O motorista de aplicativo em Florianópolis, Jordan Horn, viralizou ao publicar uma sequência de vídeos em defesa de uma passageira que sofreu violência doméstica. Postados nas redes sociais na tarde da última segunda-feira (31), as imagens mostram o momento em que a mulher pergunta como poderia denunciar e a resposta da polícia após Jordan entrar em contato. A NSC entrevistou o motorista para entender melhor o caso. Veja a interação de Jordan com a passageira:
No vídeo, a mulher aparenta estar bem abalada ao entrar no carro e ao ser questionada por Jordan, ela menciona sofrer agressões físicas e psicológicas do pai de sua filha. O local de destino da carona era para a casa da mulher, segundo ela o agressor a aguardava no local. No vídeo Jordan pergunta se ela não queria chamar a polícia. Ela nega.
Nas imagens a passageira explica que fica preocupada e tem medo de o que pode acontecer à criança caso ela denuncie o agressor. Além disso, ela também menciona outras filhas, mais velhas, do homem que dependem do pai financeiramente:
“Eu estaria prejudicando elas, não faz eu fazer isso”, diz
Polícia diz não poder ajudar
Para o NSC Total, Jordan diz que tentou manter a calma e direcionar a passageira para que ela entendesse a gravidade da situação e o que poderia fazer para se defender:
“No momento mantive a calma para poder ajuda-la, escutei e fui direcionando. Após tudo isso, aí veio uma angústia”, comenta.
O motorista contou que está não foi a primeira vez que presenciou esse tipo de crime. Segundo ele, algumas de suas amigas já passaram por esta situação e ele sentiu que precisava ajudar a passageira.
No segundo post, que completa o vídeo da carona, Jordan desembarca a mulher com certa distância da residência e liga para a polícia ainda antes de sair da região.
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A importância da denúncia
Em 2026, a lei de que transforma em crime a violência doméstica e familiar contra a mulher, Lei Maria da Penha (n° 11.340), completa 20 anos de sua criação.
A legislação prevê medidas protetivas de urgência, orienta a atuação da rede de proteção e reconhece seis formas de violência:
- Violência física: qualquer conduta que ofenda a integridade ou a saúde corporal da mulher.
- Violência psicológica: conduta que cause dano emocional, diminuição da autoestima, ou que vise degradar e controlar ações e decisões mediante ameaça, humilhação, isolamento ou perseguição.
- Violência sexual: conduta que constranja a mulher a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada mediante força ou ameaça, ou que limite o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos.
- Violência patrimonial: retenção, subtração ou destruição (parcial ou total) de objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais e bens.
- Violência moral: qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
- Violência vicária: violência praticada contra filhos, pais ou pessoas próximas à mulher com o objetivo de atingi-la indiretamente
Desta lei, conforme dados do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) do primeiro semestre de 2026, são realizados, por dia, 93 pedidos de medidas protetivas requeridas e enviadas para a análise.
Uma medida protetiva de urgência é um mecanismo da justiça criada pela Lei Maria da Penha que tem como objetivo proteger mulheres em risco de violência doméstica, familiar ou em relação íntima de afeto, afastando o agressor e impedindo que a violência se repita, seja ela de forma física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.
Uber Karaokê e denúncias
A publicação de Jordan chegou a 533 mil visualizações na rede social Instagram, a divulgação foi ampla, pois Jordam já contava com 345 mil seguidores.
Natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Jordan mora na capital catarinense desde março de 2025 e ficou famoso por oferecer caronas de aplicativo animadas com Karaokê e luzes para os passageiros.























