Por contrato, o Figueirense tem direito a 10% na negociação do atacante Allan, do Palmeiras, com o Manchester City. A informação foi checada nas duas pontas: com pessoas envolvidas na negociação do jogador em São Paulo e também internamente no Figueirense. Mas há uma segunda pergunta, tão importante quanto a primeira: o clube catarinense vai receber efetivamente os 10% da venda? A resposta é não.
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É preciso abrir a operação para entender. Dos 10% que pertencem ao Figueirense, 5% foram negociados antecipadamente ainda no ano passado. Os outros 5% foram oferecidos como garantia em um empréstimo feito com o Athletico-PR. São duas operações diferentes e que, agora, também produzem consequências distintas para o clube.
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Os primeiros 5%, na prática, já não pertencem economicamente ao Figueirense. No ano passado, precisando de recursos para pagar as contas da temporada, o clube antecipou esse ativo e negociou o percentual com um empresário — cujo nome não é revelado por questões de confidencialidade. O valor recebido pelo Figueirense também é mantido sob sigilo. O negócio estabeleceu que, quando Allan fosse vendido, esse empresário teria direito aos 5% correspondentes. Portanto, seja qual for o valor final da transferência do atacante para o Manchester City, essa parcela terá como destino o investidor que antecipou o dinheiro ao clube.
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A situação dos outros 5% é diferente. Segundo informações obtidas nos bastidores do Figueirense, esse percentual não foi vendido ao Athletico-PR. Ele foi colocado como garantia do empréstimo feito pelo clube paranaense. Na prática, o Figueirense tem uma dívida com o Athletico e, caso não faça o pagamento, o credor pode executar a garantia e ficar com os valores correspondentes aos 5% de Allan.
É justamente aí que aparece uma possibilidade de receita para o Figueirense. A dívida com o Athletico está na casa dos R$ 8 milhões, enquanto os 5% relacionados a Allan, pelos valores trabalhados atualmente na negociação, podem representar aproximadamente R$ 12 milhões. O entendimento interno é de que o Figueirense pode quitar os R$ 8 milhões devidos ao Athletico, liberar a garantia e preservar aproximadamente R$ 4 milhões dessa parcela da transferência.
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Há ainda outra receita. Como Allan passou pelas categorias de base do Figueirense entre meados de 2016 e janeiro de 2019, o clube também tem direito a valores pelo mecanismo de solidariedade da FIFA pela formação do atleta.
Fechando todas essas contas, a expectativa interna é de que a negociação de Allan com o Manchester City deixe aproximadamente R$ 5 milhões líquidos para o Figueirense, somando o valor residual da parcela utilizada como garantia na operação com o Athletico e o dinheiro correspondente ao mecanismo de solidariedade.
Ou seja: no papel, o Figueirense tem 10% dos direitos na negociação. Na prática, metade foi antecipada para fazer caixa no ano passado e a outra metade está vinculada a uma dívida. O negócio milionário entre Palmeiras e Manchester City não vai provocar uma enxurrada de dinheiro no Orlando Scarpelli, mas pode permitir fôlego ao Figueirense neste final de temporada 2026.








