Fóssil mostra que interior de São Paulo há 75 milhões de anos era habitado por serpentes capazes de escavar a terra

Descoberta em São Paulo, espécie viveu há mais de 75 milhões de anos e revela a diversidade das primeiras serpentes

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Fóssil da Tametara mirim, serpente que viveu há mais de 75 milhões de anos e era adaptada à vida subterrânea (Foto: William Nava/ Jornal USP)

Imagine caminhar pelo interior de São Paulo e estar sobre uma área que, há mais de 75 milhões de anos, era habitada por serpentes com hábitos muito diferentes dos atuais. Foi justamente nesse cenário que pesquisadores encontraram um fóssil capaz de acrescentar uma nova peça ao quebra-cabeça da evolução desses répteis.

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A espécie, batizada de Tametara mirim, chama atenção principalmente pelo modo de vida. Diferentemente de uma serpente simplesmente adaptada a circular pela superfície, ela apresentava características associadas à vida subterrânea e era capaz de escavar o solo.

A descoberta foi feita por uma equipe internacional de pesquisadores, com participação da Universidade de São Paulo (USP), e descrita em artigo científico publicado na revista Nature.

O que o fóssil de serpente revela

A principal contribuição da descoberta está em mostrar que as serpentes primitivas já apresentavam uma diversidade ecológica maior do que se imaginava.

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A Tametara mirim viveu em um período em que diferentes tipos de serpentes compartilhavam os mesmos ambientes, mas podiam ocupar espaços completamente distintos dentro dos ecossistemas.

Enquanto algumas espécies estavam associadas à superfície, a nova espécie apresentava uma adaptação marcante para viver debaixo da terra.

Esse comportamento ajuda os pesquisadores a compreender melhor como diferentes características foram surgindo e se consolidando ao longo da evolução das serpentes.

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Uma serpente adaptada para viver no subsolo

A capacidade de escavar é um dos aspectos mais interessantes da Tametara mirim. Viver abaixo da superfície exige adaptações específicas, já que o animal precisa se deslocar em espaços estreitos e enfrentar condições muito diferentes das encontradas em ambientes abertos.

Por isso, o fóssil oferece mais do que uma informação sobre a aparência de uma serpente antiga. Ele também funciona como uma pista sobre o comportamento e o ambiente em que esses animais viviam.

A descoberta indica que a exploração do subsolo já fazia parte da diversidade ecológica das serpentes há dezenas de milhões de anos.

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O que isso muda na história das serpentes

A evolução das serpentes não aconteceu de maneira linear, como se todas as espécies antigas tivessem seguido o mesmo caminho até chegar aos animais conhecidos atualmente.

O fóssil encontrado na cidade de Presidente Prudente, em São Paulo, e reforça justamente uma visão mais complexa desse processo.

Há mais de 75 milhões de anos, serpentes primitivas já podiam apresentar diferentes estratégias para sobreviver e explorar os ambientes disponíveis.

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Algumas ocupavam a superfície, enquanto outras, como a Tametara mirim, estavam adaptadas a uma vida subterrânea.

Essa diversidade ajuda a explicar como os répteis foram ocupando diferentes nichos ecológicos ao longo do tempo.

Por que uma descoberta no Brasil é importante?

O território brasileiro guarda registros importantes da vida existente durante períodos muito antigos da história do planeta.

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Nesse contexto, encontrar uma espécie de serpente com características tão específicas contribui para ampliar o conhecimento sobre os ecossistemas que existiam na região há milhões de anos.

Além disso, fósseis como o da Tametara mirim permitem que pesquisadores reconstruam não apenas quais animais existiam, mas também como eles interagiam com o ambiente.

O registro encontrado no interior de São Paulo, portanto, ajuda a transformar uma pequena evidência preservada em rocha em uma janela para um mundo que desapareceu há milhões de anos.

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