Uma das maiores empresas petroquímicas do Brasil protocolou nessa segunda-feira (24) um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões em dívidas, o equivalente a R$ 56 bilhões. A informação foi divulgada pelo g1 e confirmada pela própria Braskem.
A medida foi aprovada pelo Conselho de Administração da companhia e o pedido foi distribuído na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo. Ao lado da Braskem S.A., também entraram no pedido algumas de suas empresas controladas.
O que significa recuperação extrajudicial?
Diferente da recuperação judicial, a modalidade extrajudicial permite que a empresa negocie diretamente com um grupo específico de credores, no caso, os credores financeiros. Por isso, segundo a companhia, a operação do dia a dia segue normalmente e fornecedores e clientes não devem ser afetados.
Os números por trás do pedido
Os R$ 56 bilhões correspondem à dívida financeira que a empresa quer renegociar. O valor total envolvido, no entanto, é bem maior quando se somam as obrigações entre as próprias empresas do grupo.
De acordo com as tabelas anexadas ao plano, essas obrigações internas somam R$ 130,6 bilhões, distribuídas assim:
- Braskem S.A. — R$ 51,5 bilhões
- Braskem Netherlands B.V. — R$ 34,5 bilhões
- Braskem Netherlands Inc. B.V. — R$ 44,2 bilhões
- Braskem Trading & Shipping B.V. — R$ 372 milhões
Somando dívidas internas e externas, o conjunto de créditos relacionados ao plano chega a aproximadamente R$ 187,1 bilhões.
90 dias de fôlego
Com o protocolo, a empresa entra num período de 90 dias de proteção. Durante esse prazo, os credores abrangidos pelo plano ficam impedidos de cobrar judicialmente as dívidas ou de adotar determinadas medidas contra os ativos da companhia.
É o intervalo que a Braskem tem para ampliar o apoio ao plano e o calendário já está definido:
- 24 de agosto: pedido de recuperação extrajudicial protocolado;
- 31 de agosto: Braskem deve apresentar plano de negócios com proposta aos credores;
- 9 de setembro: reuniões entre executivos, acionistas e credores;
- 9 de outubro: prazo para buscar acordo.
Se não conseguir o apoio necessário dentro da janela, a empresa perde a proteção e volta a ficar exposta às cobranças dos credores. Com informações do g1.
