Economista que comandou o Ministério da Fazenda nos oito anos dos governos de Fernando Henrique e presidiou o Banco Central na gestão de Itamar Franco, Pedro Malan alerta que o novo presidente da República não poderá abrir mão de fazer a reforma da Previdência. Nesta entrevista solicitada pela coluna quando ele esteve em Florianópolis falando gratuitamente para jovens no Fórum Liberdade & Democracia dia 16 deste mês e respondida por e-mail esta semana, Malan também comenta ajuste fiscal e defende maior abertura da economia ao exterior.
Como avalia o cenário econômico para o Brasil este ano? O PIB pode crescer perto de 3%?
Sim, é possível chegar a um crescimento “perto de 3%” nesta recuperação cíclica em que estamos, após uma recessão que se estendeu de abril/maio de 2014 até novembro/dezembro de 2016. Mas o foco agora deveria ser em como assegurar o crescimento sustentado no longo prazo, para muito além de 2018.
O Congresso Nacional não conseguiu aprovar a reforma da Previdência este ano e a pauta ficará para o próximo governo. Essa reforma deveria vir com medidas mais duras em 2019 por ter sido postergada? E se o novo governo preferir não fazer?
O novo governo não terá condições de não fazer nada para superar o problema das contas públicas no Brasil, dentre os quais a reforma da previdência é imprescindível. Um novo governo teria que ser muito irresponsável para “preferir não fazer nada” porque ficaria totalmente amarrado e incapaz de tomar decisões sobre suas prioridades em várias outras áreas como educação, saúde e segurança.
O que Brasil precisa fazer para ter equilíbrio fiscal de longo prazo?
Entender que o Estado não gera recursos, apenas distribui recursos que por ele transitam e que vem ou de impostos sobre a geração atual (inclusive sobre os mais pobres via impostos indiretos) do endividamento (que são impostos sobre gerações futuras) de mais inflação, de uso seletivo e não transparente de recursos de poupança compulsória (FGTS, fundos de pensão de estatais) de vendas de ativos de que disponha, de concessões no setor privado. E tão importante quanto entender que o governo – qualquer governo – precisa fazer escolhas difíceis, definir prioridades compreender que nem tudo é possível porque desejável no curto prazo. Nem tudo depende apenas de vontade política.
A maior abertura da economia brasileira seria uma alternativa para aumentar investimentos e o crescimento econômico?
Uma maior e melhor integração da econômica brasileira com o resto do mundo deveria ser um componente da estratégia de aumentar os investimentos e o crescimento econômico. O Brasil é um dos países mais fechados do mundo. Somos a sétima, oitava ou nona maior economia do mundo (dependendo da taxa de cambio que se utiliza) mas temos a 27ª ou 28ª posição em termos de exportações. Precisamos ser um pouco mais competitivos na disputa por mercados externos, e na disputa pelo nosso mercado doméstico com produtos e serviços potencialmente importados, sem excessivos e permanentes protecionismos. Isto significa aumentar nossa produtividade, sem a qual não existe crescimento sustentável de longo prazo com geração de emprego, renda e inclusão social.
Leia outras publicações de Estela Benetti
Veja também: