El Niño entra em fase ainda mais intensa e nível “super” coloca 6 regiões de SC no radar da chuva extrema nos próximos meses

Áreas têm maior propensão a chuvas intensas e acumulados elevados em poucos dias, condições que podem favorecer cheias, inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos

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Imagens mostram formação do El Niño (Foto: ESA, Divulgação)

El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água em um trecho do Oceano Pacífico perto do Peru (Foto: ESA, Divulgação)

Um novo boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) sobre o El Niño, divulgado nesta terça-feira (1º), identificou seis regiões de Santa Catarina que apresentam maior propensão a episódios de chuva extrema entre setembro e novembro: Oeste, Meio-Oeste, Planalto, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e Sul catarinense.

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A análise de anos com El Niño forte ou muito forte mostra, nessas áreas, maior propensão a chuvas intensas e acumulados elevados em poucos dias. Essas condições podem favorecer:

  • cheias
  • inundações
  • enxurradas
  • alagamentos
  • deslizamentos.

O novo recorte detalha os possíveis impactos em Santa Catarina diante do fortalecimento do El Niño, que pode atingir o nível popularmente chamado de “super” a partir deste mês.

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El Niño pode atingir nível “super”

Oficialmente, “super El Niño” não é uma classificação científica. O termo é usado popularmente para episódios considerados muito fortes, quando o índice de temperatura atinge ou supera 2°C acima da média. Na nova projeção do Inmet, a probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte subiu para mais de 90% já no trimestre entre setembro e novembro.

O painel também incorpora a estimativa da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) de 69% de chance de o El Niño 2026/2027 ser o mais forte desde 1950, com anomalias que podem superar 2,5°C. As projeções indicam que o fenômeno deve permanecer ativo, pelo menos, até o início de 2027.

Apesar do cenário, a NOAA ressalta que um El Niño mais forte não provoca necessariamente impactos maiores em todas as regiões. Os efeitos também dependem dos sistemas meteorológicos, da umidade do solo e das vulnerabilidades de cada local.

Quais regiões de SC estão sob maior atenção?

Em Santa Catarina, o boletim aponta seis regiões com sinal relevante de aumento dos extremos de chuva:

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  • Oeste
  • Meio-Oeste
  • Planalto
  • Vale do Itajaí
  • Grande Florianópolis
  • Sul catarinense

Nessas áreas, há maior propensão tanto a chuvas intensas em um único dia quanto a volumes elevados acumulados durante vários dias consecutivos.

No Rio Grande do Sul, o sinal de aumento dos extremos é ainda mais consistente, principalmente para episódios prolongados. No Paraná, o cenário é mais localizado, com maior atenção para o Sudoeste, Centro-Sul, Região Metropolitana de Curitiba, Serra do Mar e litoral.

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O Inmet ressalta que a análise indica apenas maior propensão a situações críticas. Isso não significa que eventos extremos ou desastres ocorrerão necessariamente nessas regiões. Os impactos dependerão da atuação de frentes frias, sistemas de tempestades e jatos de baixos níveis, além da umidade acumulada no solo e das vulnerabilidades de cada município.

Em entrevista recente ao NSC Total, o meteorologista Caio Guerra, da Defesa Civil de SC, explicou que cada região responde de maneira diferente aos elevados volumes de chuva.

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“O Vale do Itajaí é muito suscetível a episódios de inundação, porque toda a chuva que acontece ali na bacia vai acumulando e traz uma elevação do nível dos rios. (…) Na região Oeste do Estado, a chuva trouxe uma cheia para o Rio Uruguai. Palmitos, Itapiranga e Águas de Chapecó tiveram alertas de inundação. Então, cada região tem sua especificidade”, afirmou.

Entenda o El Niño em 10 passos

Sul chega à primavera praticamente sem déficit hídrico

Outro fator destacado pelo Inmet é a condição atual dos solos e dos rios. Em julho, apenas 4% da Região Sul apresentava seca fraca, concentrada no leste do Paraná. Santa Catarina, portanto, não tinha áreas classificadas com seca pelo levantamento.

O boletim afirma que praticamente não há déficit hídrico restante a ser suprido no Sul, o que aumenta a atenção para possíveis cheias. A umidade acumulada no solo pode fazer com que uma parcela maior da chuva escoe rapidamente para rios e córregos. Com isso, novos episódios de precipitação podem provocar respostas hidrológicas mais rápidas.

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Para os próximos 30 dias, as simulações indicam vazões próximas ou acima da média histórica nos rios da Região Sul. O painel também compara o cenário atual com o El Niño de 2023. Em 2026, o fenômeno se estabeleceu mais cedo e, entre maio e julho, as temperaturas do Pacífico Equatorial estavam 0,7°C acima das observadas no mesmo período de 2023.

Primavera será período de maior atenção em SC

Segundo a Epagri/Ciram e a Defesa Civil, o inverno de 2026 já teve volumes de chuva acima da média em diferentes períodos e maior frequência de tempestades severas.

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A preocupação aumenta com a primavera, que começa no dia 22 de setembro. A estação tem naturalmente maior frequência e intensidade dos sistemas responsáveis por chuvas e temporais em Santa Catarina.

“A combinação entre a climatologia da estação e a intensificação do El Niño torna a primavera o período de maior atenção desde o estabelecimento do fenômeno El Niño. É consenso entre os modelos meteorológicos volumes de chuva acima do normal para o trimestre, principalmente nos meses de outubro e novembro”, diz a nota da Defesa Civil.

A previsão é de maior frequência de alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos, especialmente durante episódios de chuva intensa e persistente.

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Como deve ser setembro

Para setembro isoladamente, o Inmet prevê chuva próxima da média na metade Leste de Santa Catarina. No Rio Grande do Sul, a tendência é de volumes acima do normal.

A previsão trimestral da Epagri indica que os maiores excessos de chuva em Santa Catarina devem ocorrer principalmente em outubro e novembro.

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Em relação às temperaturas, setembro ainda pode ter avanços de massas de ar frio e quedas acentuadas nos termômetros. Ao longo do trimestre, porém, os episódios de frio devem se tornar menos frequentes, com temperaturas dentro ou acima da média.

Como o El Niño afeta o tempo?

O El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água em um trecho do Oceano Pacífico perto do Peru, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.

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Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção norte-sul e essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.

O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Os efeitos do La Niña para Santa Catarina são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado.