Fábrica de SC testa escala 5×2, mantém produtividade e agora vai adotar modelo de forma permanente

Indústria de embalagens plásticas, que tem cerca de 35 funcionários, reduziu a jornada semanal de 44 para 40 horas

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Empresa afirma que conseguiu manter os níveis de produtividade, sem reduzir salários ou benefícios, e sem novas contratações. (Foto: Sintiplasqui, Divulgação)

Cerca de um mês e meio depois de trocar a escala 6×1 pela 5×2, a Versátil Plásticos, de Brusque, avaliou como positiva a experiência com a jornada de 40 horas semanais. A empresa afirma que conseguiu manter os níveis de produtividade, sem reduzir salários ou benefícios e sem precisar contratar novos funcionários. Por isso, Astrid Dallagnoli, uma das proprietárias da empresa, conta que a intenção é manter o novo modelo de forma permanente.

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A mudança entrou em vigor em 1º de julho deste ano. A indústria de embalagens plásticas, que tem cerca de 35 funcionários, reduziu a jornada semanal de 44 para 40 horas. Antes, os funcionários trabalhavam de segunda a sexta, com uma hora a mais ao longo da semana para compensarem o sábado, em que teriam folga, mas também trabalhavam no domingo.

“Algumas horas a menos durante a semana podem representar coisas muito concretas na vida de uma pessoa: conseguir participar de uma atividade na escola de um filho, ter mais tempo no almoço com a família, sair mais cedo ou ter mais finais de semana disponíveis. Ainda temos um período importante de avaliação pela frente, principalmente quando chegarmos à alta demanda, mas esses primeiros 45 dias mostraram que é possível buscar um equilíbrio entre qualidade de vida e necessidade produtiva”, destaca Astrid.

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Entenda o fim da escala 6×1

Como a gestão avalia

Na avaliação da proprietária, um dos principais efeitos da mudança ocorreu na organização dos turnos. Antes da redução da jornada, as horas de sábado eram compensadas de segunda a sexta-feira. Na produção, isso causava períodos de sobreposição entre as equipes.

Com a jornada de 40 horas, parte dessas sobreposições foi eliminada. Agora, um dos desafios passou a ser garantir que os funcionários cheguem pontualmente para iniciar o trabalho e que a equipe anterior consiga encerrar o turno no horário previsto. Porém, como Astrid destaca, é somente um ajuste natural e pontual.

“Em relação ao engajamento, a percepção qualitativa tem sido positiva. Os colaboradores receberam muito bem a mudança e os retornos que temos nas conversas do dia a dia demonstram satisfação com a nova organização”, afirma.

Apesar da redução das horas trabalhadas, a empresa afirma que os níveis de produtividade foram mantidos. A avaliação considera que o cenário ainda não permite medir o desempenho em períodos de maior pressão sobre a produção, como no início ou no fim do ano, em que a demanda é maior.

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Como tem sido para os funcionários

Entre os funcionários, a percepção inicial também é positiva. Fabio Voltolini, de 24 anos, trabalha há seis anos na empresa como preparador de matéria-prima. Para ele, a redução da jornada trouxe principalmente mais tempo para a família e maior liberdade para organizar os finais de semana. Agora, ele conta conseguir fazer passeios mais longos sem precisar se preocupar em retornar para trabalhar no dia seguinte e que esse tempo “fez muita diferença em minha vida pessoal”.

“Apesar de trabalhar horas a menos, consigo entregar o mesmo serviço de antes. Nós temos mais tempo para descansar, tendo um dia de trabalho muito mais produtivo do que antes. Consigo passar mais tempo com quem eu gosto, pois o tempo nos lembram da urgência de viver o presente, a valorizar quem amamos e aceitar os ciclos naturais da vida”, relata Fabio.

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Rafael Duarte, de 41 anos, que é analista de logística há seis meses, conta que a mudança fez até o dia parecer mais leve. Por morar perto, ele ia para casa e almoçava com a família, mas sempre com um olho no relógio. Já que não precisa mais compensar a folga do sábado, ele passou a ter 30 minutos a mais de intervalo para o almoço e outros 30 minutos foram acrescentados ao período trabalhado no fim do dia. Mesmo assim, consegue sair às 16h30min, antes do horário em que deixava a empresa na antiga jornada.

“Era a famosa expressão ‘comer correndo’. Hoje, com a mudança, eu tenho 1h30min de almoço, ficou mais leve, posso almoçar tranquilo com a minha familia e ainda dá para tirar um tempinho e brincar com minha filha, Olivia”, relata o funcionário.

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Nas palavras do analista, o dia ganhou um aspecto mais proveitoso e sobrou tempo para fazer atividades antes mesmo do sol se pôr, como andar de bicicleta com a filha ou tomar um café no fim da tarde.

“Em casa, o ambiente melhorou muito. Os almoços durante a semana estão sendo mais alegres, com conversas sobre como foi a manhã na escola e o que vamos fazer quando o papai chegar do trabalho. Todas as horas que eu ganhei estão sendo revertidas em momentos em família e sou muito grato por isso. E, no trabalho, os colegas estão mais animados no dia a dia. O trabalho flui de forma ainda mais natural e tranquila”, expressa Rafael.

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Entenda como funciona

A Versátil diz que não precisou ampliar o quadro de funcionários para colocar o novo modelo em prática. A alternativa foi reorganizar internamente as funções e distribuir algumas atividades entre os próprios colaboradores, como cobertura de intervalos, rotulagem e tarefas de apoio à produção.

Além da reorganização dos horários, a empresa implantou um banco de horas. A ferramenta passou a permitir que ausências programadas sejam compensadas posteriormente, desde que haja uma organização prévia. Astrid cita como exemplo um funcionário que precisava participar de uma apresentação de Dia dos Pais na escola da filha. Como o compromisso foi informado antecipadamente, a empresa conseguiu reorganizar a operação para que ele se ausentasse e compensasse as horas em outro momento.

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Na produção, a mudança nos domingos foi um dos pontos mais significativos. A equipe do terceiro turno, que anteriormente trabalhava todos os domingos, passou a atuar em domingos alternados e, nos dias em que trabalha, começa mais tarde.

“Na prática, isso significa mais finais de semana disponíveis, mais convivência familiar e mais tempo de descanso. Pelas conversas que tivemos até agora, a percepção dos colaboradores tem sido bastante positiva”, conta a proprietária.

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A assiduidade e a qualidade do trabalho, segundo ela, precisarão ser acompanhadas durante alguns meses antes de uma comparação consistente. Já em relação ao engajamento, a percepção da empresa é positiva a partir das conversas com os trabalhadores.

Apesar de ainda considerar o período de experiência curto, a Versátil afirma que pretende manter permanentemente a jornada de 40 horas semanais e a organização 5×2. O próximo teste, segundo ela, será justamente observar como o modelo se comportará quando a demanda aumentar.