A Franke, multinacional do grupo suíço Artemis com fábrica em Joinville, líder brasileira e mundial em soluções e equipamentos para cozinhas domésticas e outros itens, acaba de completar 20 anos no país. O presidente da empresa para o Brasil e América Latina, o engenheiro paranaense Fabio Boulos Machado, afirma que apesar da espera pela política, a empresa prevê crescer de 5% a 10% este ano. Cubas e pias de inox são os produtos mais populares do grupo suíço que atua também com produtos AAA, emprega 9 mil pessoas em 37 países e fatura mais de 2,1 bilhões de euros.
Como a Franke ingressou no mercado Brasileiro?
A opção da companhia foi entrar no Brasil por meio da compra da Metalúrgia Douat, de Joinville, em 1998. Em 2015, a empresa inaugurou a nova unidade fabril às margens da BR-101. Agora, além do mercado brasileiro, estamos buscando uma expansão de vendas na América Latina.
Quais são as expectativas para os próximos anos?
O mercado da construção civil brasileiro encolheu 30% ou mais desde 2013 em função da crise. Para o setor de construção, esta é uma fase ainda complicada. Mas no ano passado frente ao ano anterior, a Franke cresceu 17% e este ano devemos crescer entre 5% e 10%. Para 2019 pretendemos manter esse ritmo de crescimento. Mas estamos apreensivos com a eleição de outubro porque, dependendo do vai acontecer, as coisas podem mudar. Apesar disso, a gente segue crescendo e não deixamos de investir em nenhum momento. Não só em inovação e em lançamento de novos produtos – este ao lançamos 30 produtos – mas também estamos investindo na fábrica. O lançamento de novos produtos é fundamental para o futuro da companhia.
Quanto a empresa está investindo?
Este ano, os investimentos foram mais voltados à fábrica, em automação de manufatura. Investimos R$ 3 milhões na aquisição de dois robôs. Um já foi instalado e outro inicia atividades agora em outubro.
Esses robôs tiraram empregos?
Não. Nós absorvemos boa parte dos operadores numa outra célula de produção de cooktops. Nós temos 220 funcionários em Joinville. Agora, é inegável que automação está aí e operações muito básicas vão acabar sendo substituídas. A gente percebe que se abrem outras oportunidades dentro da própria empresa. Mas é importante que os trabalhadores estejam preparados, e nós estamos preparando eles para essas novas atribuições. Esse é o grande desafio.
Como estão as exportações?
Em 2017, as vendas ao mercado externo responderam por 5% do nosso faturamento. Este ano, devem chegar perto de 10%. Nossos principais focos no exterior são os mercados chileno e colombiano. No Chile, temos um trabalho forte com um distribuidor local. Na Colômbia iniciamos vendas. A metade dessas exportações são produtos fabricados em Joinville e a outra metade vem das nossas plantas da Europa, mas as exportações são feitas pela nossa unidade em SC. Temos um executivo no Chile que coordena as vendas em outros países da América Latina.
Vocês atuam com produtos para as diversas faixas de renda. Como trabalham os mercados?
É exatamente isso. Os eletrodomésticos são para as classes A e B, mas as pias e cubas vão desde a classe C, com produtos mais populares, manufaturados em Joinville. Temos também cubas para o mercado AAA que custam R$ 15 mil, que são produtos feitos nas nossas fábricas da Suíça ou Itália. Já o segmento de eletrodomésticos para cozinhas tem foco nas classes de maior poder aquisitivo. Para esse público, a experiência no ponto de venda e o trabalho de arquitetos é fundamental. Em agosto, inauguramos um corner na C&C, em São Paulo.