimentos em automação, máquinas, sistemas de gestão e controle de qualidade.

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Em 2020, a empresa também inaugurou um parque industrial de mais de 16 mil metros quadrados em São Bento do Sul, mas a unidade foi fechada em maio de 2023. A fábrica também chegou a empregar cerca de 500 funcionários diretamente na sua empresa e também indiretamente incluindo os processos e a cadeia de produção.

Motivo da crise

Três fatores foram apontados como motivos para crise:

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  • Crise na logística internacional em 2021, influenciado pela pandemia;
  • Redução nas vendas e aumento de juros nos últimos anos;
  • Aumento da matéria prima e aumento do transporte/logística;

Segundo o plano de recuperação judicial, a crise da Três Irmãos começou a se aprofundar em 2021, com os impactos da pandemia sobre a logística internacional. A falta de contêineres, os atrasos nos portos e a escassez de matérias-primas elevaram os custos de produção e dificultaram o atendimento dos pedidos destinados à exportação.

O documento aponta que o transporte marítimo de um contêiner chegou a custar cerca de US$ 10 mil, valor sete vezes superior ao registrado antes da pandemia. Sem espaço para armazenar os móveis prontos e diante das dificuldades para embarcar as mercadorias, a empresa chegou a suspender temporariamente a produção.

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Entre o fim de 2022 e 2023, o cenário foi agravado pela redução das vendas externas e pelo aumento dos juros. Conforme dados citados no plano, as exportações de móveis de Santa Catarina caíram 27,7% em 2023, na comparação com o mesmo período de 2022. A alta no preço da madeira, do MDF, de ferragens, colas, vernizes, energia, combustíveis e transportes também comprometeu o caixa e a competitividade da indústria.

Desta forma, a combinação desses fatores teria reduzido a capacidade da empresa de gerar receita e pagar suas obrigações, levando à necessidade de renegociar as dívidas e realizar ajustes operacionais por meio da recuperação judicial, que agora aguarda decisão da Justiça e pode ser convertida para falência.

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A reportagem do NSC Total tenta contato com a Três Irmãos para manifestação sobre o processo. O espaço segue aberto.