Por que canal para escoar Lagoa dos Patos pode significar o fim das tainhas

A Lagoa dos Patos é o criadouro das tainhas que migram em direção ao Norte em período reprodutivo

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Pesca da tainha em SC

Pesca da tainha em SC (foto: Ricardo Wolffenbüttel, Secom)

A alternativa de abrir um canal na Lagoa dos Patos para acelerar o escoamento das águas que inundam o Litoral do Rio Grande do Sul em direção ao mar, avaliada por especialistas, pode impactar uma das pescas mais tradicionais do Sul do país: a tainha.

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A Lagoa dos Patos é o criadouro das tainhas que migram em direção ao Norte em período reprodutivo, quando são capturadas, especialmente no Litoral de Santa Catarina. A safra da tainha é diferente de outros pescados, uma vez que elas são capturadas “ovadas”, ou seja, gestando os filhotes. Mudanças na dinâmica da lagoa podem interromper o ciclo de vida da espécie.

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O Instituto de Biociências (IBIO) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) publicou uma nota em que critica a proposta de abertura do canal, por considerar que a medida terá grande impacto ao meio ambiente e ao uso humano, e não há garantias de que será efetiva para escoar as águas.

“Outro canal não garante o escoamento, pois este depende do nível das marés, condições climáticas e regime de ventos, como já ocorre no canal de Rio Grande”, aponta a nota.

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“Na prática não se trata de abrir um canal de escoamento. Trata-se de fazer uma nova ligação entre a
laguna dos Patos e o mar, que poderá proporcionar tanto a saída de água doce quanto a entrada de água salgada mudando todo o ciclo da laguna, trazendo prejuízos ao ambiente e ao próprio uso humano, como na pesca, agricultura e navegação”, completa.

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Além da tainha, o IBIO cita outras espécies importantes para a alimentação humana que serão impactadas pela intervenção humana na Lagoa dos Patos:

“Toda a produtividade pesqueira de camarões, tainhas, bagres, e outras espécies dependem do ciclo natural de entrada de água do mar que regula a salinização na porção sul da laguna e da livre passagem pelo canal de Rio Grande”.

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A nota afirma, ainda, que mesmo em momentos de urgência qualquer interferência precisa considerar os riscos envolvidos:

“É preciso destacar ainda que em uma situação emergência é preciso ter cuidado, pois não há soluções
fáceis e rápidas. Qualquer intervenção necessita de estudos profundos e detalhados, pois pode acarretar em riscos sérios para o meio ambiente e às populações humanas de toda região envolvida”.