El Niño deixou agosto mais chuvoso no Sul, e SC registrou frio de mais de 6°C abaixo da média, diz Inmet

Nota técnica do Inmet aponta influência do fenômeno nas chuvas da região e queda acentuada das temperaturas mínimas no fim do mês

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Imagem Satélite formação El Nino

Imagem divulgada pela Agência Espacial Europeia e que mostra o aquecimento das águas no Pacífico (Arte de Ben Ami Scopinho sobre foto de ESA, Reprodução)

O El Niño contribuiu para que agosto de 2026 terminasse com chuva acima da média e recordes na região Sul, segundo uma nota técnica divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) na última sexta-feira (4). Foram registrados volumes superiores a 150 milímetros e, em algumas áreas, acumulados de mais de 100 milímetros acima da média histórica, conforme o instituto.

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A condição foi associada à passagem de sistemas frontais que permaneceram semiestacionários durante alguns dias, conforme o Inmet. O instituto relaciona as chuvas acima da média e os recordes registrados no Sul à influência do El Niño.

Os maiores volumes mensais foram observados no Rio Grande do Sul:

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  • Jaguarão: 337,4 milímetros, recorde para agosto;
  • Bagé: 288,2 milímetros, também recorde;
  • Santa Vitória do Palmar: 258,8 milímetros.

Em SC, um dos maiores episódios de chuva ocorreu no final do mês. Segundo estimativa da Defesa Civil e da Epagri/Ciram, em Florianópolis, o acumulado de chuva em apenas quatro dias superou o volume esperado para todo o mês de agosto. Entre 28 de agosto e a manhã de 1º de setembro, a estação do Norte da Ilha registrou 141,8 milímetros, segundo dados da Defesa Civil e da Epagri/Ciram. A média esperada para agosto fica entre 90 e 110 milímetros.

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Mínimas ficaram mais de 6°C abaixo da média em SC

Apesar de agosto ter sido marcado por temperaturas elevadas em grande parte do Brasil, o Inmet identificou um declínio acentuado das mínimas entre os dias 23 e 24, principalmente na Região Sul:

As anomalias de temperatura mínima no dia 23 de agosto indicam desvios inferiores a -6°C em grande parte do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

As menores temperaturas registradas no Brasil durante agosto foram, segundo o Inmet:

  • São José dos Ausentes (RS): -3,7°C;
  • General Carneiro (PR): -2,8°C;
  • Soledade (RS): -1,8°C;
  • Caxias do Sul (RS): -1,3°C.

Nova previsão indica intensificação do El Niño nos próximos meses

A atualização de setembro do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) mantém a projeção de um El Niño intenso entre 2026 e 2027, com possibilidade de a anomalia de temperatura do oceano atingir cerca de 3,4°C no auge do fenômeno.

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Segundo análise da meteorologista Ana Maria Pereira Nunes, da Meteored, a previsão mais recente concentra os maiores valores em outubro ou novembro, indicando uma intensificação mais rápida em relação ao cenário apresentado em agosto.

O boletim do Inmet divulgado em 1º de setembro também aponta probabilidade superior a 90% de o El Niño atingir intensidade muito forte no trimestre entre setembro e novembro. As projeções indicam que o fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027.

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Episódios muito fortes são popularmente chamados de “super El Niño”, embora o termo não seja uma classificação científica oficial. A intensidade do fenômeno, porém, não determina sozinha a dimensão dos impactos, que também dependem dos sistemas meteorológicos, da umidade do solo e das condições de cada local.

El Niño aumenta atenção para chuva extrema em SC

O boletim do Inmet aponta seis regiões de Santa Catarina com maior propensão a episódios de chuva extrema entre setembro e novembro, considerando a análise de anos com El Niño forte ou muito forte:

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  • Oeste
  • Meio-Oeste
  • Planalto
  • Vale do Itajaí
  • Grande Florianópolis
  • Sul catarinense

Nessas áreas, o levantamento indica maior propensão a chuvas intensas e acumulados elevados em poucos dias, condições que podem favorecer cheias, inundações, enxurradas, alagamentos e deslizamentos.

O instituto ressalta que o resultado representa uma maior propensão a situações críticas, sem garantir que eventos extremos ou desastres ocorrerão nessas regiões.

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Primavera será período de maior atenção em SC

Segundo a Epagri/Ciram e a Defesa Civil, o inverno de 2026 já teve volumes de chuva acima da média em diferentes períodos e maior frequência de tempestades severas.

A preocupação aumenta com a primavera, que começa no dia 22 de setembro. A estação tem naturalmente maior frequência e intensidade dos sistemas responsáveis por chuvas e temporais em Santa Catarina, segundo a Defesa Civil de SC:

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A combinação entre a climatologia da estação e a intensificação do El Niño torna a primavera o período de maior atenção desde o estabelecimento do fenômeno El Niño. É consenso entre os modelos meteorológicos volumes de chuva acima do normal para o trimestre, principalmente nos meses de outubro e novembro.

Para setembro isoladamente, o Inmet prevê chuva próxima da média na metade Leste de Santa Catarina. A previsão trimestral da Epagri indica que os maiores excessos de chuva no Estado devem ocorrer principalmente em outubro e novembro.