A tragédia no Rio Grande do Sul levantou nas últimas semanas a obrigatoriedade de uma discussão difícil, mas necessária, sobre mudar de lugar cidades inteiras em razão dos riscos climáticos – e Santa Catarina terá, mais cedo ou mais tarde, que fazer a mesma reflexão.

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Depois da região Sul do Estado, afetada pelas cheias que também atingiram os gaúchos, neste fim de semana é o Vale do Itajaí que volta a sofrer com enchentes, que estão cada vez mais constantes.

Os relatórios globais sobre os locais mais vulneráveis aos fenômenos climáticos extremos colocam o Rio Grande do Sul e Santa Catarina como os dois estados mais sensíveis no Brasil. A mesma avaliação consta na análise requisitada pelo Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional a diferentes universidades no país, para estabelecer os parâmetros do Plano Nacional de Defesa Civil.

Uma série de fatores contribui para que os períodos de chuvas sejam mais intensos por aqui. A maioria dos municípios de Santa Catarina cresceu na beira de rios – e alguns ocupam grandes áreas alagáveis e geograficamente dispostas como uma espécie de bacia, onde a água sobe rapidamente e fica retida. O resultado são as grandes enchentes.

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Chuvas no RS podem mudar cidades de lugar e resultar em migração para SC

Isso provoca situações dramáticas, como a que foi relatada na reportagem da colega Nathalia Fontana, que conta o drama de uma moradora de Rio do Sul que perdeu tudo na enchente de 2011. Ganhou uma nova casa do poder público, que foi destruída pela água em 2023. Agora, mora de aluguel – em área alagável e sujeita a uma nova enchente.

Nos acostumamos a dizer que o catarinense é um povo resiliente, que consegue se reerguer diante das adversidades. Mas a frequência dos fenômenos climáticos extremos nos obriga a refletir sobre a viabilidade de aplicar recursos públicos e privados em reconstruir as cidades nos mesmos lugares onde elas já foram arrasadas pela água. Além do uso equivocado de verbas muitas vezes escassas, significa risco iminente de vida para as pessoas.

Repensar nossas cidades implica em olhá-las como um todo, e entender que as enchentes não ocorrem mais com décadas de distância umas das outras – pode não haver tempo suficiente para se reerguer entre as tragédias, como ocorreu no RS. O cenário mudou, e é preciso proteger as pessoas em primeiro lugar.

Esta não é uma discussão simples, e não será feita sem dor. Mas o exemplo gaúcho mostra que é urgente.

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