Cidade romana rara, de 1.600 anos, foi encontrada no meio do deserto do Egito

Achado na Oásis de Dakhla reúne casas, igreja, moedas e fragmentos escritos que mostram como uma comunidade cristã vivia no deserto há milhares de anos atrás

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Escavação no Deserto Ocidental do Egito revela cidade bizantina (Foto: Vyacheslav Argenberg / Wikimedia Commons)

Escavação no Deserto Ocidental do Egito revela cidade bizantina (Foto: Vyacheslav Argenberg / Wikimedia Commons)

Arqueólogos encontraram uma cidade bizantina preservada no meio do Deserto Ocidental do Egito, revelando quase 200 registros escritos em pedaços de cerâmica. A descoberta revela uma comunidade excêntrica em Dakhla, cristã em meio à terra dos faraós.

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Os registros arqueológicos foram encontrados no sítio arqueológico de Ain El-Sabil, na província de New Valley. Segundo a missão egípcia ligada ao Conselho Supremo de Antiguidades, o local reúne casas, estruturas defensivas e até uma pequena basílica.

A região do antigo Egito é um hotspot de descobertas arqueológicas, como as recentes línguas de ouro encontradas no litoral egípcio.

O que os arqueólogos encontraram

As escavações revelaram casas com salas de recepção, telhados abobadados, cozinhas, fornos de pão e ferramentas de moagem. Esses elementos ajudam a reconstruir tarefas simples, como preparar alimentos, armazenar produtos e receber visitantes.

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Também foram achadas duas torres de vigia e uma construção fortificada com paredes espessas. Essas edificações militares indicam a necessidade dessa população de proteger o oásis como ferramenta de sobrevivência no deserto.

Entre os itens mais importantes estão: quase 200 ostraca, fragmentos de cerâmica usados como suporte de escrita e moedas de bronze e ouro com símbolos cristãos e retratos de imperadores bizantinos.

Fragmentos como quebra-cabeças

Os ostraca foram escritos em copta e grego. Esses pedaços de cerâmica funcionavam como um material barato para anotar acordos, compras e outras informações do dia a dia.

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“Uma das descobertas mais significativas da escavação é uma coleção de quase 200 ostraca inscritos (fragmentos de cerâmica usados como material de escrita) com textos em copta e grego.”

afirmou Diaa Zahran, chefe do setor de antiguidades islâmicas, coptas e judaicas, à Ahram Online

Esse tipo de registro costuma ser valioso porque aproxima o passado de pessoas comuns. Em vez de mostrar apenas as grandes figuras de poder, como reis e sacerdotes, os textos revelam cartas e detalhes práticos do cidadão comum que coloca a cidade em movimento.

Cristianismo em meio ao Egito

Apesar de a região ser geralmente associada a religiões pagãs, existem comunidades cristãs bem estabelecidas do Egito. Os arqueólogos encontraram duas edificações principais da Fé no local: uma igreja em forma de basílica e a casa de Tisous, descrito como diácono da igreja.

Os coptas são cristãos egípcios ligados a uma das tradições mais antigas do cristianismo. A Igreja Copta Ortodoxa de Alexandria tem raízes nos primeiros séculos da era cristã e preserva práticas religiosas próprias até hoje.

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O termo também se relaciona à língua copta, uma fase tardia do egípcio antigo escrita com letras gregas e sinais adicionais. Por isso, inscrições em copta ajudam arqueólogos a entender melhor a vida religiosa, social e administrativa dessas comunidades.

Moedas e infraestrutura

Além dos textos, a equipe encontrou moedas de bronze bem preservadas, com retratos de imperadores bizantinos, inscrições em latim e símbolos cristãos. Também surgiram moedas de ouro atribuídas ao reinado de Constâncio II, imperador entre 337 e 361.

Essas moedas ajudaram a identificar que a ocupação da cidade se deu no século 4. Ao mesmo tempo, indicam que a cidade mantinha algum nível de circulação econômica, com estruturas administrativas mais amplas do Império Romano do Oriente.

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A cidade foi construída com tijolos de barro, material comum em regiões secas do Egito. Mesmo assim, o desenho urbano chama atenção. As ruas principais seguiam no eixo norte-sul, enquanto vias menores cruzavam o espaço no sentido leste-oeste.

Esse traçado formava praças abertas e áreas de circulação. No centro do assentamento ficava uma basílica cristã, datada de meados do século 4, posicionada sobre uma das principais ruas da cidade.