Julgamento do ano no TRE-SC: o que dizem os bastidores sobre o processo de cassação de Seif

Julgamento começa nesta quinta-feira, 26 de outubro, às 17h, em Florianópolis

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Jorge Seif, senador por Santa Catarina (Foto: Pedro França/Agência Senado)

O primeiro item da pauta da sessão do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) desta quinta-feira, 26 de outubro, vem sendo considerado o julgamento do ano no órgão. Os sete juízes vão analisar o pedido do PSD de cassação da chapa do senador eleito em 2022 por Santa Catarina, Jorge Seif (PL). O partido do ex-governador do Estado e também candidato ao Senado no ano passado, Raimundo Colombo (PSD), alega abuso de poder econômico por parte de Seif, numa ação semelhante a que cassou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), neste ano, o ex-prefeito de Brusque, Ari Vequi. Nos bastidores, há distintas versões sobre o que deve ocorrer no TRE-SC no caso do senador bolsonarista. A unanimidade, porém, é que um provável pedido de vista de um dos juízes impedirá a conclusão do julgamento nesta quinta-feira.

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A atual composição do Tribunal catarinense é formada por: Alexandre D’Ivanenko (presidente e desembargador do TJ-SC), Maria do Rocio Luz Santa Ritta (desembargadora do TJ-SC e relatora do caso), Willian Quadros (oriundo da OAB), Ítalo Mosimann (oriundo da OAB), Otávio Minatto (juiz do TJ-SC), Jefferson Zanini (juiz do TJ-SC) e Sebastião Ogê Muniz (desembargador federal do TRF4). A primeira incógnita em torno do julgamento está no voto da relatora. Maria do Rocio será a primeira se posicionar sobre o caso. Caberá a ela a leitura do relatório do pedido do PSD e da manifestação do Ministério Público Federal (MPF). Depois, virão as manifestações das defesas de Seif, do PSD e do empresário Luciano Hang, também alvo da ação.

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Os detalhes e o que esperar do julgamento que pode cassar Jorge Seif

Terminadas as sustentações orais, virá de Maria do Rocio o voto inicial, ainda uma incógnita. Nos bastidores, é esperado um pedido de vista logo após a manifestação dela. Pelo perfil dos membros do TRE-SC, há quem aposte que Seif consiga pelo menos três votos favoráveis a ele. Assim, nos cenários mais otimistas, diferentes pessoas envolvidas na ação acreditam que o senador possa sair vitorioso do Tribunal catarinense. Com o pedido de vista, a tendência é que a retomada do julgamento ocorra somente em duas a três semanas.

Por outro lado, enquanto há visões mais otimistas a favor de Seif, também existe quem enxergue um cenário favorável ao PSD. A leitura é que, na comparação do caso com o prefeito de Brusque, o caso do senador contém mais provas de abuso de poder econômico na relação com o empresário das lojas Havan.

Porém, fontes dizem que mora neste ponto as principais questões do julgamento no TRE-SC: os ministros vão entender realmente pelo abuso de poder? Caso confirmado o entendimento de abuso, ele foi o suficiente para configurar a cassação? Como o TSE já sinalizou para irregularidades em situações semelhantes, há dúvida sobre como o TRE vai se posicionar desta vez.

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A defesa de Seif aposta em separar os casos. Os advogados insistirão na tese de que os processos de Ari Vequi são distintos. Mesmo assim, quando o TRE-SC analisou a cassação do ex-prefeito de Brusque, os juízes entenderam, por unanimidade, inocentar Vequi. A mudança ocorreu no TSE, onde os ministros decidiram pela cassação da chapa, o que gerou uma nova eleição na cidade do Vale do Itajaí.

Cenário diferente no TSE

Enquanto no TRE-SC os bastidores ainda apontam para diferentes caminhos, em Brasília o clima é totalmente distinto. Por lá, é uma unanimidade entre as fontes que os ministros tendem a votar pela cassação de Seif. Como já reconheceu irregularidades no caso de Brusque, torna-se natural que o órgão superior siga o mesmo rumo para analisar a questão do senador. É justamente por isso que a defesa de Seif tentará separar os processos para convencer os julgadores.

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Já os advogados do PSD enxergam que há possibilidade de cassação já em Santa Catarina. Eles apostam nas provas colocadas nos processo desde o início da ação, como os relatórios de voos do helicóptero de Hang e outros elementos que comprovariam o uso da máquina de Hang a favor de Seif durante a campanha eleitoral de 2022.

O Ministério Público Federal (MPF), entretanto, entendeu de forma contrário. Para o órgão, não há elementos suficientes para a cassação da chapa. O parecer é do procurador eleitoral André Bertuol.

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Quem assume?

Outra discussão importante já levantada pelo PSD é sobre quem deve assumir a cadeira de senador por Santa Catarina no caso de cassação de Seif. O partido “inova” na tese de que o segundo colocado é quem ficaria com a vaga. O pedido pessedista tem um motivo: o segundo colocado foi Raimundo Colombo, justamente o candidato do partido no ano passado. Os advogados defendem a anulação dos votos de Seif e a recontagem do resultado, o que deixaria Colombo em primeiro lugar.

O TSE, entretanto, tem um entendimento diferente sobre estes casos. Em 2019, quando cassou a senadora do Mato Grosso, Selma Arrude, os ministros determinaram uma nova eleição. Apesar da discussão já ter sido levantada pelo PSD no TRE, a tendência é que, caso Seif seja realmente cassado, esta conclusão seja avaliada somente em Brasília.