Segunda-feira mesmo estava conversando com meu amigo e mestre padre Vilson Groh sobre a falta de oportunidade histórica que infelizmente impera dentro das periferias da Grande Florianópolis. Na região central de Floripa, por exemplo, as principais escolas que atendiam jovens oriundos no Maciço do Morro da Cruz fecharam. Silveira de Souza, Antonieta de Barros e Colégio Celso Ramos ficaram apenas na memória, o que acabou contribuindo para os altos índices de analfabetismo nas regiões carentes de educação pública.
Mais tarde, a Escola Lúcia Maivorne, que teria o mesmo destino, foi salva por ter se tornado uma unidade administrada pelos irmãos maristas. O mesmo acontece no norte da Ilha que, não por acaso, é a região onde a violência mais tem feito vítimas e, consequentemente, é considerada a mais violenta da Capital.
Os recordes do norte não param por aí: é lá também que as vagas em escolas públicas são as mais procuradas. E, o que é pior, pais e mães desejando desesperadamente que seus filhos encontrem outras realidades e opções que não sejam o tráfico de drogas.
Cá entre nós, os moldes da educação pública no país já não são dos mais atrativos, ainda nos vêm com novas estruturas disciplinares que fazem com que matérias formadoras de bons cidadãos sejam extintas ou colocadas em segundo plano. Na boa, se não tivermos uma readequação pra facilitar o ingresso dos jovens dos bairros do norte, nas unidades de ensino, vamos estar contribuindo ainda mais para que a rua forme novos criminosos.
O que é mais triste a meu ver, é que as mães choram pela impotência, por não conseguirem fazer com que seus pequenos assimilem os altos riscos de seus envolvimentos com a contradição. Quando notarmos que a omissão do poder público e da maior parte da sociedade estão matando nossos jovens, estaremos reféns e a mercê da violência.