China fecha porto por um caso de Covid e atrasa o transporte mundial

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Porto de Ningbo, no Sul da China (Foto: Dreamstime.com, divulgação)

O governo chinês tem sido rigoroso no enfrentamento da Covid-19. A mostra disso foi o fechamento de um dos terminais do terceiro maior porto do mundo, o Ningbo-Zhoushan na última quarta-feira (11/08). Um trabalhador testou positivo para a variante Delta de Covid e cerca de 2 mil portuários foram colocados em isolamento. Menos de uma semana depois, essa decisão chinesa já causava nesta segunda-feira filas de 350 navios, informou o site do jornal O Globo.

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O temor é de que essa paralisação cause estragos semelhantes aos provocados pelo problema do navio Even Given, que encalhou no Canal de Suez em março, por seis dias. O fechamento do terminal agrava a difícil logística mundial ainda não recuperada da primeira onda da pandemia em 2020.

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A decisão das autoridades chinesas em Ningbo preocupa a empresária Aline Martins Faraco, diretora da Faracomex, empresa de comércio exterior de Florianópolis. Ela alerta que esse problema deve causar atrasos em cascata e agravar ainda mais as dificuldades do comércio internacional, que enfrenta também demora por falta de matérias-primas na China, falta de contêineres e excesso de demanda dos Estados Unidos em função da retomada econômica.

– O Porto de Ningbo é uma das principais rotas de cargas da China para o Brasil. O fechamento do terminal preocupa porque os navios que atracam em Ningbo que vêm da Índia, que também é uma rota comum, têm que ficar em quarentena. Isso gera um efeito cascata que atrasa todo o rodízio de navios no mundo – alerta a empresária.

Executivos do Porto de Itapoá, no litoral Norte catarinense, estimam que se ocorrerem impactos em Santa Catarina em função desse fechamento na China, eles começarão a ser sentidos daqui a 20 ou 30 dias. Itapoá é o líder em movimentação de contêineres no Estado.

De acordo com Aline Faraco, outro problema é o custo crescente do frete marítimo, que somente no ano passado subiu seis vezes. Ela calculou que nos últimos cinco anos, o frete aumentou 540%. Em função desse alto custo, tem importador que está postergando compras esperando uma queda de custo que não existe no horizonte.

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Outros seguem comprando, mas vão repassar os custos maiores ao consumidor. A empresária diz que o ciclo de um navio é de 50 a 60 dias. Depois disso, será possível ter ideia de quanto será o impacto desses problemas logísticos na balança comercial catarinense.

O problema logístico na China que afeta o mundo todo gera efeitos diversos nos preços. Os custos de parte das matérias-primas que dependem de produção chinesa ficaram mais caros e seguem pressionados. Mas o impacto da variante Delta também está levando cidades a decretar isolamento e isso vem reduzindo atividade econômica e os preços de commodites no mundo, em especial do petróleo e de minérios. Apesar disso, o dólar segue pressionado no Brasil em função dos problemas políticos causados pelo presidente Jair Bolsonaro.