O afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) e que já alcançou a maioria de votos na 2ª Turma do Supremo, provocou uma mudança ao menos temporária no comando da principal força policial do país.
A decisão de André Mendonça não especifica quem deveria ficar no lugar de Andrei Rodrigues na direção-geral da PF. Segundo o Regimento Interno da PF, no entanto, o diretor-geral deve ser substituído em caso de faltas ou impedimentos legais pelo diretor-executivo, considerado o “número 2” da corporação.
Atualmente, o cargo de diretor-executivo da PF é exercido pelo delegado William Marcel Murad. É ele quem deve assumir a direção-geral da PF de forma interina durante o afastamento de Andrei Rodrigues.
Quem é William Marcel Murad
Murad é formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e delegado da PF desde 2002. Chegou ao cargo de diretor-executivo em janeiro de 2025, por indicação do Ministério da Justiça do governo Lula. Ele assumiu o lugar de Gustavo Leite, que foi indicado pela gestão federal para integrar a equipe da Interpol.
Ao longo da carreira, o diretor-executivo ocupou funções técnicas e cargos de chefia. Participou também de formações internacionais, como um curso de especialização na Academia Nacional do FBI, nos Estados Unidos. Murad deve assumir interinamente o comando da PF em meio a um momento de tensão da corporação com o STF.
O diretor-geral, alvo da decisão de afastamento publicada nesta terça-feira (8), teria sido citado em conversas do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, em contexto de conversas em que o empresário buscaria informações e formas de protelar a investigação sobre suspeitas de fraudes financeiras.
Na manhã desta terça-feira, o diretor-executivo saiu em defesa de Andrei Rodrigues em evento de formação de agentes da PF em Brasília. “Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vierem. E aqui reafirmamos, reafirmo, nossa total confiança no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. O momento exige serenidade, mas saberemos atravessar essa tempestade, como tantas vezes o fizemos”, afirmou Murad, segundo informações da Globonews.
