O diretor-superintendente da APM Terminals no Brasil, Ricardo Arten, comentou em entrevista a retomada da movimentação no Porto de Itajaí. O terminal vai dobrar o volume de cargas a partir deste mês, com a chegada de três novas linhas.
Como se deu a negociação com os sindicatos?
Os Sindicatos têm sido importantes parceiros na retomada dos serviços para Itajaí. Graças ao alinhamento entre empresa e trabalhadores, foi possível concorrer aos serviços com propostas competitivas. O princípio de apoio mútuo, o diálogo contínuo e transparente e as relações de trabalho saudáveis que se estabeleceram nos últimos anos e que são refletidas no protocolo assinado representam um marco de união por Itajaí, o qual nos dá maior segurança ao buscar novas linhas, assim como oferece aos portuários a perspectiva de mais oportunidades de trabalho. Se hoje somos um dos portos com maior produtividade por guindaste do país, isso se deve também à experiência dos trabalhadores que movimentaram este porto ao longo das últimas décadas.
A disponibilidade do berço 3 foi importante para a conquista?
A disponibilidade do berço 3, assim como as obras da bacia de evolução, foram muito importantes para a atração destes serviços. Tanto o incremento do berço quanto do pátio foram essenciais neste processo de concorrência, pois aumentam a nossa capacidade operacional e de armazenagem, permitindo também uma maior flexibilidade em nossas janelas de atracação para os armadores.
Há restrições operacionais para algum navio destes serviços?
Todos estes serviços operam com navios de até 306 metros, para os quais é essencial dispormos de calado superior a 12 metros. Como as obras de dragagem de aprofundamento recentemente executadas pela Superintendência do Porto de Itajaí alcançaram a profundidade necessária, não há restrições operacionais para atendermos os navios destas rotas. O que necessitamos é que a dragagem de manutenção da profundidade continue eficaz. Também é importante a conclusão das obras da bacia de evolução para que a partir de abril estejamos habilitados a receber navios de 335 metros.
No que as obras da bacia de evolução influenciam neste contexto?
Precisamos que as obras da nova bacia de evolução ocorram dentro do prazo para recebermos todos os navios que hoje operam a linha da Ásia, a qual conecta a Costa Leste da América do Sul aos mercados da Malásia, Singapura, China e Coréia do Sul. O serviço é operado por 13 navios porta-contêineres dos armadores Hapag Lloyd, NYK, Hamburg Sud, ZIM, UASC e HMM. No entanto, apenas 6 destes 13 navios podem entrar em nosso canal de navegação, já que 7 deles possuem 335 metros, o que faz com que o serviço, que deveria ser semanal, ocorra quinzenalmente. Uma vez que a bacia de evolução esteja pronta, esperamos duplicar nossos volumes neste serviço, com atracação semanal e redução de tempos de trânsito para importadores e exportadores. É importante lembrar que temos também outra rota da Ásia que opera semanalmente hoje em Itajaí com navios de até 306 metros, a qual é servida pela Maersk Line, MSC e MOL.
Como está o processo de extensão do contrato de arrendamento da APMT no Porto de Itajaí?
Estamos aguardando a adequação do nosso contrato ao Decreto 9.048. O que posso afirmar, sem sombra de dúvidas, é que a APM Terminals quer sim permanecer em Itajaí. Prova disso é que estamos trazendo mais armadores e mais linhas, desenvolvendo mais produtos com foco nos clientes finais e fazendo uso da vantagem competitiva do nosso terminal, que é a condição única de Itajaí como plataforma logística para todo o Estado de Santa Catarina.