Quem entra pela porta do AP Café Retrô é atingido pelo aroma doce das sobremesas, recém saídas do forno, que recheiam a vitrine. Para onde se olha, as paredes estão repletas de recados deixados pelos clientes em post-its coloridos, que vão do chão ao teto. O que eles não sabem, no entanto, é que o casal que comanda uma das cafeterias mais queridinhas de Joinville precisou lidar com uma quase falência e reerguer o negócio que, agora, é famoso pelos vulcões de chocolate.
Quando ainda era sócio de um famoso pub da cidade, localizado no Centro, bem em frente a um shopping, Kristhian Westphal Lenoch conheceu sua atual esposa, Eliana Gabriela, ou “Gabi”, para ele. Por questões pessoais, o empreendedor resolveu trocar de ramo e sair do setor de bares noturnos para abrir uma padaria.
A mudança uniu a criatividade dele com a formação em administração da esposa. “A teoria era essa. Era linda, perfeita, mas na prática a gente viu que os desafios foram maiores”, conta Gabi.
Veja fotos que mostram a história do AP Café Retrô em Joinville
De sócio de pub de sucesso a proprietário de padaria que quase faliu
Cucas, chineques e pães. No início, em 2013, o negócio funcionava como uma panificadora comum na Rua Ministro Calógeras, contando com os clássicos pedidos dos joinvilenses, mesmo que a ideia inicial fosse criar uma cafeteria em um conceito mais “disruptivo”.
Entretanto, com o tempo, o local, que abria apenas de segunda a sexta-feira com uma equipe de 16 pessoas, passou a dar mais prejuízo do que lucro. Em 2014, foram meses de esforços conjuntos do casal, que transformava a mesa de casa em um escritório improvisado no “tempo livre”.
Somado a isso, ambos não se sentiam conectados ao modelo exaustivo de padaria. Em situações específicas, eram os dois que se dividiam sozinhos no funcionamento. “Eu fazendo o suco lá atrás, atendendo no balcão, levando na mesa, o Kris cobrando no caixa, limpando mesa… Foi uma loucura”, explica Gabi.
“Eu sempre gostei da decoração, do engajamento e da atmosfera, sabe? E bom, deu que motivou a mudança, da transição para uma cafeteria. A gente ficou sem dinheiro, sem caixa, quase praticamente falido”, lembra Kristian. “Um certo dia eu falei para a minha esposa: ‘Chega, não dá, vamos tentar transformar naquilo que era o primeiro plano, que era ser um café´”, completa.
Como a primeira versão do AP Café Retrô surgiu
A transição não foi fácil no começo, conta o casal. Móveis e outros objetos de decoração foram encontrados jogados em caçambas. “Por incrível que pareça, eu e a Gabi começamos a catar coisas literalmente na rua, em construções. Nós parávamos em frente de casas que tinham aquelas caçambas, de reforma. A gente via cadeiras, mesas, tapetes. Nós pegávamos tudo sujo, lavava, lixava, pintava”, afirma.
Com o apoio de amigos e após um período de reforma na antiga padaria, nasceu o Amigo Paul Empório Casa de Pães. O nome fazia alusão ao apóstolo Paulo, já que Kristian criou uma grande conexão com a sua fé durante o processo. O casal, inclusive, permaneceu junto mesmo enfrentando dificuldades na parceira, provocada, principalmente, segundo eles, pelas discordâncias no modo de gerir o negócio.
“A gente já não tinha muito que perder na época, porque a gente praticamente perdeu tudo. Não perdemos a fé, nem o nosso casamento. Era isso que a gente precisava. (…) Eu sempre falo que há muito da graça de Deus no nosso negócio e na nossa vida, né?”, destaca.
Amigo Paul nasceu após padaria quase falir em Joinville

Ano após ano, a clientela aumentou e o espaço estava cada vez mais movimentado. As receitas de sucesso ganhavam a sua primeira versão em um cardápio completamente reformulado após o fechamento da padaria.
Cafeteria conquistou a cidade com os vulcões “chocolatudos” e paredes coloridas de post-it
Em 2017, o antigo Amigo Paul foi apelidado de “AP” e ganhou uma decoração retrô, com objetos e programações nostálgicas. Nos dois andares da cafeteria é possível notar objetos comuns à infância das décadas passadas, como modelos de telefones, quadros, televisões e outros itens.
A vitrine sempre está recheada com vulcões de vários sabores, que ganham personalização em datas especiais, como Dia da Mães ou dos Pais. Os doces são servidos como “mini-bolos”, em uma porção individual, com recheios generosos.

Os tradicionais post-its coloridos que são deixados nas paredes começaram a ser colocados de maneira despretensiosa, há alguns anos, e se tornaram marca registrada do espaço. “Muitas pessoas ali da faculdade deixavam recadinhos e tal, mas usavam guardanapos e a gente resolveu substituir os guardanapos por post-it”, conta Gabi.
Há 13 anos, a cafeteria roxa chama a atenção de quem passa pela Ministro Calógeras. Nas redes sociais, o sucesso da cafeteria ganha números reais, com mais de 44 mil seguidores, além de milhares de curtidas e visualizações. “Na minha adolescência era um sonho ir nesse lugar, quando fui, percebi que realmente era tudo aquilo que eu imaginava!”, comentou uma cliente fiel.
Como conselho para outros empreendedores, Kristhian afirma que um fator primordial é dar voz às próprias ideias. “Empreenda com um propósito, empreenda com aquilo que arde no teu coração. Porque quando você faz com um propósito, você tem uma missão, você se torna criativo, se torna algo seu e sai de ti. Mas quando você copia alguém ou se compara com alguém, você sempre vai ser escravo da ideia do outro, você sempre vai ser escravo da criatividade do outro”, destaca.
*Sob supervisão de Leandro Ferreira













