Quando viajamos pelo Brasil e o mundo, com frequência nos deparamos com metais sanitários economizadores de água da marca Docol. A empresa de Santa Catarina, que está celebrando 70 anos, traz na trajetória 321 patentes, série de prêmios internacionais de design e olha para o futuro com ainda mais otimismo. Vai fechar 2026 com receita bruta da ordem de R$ 1,5 bilhão, planeja triplicar a fábrica de louças sanitárias em Minas Gerais e acelerar inovações com produtos que melhoram até a saúde do coração.
“Gostamos de ser indústria”, sintetizou o presidente da companhia, Guilherme Bertani, ao falar dia 8 deste mês no evento que celebrou o aniversário de sete décadas. Com quatro fábricas no Brasil, parcerias e moderno centro de inovação a Docol vai além. Cria produtos diferenciados como uma torneira que funciona com inteligência artificial, exporta para mais de 35 países de todos os continentes e chama a atenção por oferecer garantia de toda vida para produtos de uso residencial.
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Além do impacto social direto com 2,6 mil empregos e o movimento na economia, a Docol investe na preservação ambiental, na cultura e no desenvolvimento social com os institutos Ingo Doubrawa e You.UP. Saiba mais sobre a Docol na entrevista do seu presidente Guilherme Bertani:
A Docol é uma empresa com trajetória relevante na indústria, marcada por inovações. Como ela chega aos 70 anos?
– A Docol chega aos 70 anos bastante forte, eu diria, com uma posição muito consolidada no mercado. Isso é fruto da sua história, focada no comprometimento, no compromisso, na inovação, na qualidade, em gostar de fabricar e também no orgulho de ser catarinense.
Acho que essas características fizeram com que nós, ao longo de 70 anos, saíssemos de uma empresa pequena, como muitas são quando nascem, para rapidamente ganharmos espaço. Já na década de 1980, a Docol era a segunda maior empresa do mercado. Era um mercado bastante competitivo, com mais de 80 marcas, inclusive empresas centenárias. A Docol conseguiu ultrapassar todas principalmente baseada na qualidade e na inovação de seus produtos.
A empresa foi crescendo porque conseguiu mostrar ao cliente os diferenciais dos seus produtos. A Docol sempre teve também um olhar para a exportação, e isso ajudou a melhorar ainda mais os processos fabris e o padrão de qualidade.
De que maneira a entrada no mercado internacional contribuiu para elevar esse padrão?
– Um dos primeiros grandes projetos da Docol foi exportar para os Estados Unidos, um mercado muito mais exigente. Nós fomos crescendo muito em cima disso. A empresa sempre se preocupou também com a governança e fez questão de seguir todas as legislações.
Quando compramos uma empresa em São Paulo chamada Mekal, por exemplo, ela ainda não tinha implantado tudo o que determinava a NR-12, que trata da segurança no trabalho e dos postos de trabalho.
Nós queríamos muito fazer o negócio, mas dissemos: “Olha, só vamos fazer se vocês implantarem toda a NR-12 na fábrica”. E o antigo proprietário falou: “Mas nunca vi fiscalização nenhuma aqui”. Nós respondemos: “Não é isso que importa”.
O importante é seguir o que determinam as normas e pensar na segurança dos colaboradores em primeiro lugar. Esses são princípios que nos permitem dormir tranquilos. Nós não devemos nada a ninguém e pensamos realmente em como continuar crescendo.
Crescimento em 2026
E quando a Docol chegou à marca de R$ 1 bilhão de faturamento? Qual é a expectativa para este ano?
– Nós chegamos a R$ 1 bilhão em 2023. Para este ano, nossa expectativa é faturar perto de R$ 1,4 bilhão, podendo chegar a R$ 1,5 bilhão. É um ano difícil, bem mais difícil do que imaginávamos. Estamos conseguindo crescer um pouco, mas reduzimos nossa expectativa. A questão dos juros e do endividamento das famílias chegou, acredito, ao auge neste ano.
De que forma esse cenário econômico impacta as vendas da Docol e o mercado da construção civil?
– A construção civil acaba sentindo mais. Vemos que os projetos do Minha Casa, Minha Vida continuam em ritmo forte e os empreendimentos de alto padrão também. Mas o que movimenta muito a economia são os empreendimentos de médio padrão, como os apartamentos de dois dormitórios. Esse mercado realmente sofreu uma desaceleração desde o ano passado.
O número de lançamentos é muito pequeno. Tanto que uma das tendências que observamos em algumas capitais é que as pessoas, por falta de opções, acabam comprando apartamentos antigos e reformando, porque faltam imóveis novos nessa faixa intermediária de preço.
Vocês vão conseguir crescer neste ano?
– Nós devemos crescer entre 3% e 4%. Será uma variação muito próxima da inflação.
Falando agora dos próximos passos da empresa: quais são os principais planos de investimento da Docol?
– Temos planos de investimento. O principal deles é na fábrica de louças sanitárias, onde queremos ampliar a capacidade produtiva. Hoje produzimos 30 mil peças por mês e queremos ir para 90 mil peças. Esse é o nosso principal plano de investimento. Aqui em Santa Catarina também estamos ampliando algumas linhas de produção para aumentar a capacidade.
Estamos esperando uma definição melhor, uma clareza maior sobre os rumos da economia brasileira, para destravar esses investimentos e outros também. A situação econômica do país coloca uma série de dúvidas e, querendo ou não, os juros nesse patamar acabam inibindo um pouco os investimentos.
Estamos começando a discutir o orçamento do ano que vem. É quando realmente vamos oficializar os dados sobre os investimentos.
Êxito na estreia em louças sanitárias
Como foi a entrada da empresa no segmento de louças sanitárias?
– Tivemos muito êxito quando entramos no mercado de louças sanitárias. Lançamos linhas com diferenciais tecnológicos que nenhuma outra empresa oferecia no Brasil.
O mercado reconheceu isso e conseguimos rapidamente ocupar uma posição importante. É um produto realmente reconhecido. Muitas vezes, não conseguimos vender mais porque não conseguimos produzir mais. Uma das limitações que temos hoje é justamente a capacidade produtiva.
E a ampliação da produção permitirá também diversificar o portfólio?
– Sim. Agora queremos entrar em outras faixas de preço para ter um portfólio mais amplo. O mercado reconhece que temos um diferencial, e isso combina muito com a nossa estratégia nos metais sanitários. Uma coisa acaba ajudando a outra.
Qual foi a importância da inovação na trajetória de 70 anos da Docol?
– A inovação sempre fez parte da nossa história. É um dos diferenciais da Docol. Sempre acompanhamos as tendências do mercado, mas fizemos, e continuamos fazendo, questão de desenvolver nossas próprias soluções. Foi assim com a válvula de descarga, com os metais sanitários e com as diferentes tecnologias de acabamento.
Pode citar alguns exemplos dessa evolução tecnológica?
– No passado, aplicávamos ouro para obter o acabamento dourado. Hoje existe outra tecnologia para isso. Também tivemos as torneiras economizadoras de água e, mais recentemente, a Docol Ozônio, um misturador para cozinha que mistura água com ozônio e permite a limpeza de alimentos e saladas sem a utilização de produtos químicos. Ela também auxilia na remoção de agrotóxicos dos vegetais.
Além disso, a Docol é uma das empresas latino-americanas mais premiadas internacionalmente em design. Existem institutos europeus que premiam os melhores produtos do ano, e a Docol é a segunda maior vencedora da América Latina.
Qual é a importância desse reconhecimento internacional para a marca?
– Isso nos dá notoriedade porque quem avalia o design são especialistas. Esse reconhecimento é muito importante para a empresa porque demonstra que temos domínio sobre o assunto. Também é importante porque nossos produtos têm uma dupla função. Uma torneira, por exemplo, além de fazer parte do cotidiano por sua função prática, é também um elemento de decoração.
Projeto Docol BIM de inovações à saúde
Atualmente, quais são as principais apostas da Docol em novas tecnologias?
– Estamos apostando muito no projeto Docol BIM (do inglês Building Information Modeling). É uma inovação porque entendemos que o banheiro e a cozinha, que antes eram vistos basicamente como locais destinados à higiene e ao preparo de alimentos, estão se transformando.
Antes, as pessoas conviviam mais na sala e agora convivem muito mais na cozinha. Entendemos que o banheiro e a cozinha estão se tornando cada vez mais ambientes de bem-estar. E isso vai muito além do relaxamento que as pessoas buscam, por exemplo, quando tomam banho.
Essa ideia de bem-estar também está relacionada à saúde e à longevidade?
– Sim. Estamos pensando também na longevidade. A Docol está desenvolvendo produtos que utilizam tecnologias como luz ultravioleta e luz vermelha. Estamos lançando uma sauna e, posteriormente, pretendemos incorporar essas tecnologias também ao box e ao chuveiro.
E quais benefícios essas tecnologias podem proporcionar?
– Elas podem contribuir para melhorar a circulação e a saúde cardiovascular das pessoas. A proposta é incorporar cada vez mais tecnologias voltadas ao bem-estar e à saúde aos ambientes do banheiro.
A luz infravermelha tem uma série de benefícios, e existem estudos científicos sobre isso. Funciona quase como uma sauna. São benefícios relacionados à circulação, à longevidade e também à imunidade.
O Docol BIM busca justamente sintetizar essa visão de futuro que temos: a de que o banheiro contribuirá cada vez mais para a saúde e a longevidade das pessoas. E a cozinha também seguirá esse caminho.
Além do infravermelho, que outras tecnologias voltadas ao bem-estar estão sendo desenvolvidas?
– Temos a questão da imersão em água supergelada. Estamos desenvolvendo um ofurô que será lançado com essa proposta. É possível regular a temperatura de 1 a 15 graus. E também temos a banheira de microbolhas, que utiliza uma tecnologia japonesa que adaptamos para esse produto.
As microbolhas penetram mais profundamente na pele, proporcionando uma limpeza mais profunda e aumentando naturalmente a hidratação. Então, a pessoa fica 15 minutos relaxando e sai com a pele mais hidratada.
E uma outra novidade para o banho pode ser água no chuveiro com espuma?
– Sim. Estamos desenvolvendo também a questão da espuma produzida pelo próprio chuveiro. Quando a pessoa estiver tomando banho, em vez de colocar o shampoo na mão e espalhar no cabelo, poderá apertar um botão e receber a água já misturada com a quantidade adequada de shampoo para lavar o cabelo.
Essa tecnologia também pode ser usada com sabonete. A espuma permite uma melhor distribuição sobre a pele, proporcionando limpeza e hidratação com esse equipamento incorporado ao chuveiro.
Quais são as inovações previstas para a cozinha?
– Na cozinha, temos a tecnologia do ozônio, que queremos aprofundar, inclusive em modelos de purificação de água e com outros benefícios. Temos uma torneira que fornece água quente, inclusive a 90 graus, para fazer chá, café ou sopa, além de água com gás, água gelada e água purificada.
Então a visão da Docol é de que banheiro e cozinha deixarão de ser ambientes apenas funcionais?
– Exatamente. Entendemos que o futuro do banheiro e da cozinha vai muito além da parte funcional. Esses ambientes poderão proporcionar uma série de benefícios relacionados à saúde, ao bem-estar e à longevidade.
– A área de longevidade é uma das que mais crescem nos Estados Unidos e na Europa. As pessoas estão investindo cada vez mais em equipamentos voltados ao bem-estar. Vemos, por exemplo, as máscaras coreanas utilizadas no rosto e outros produtos desse tipo.
E percebemos que essa tendência está chegando também aos equipamentos para a casa. Antes, pensávamos em uma sauna como algo para um hotel ou uma academia. Hoje vemos que, à medida que as pessoas conhecem os benefícios e esses equipamentos se tornam mais acessíveis, elas querem ter essas tecnologias dentro de casa.
Atenção ao grande mercado brasileiro
Essas novas linhas são pensadas principalmente para exportação ou para o mercado brasileiro?
– Principalmente para o mercado interno. Hoje temos um showroom em São Paulo, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, que é um dos principais centros de design e decoração do Brasil. Fizemos uma parceria com o Kurotel, que mantém um spa dentro do nosso showroom. Assim, além de realizarem os tratamentos do spa, as pessoas podem experimentar os nossos produtos. Enquanto fazem os tratamentos, elas já têm contato direto com as soluções da Docol.
Falando ainda sobre exportações, a Docol já tem uma presença internacional bastante ampla. Quanto as exportações representam hoje no negócio da empresa?
– As exportações representam quase 15% do nosso negócio. Exportamos desde o Chile até o Canadá, portanto estamos presentes em quase todos os países das Américas. Exportamos também para alguns países da Europa, da África, do Oriente Médio e da Ásia. Chegamos até a Oceania com exportações para Austrália e Nova Zelândia.
Exportamos principalmente nossa linha de torneiras economizadoras de água e os misturadores de cozinha. Essas são as nossas duas principais linhas exportadas. Temos também as torneiras com sensor, que tiveram uma importância ainda maior durante a pandemia.
Garantia Toda Vida a produtos residenciais
Um diferencial da Docol, que chama a atenção, é a concessão de garantia para a vida toda. Desde quando oferece e para que produtos?
– Começamos em 2010. Portanto, já oferecemos essa garantia há 15, 16 anos. Fizemos isso em função do rigoroso controle de qualidade que temos. Todos os nossos produtos são testados mais de uma vez e 100% deles passam por testes. Isso nos permite ter a segurança de que dificilmente uma pessoa terá algum problema quando instalar um produto Docol em casa.
É uma garantia que abrange os produtos residenciais. Os produtos comerciais, utilizados em locais públicos, têm uma garantia reduzida porque estão instalados em ambientes de menor controle e mais sujeitos, por exemplo, ao vandalismo.
Como vocês avaliam, na prática, esse benefício aos consumidores?
– Temos um desempenho destacado no Reclame Aqui. Se a garantia não funcionasse de verdade, não teríamos uma boa avaliação. Nossa visão é de que o produto não é feito para apresentar defeito de fabricação.
Oferecemos essa garantia para todos os produtos residenciais. Isso inclui as louças sanitárias. Elas são produtos que menos apresentam problemas. Podem durar muito tempo.
Atuação da Docol no social
Ao longo desses 70 anos, a Docol também desenvolveu uma forte atuação social. Como essa preocupação com a comunidade foi incorporada à trajetória da empresa?
– A Docol sempre teve uma preocupação com a comunidade. Ao longo do tempo, fomos amadurecendo esses apoios e também a governança dessas iniciativas. Foi então que a Docol resolveu criar o Instituto Ingo Doubrawa, em homenagem ao seu Ingo, que sempre foi um defensor muito dedicado da ecologia, do uso racional da água e da responsabilidade das empresas.
Por meio do Instituto Ingo Doubrawa, apoiamos a comunidade em diversos projetos, muitos deles relacionados ao meio ambiente. Aqui em Joinville, por exemplo, apoiamos um projeto de proteção do guará, aquela ave de coloração avermelhada. O guará havia desaparecido da Baía da Babitonga e voltou a ser encontrado na região. É uma espécie muito sensível à poluição.
O fato de ele ter voltado é um sinal da melhoria das condições da baía. Existe um projeto para proteger a espécie, o Projeto Guará, e nós ajudamos a financiá-lo. Também já financiamos outros projetos nesse sentido. E nossa atuação não se limita ao meio ambiente com o Instituto Ingo Doubrawa. Apoiamos iniciativas culturais de Joinville e da região.
Além do Instituto Ingo Doubrawa, os acionistas da Docol criaram o Instituto You.UP. Qual é a proposta desse instituto?
– Os acionistas da Docol perceberam que existia uma demanda não atendida na área educacional, especialmente entre crianças com dificuldades de aprendizagem. Temos crianças com autismo, síndrome de Down e também aquelas com desempenho dentro da média. Mas, entre esses públicos, existe um número enorme de crianças com TDAH, déficit de atenção, discalculia, dislexia e outras condições. Muitas vezes, as famílias não recebem a orientação adequada e encontram dificuldades até mesmo para obter um diagnóstico.
O Instituto começou com a ideia de apoiar as famílias, principalmente as mais carentes, na obtenção de um diagnóstico e, a partir daí, ajudá-las no encaminhamento para os tratamentos e terapias mais adequados ao desenvolvimento da criança. Esse trabalho foi evoluindo e hoje temos também uma parceria com a prefeitura.
Quantas crianças já foram beneficiadas?
– O Instituto auxilia crianças com dificuldades de aprendizagem em escolas atendidas pelo projeto. No total, já ajudamos mais de 1.200 crianças e, com a ampliação dessas iniciativas, poderemos atender muitas outras.
É um grande desafio porque as escolas ainda não estão preparadas para educar crianças com neurodivergências da maneira como deveriam.
Falta também capacitação para os professores?
– Existe uma obrigação legal das escolas, mas os professores nem sempre estão capacitados para lidar com essas situações. O Instituto procura justamente oferecer esse apoio para que essas crianças consigam ter um aprendizado adequado.
Pequenas mudanças na forma de ensinar podem fazer a diferença. Muitas vezes, não significa que a criança seja incapaz de aprender. Se o professor ou a escola adaptar um pouco a maneira de ensinar, essas crianças podem apresentar um desempenho semelhante ao de qualquer outra criança. São pequenos detalhes que fazem toda a diferença na vida e no futuro de alguém.









