Um audacioso projeto de mobilidade urbana vai transformar algumas das principais ruas de Itajaí em um canteiro de obras, a partir dos próximos meses. A proposta inclui obras de custo e longo prazo que incluem a construção de seis pontes e a abertura de pelo menos três grandes binários, na Rua Brusque, na Avenida Osvaldo Reis e na Marcos Konder — onde o projeto inclui a retirada do canteiro central e o transplante das árvores para as novas calçadas.
A maior parte da verba virá de financiamentos. São R$ 198 milhões do fundo internacional Fonplata, que tem sede na Bolívia, outros R$ 60 milhões do Programa Avançar Cidades, do governo federal, e mais R$ 15 milhões do Badesc. Um total de R$ 273 milhões em empréstimos, sem contar a contrapartida do município.
Para pagar a conta, a prefeitura propõe criar operações de outorga onerosa — possibilitar às construtoras aumentar o número de andares dos prédios, por exemplo, em troca de recursos para quitar os empréstimos. É uma operação semelhante às de transferência de potencial construtivo (TPC) que possibilitaram a abertura da Avenida Martin Luther, em Balneário Camboriú. A princípio, a outorga deve se concentrar nos locais onde ocorrerão as intervenções.
As primeiras obras ocorrerão no Centro, onde os processos de desapropriação já estão em andamento, na região das ruas Alfredo Trompovski, Uruguai e Juvenal Garcia. O restante dos projetos ainda está em aberto, e pode ser alterado.
A prefeitura começou esta semana a debater o assunto com a sociedade civil organizada. A Associação Empresarial de Itajaí (ACII) foi a primeira a receber as propostas, que ainda passarão por outras entidades.
Auri Pavoni, assessor especial da Secretaria de Planejamento, diz que Itajaí será a cidade a sofrer a maior transformação urbana em Santa Catarina nos próximos anos.