Antes de temperar o frango para o almoço de domingo, é quase automático: a peça vai direto para a pia, recebe um jato de água fria. O gesto, repetido por gerações em cozinhas de todo o mundo, parece garantir mais higiene, mas é justamente o oposto do que especialistas em segurança alimentar recomendam.
Um levantamento publicado pelo site dinamarquês Cafej mostra que a maioria das pessoas ainda lava o frango antes de cozinhar, na crença de que isso remove sujeira, muco ou resquícios de sangue. O problema é que essa etapa, tão comum quanto involuntária, não elimina nenhuma bactéria e ainda cria um risco real de contaminação em outros pontos da cozinha.
Por que lavar o frango é mais perigoso do que parece?
A explicação está na forma como a água se comporta ao entrar em contato com a carne crua. Ao cair sobre o frango, o jato espalha micro-gotículas contaminadas para além da pia, alcançando bancadas, utensílios, panos de prato e até roupas de quem está cozinhando.
Bactérias como salmonela e campylobacter, comuns em aves cruas, sobrevivem tranquilamente a esse contato com água fria a lavagem simplesmente não tem força para eliminá-las.
Enquanto isso, a pessoa que lavou o frango segue confiante de que “limpou” a carne, sem perceber que espalhou o risco pelo ambiente ao redor, muitas vezes sobre superfícies que depois recebem outros alimentos prontos para consumo, como saladas e pães.
O que realmente elimina as bactérias do frango?
A resposta é simples e já está presente em qualquer receita: o calor do cozimento. Temperaturas acima de 70°C durante a preparação são suficientes para destruir as bactérias presentes na carne crua, algo que a água da torneira jamais conseguiria fazer.
Por isso, especialistas recomendam pular a etapa da lavagem e ir direto para o tempero e o preparo. Caso exista a vontade de remover algum resíduo visível da peça, a orientação é usar papel-toalha úmido, descartando-o imediatamente em seguida, em vez de recorrer à água corrente.
Como evitar a contaminação cruzada na cozinha?
Além de deixar a água de lado, alguns hábitos simples reduzem bastante o risco de contaminação durante o preparo do frango. Usar uma tábua de corte exclusiva para carnes cruas evita que bactérias migrem para vegetais e outros ingredientes.
Lavar bem as mãos, facas e superfícies logo após o manuseio da carne antes de tocar em qualquer outro alimento também é uma etapa essencial.
O hábito de lavar o frango antes de cozinhar pode parecer inofensivo, quase um gesto de cuidado transmitido de mãe para filha ao longo de anos. Mas trocar esse costume por um cozimento bem feito e uma cozinha organizada é o que realmente protege quem vai sentar à mesa para a refeição.






