Fintech de SC que ensina finanças a trabalhador chega a 80 empresas

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João Zaratine e Gustavo Raposo, sócios da fintech Leve, que ensina gestão financeira a trabalhador (Foto: Divulgação)

Pegar as pessoas pela mão e guiá-las para uma vida financeira mais equilibrada. Este é o propósito da Leve, fintech de Florianópolis que oferece uma plataforma financeira e consultoria, acelerou crescimento nos últimos meses ao chegar a 80 clientes empresariais no Brasil, 10 mil pessoas cadastradas e atrair R$ 12 milhões em aportes de investidores. 

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A Leve tem à frente dois empresários que já foram cofundadores e sócios de empresas de tecnologia em SC. O CEO Gustavo Raposo, que abriu a Leve em julho de 2019, foi cofundador da Arvus, empresa de sistemas para o agronegócio vendida para a sueca Hexagon. João Zaratine, sócio e CRO (diretor de receita) da Leve, foi cofundador da Conta Azul, de Joinville, uma das empresas de SC cotadas para ser unicórnio. A fintech se posiciona como um negócio da ‘próxima geração’, que visa ajudar as pessoas, mas que também acaba tendo lucro, explicam eles.

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Contas em dia, dívidas pagas, uma poupança e a realização de sonhos estão no pacote de serviços a trabalhadores que é oferecido às empresas que adotam o sistema da Leve. Elas disponibilizam aos seus empregados uma plataforma voltada para a melhora da relação deles com o dinheiro e, com isso, têm equipes mais engajadas, produtivas e felizes.

– O problema do estresse financeiro impacta diretamente na produtividade. Com a falta de dinheiro, é comum, por exemplo, o colaborador faltar para fazer um bico, porque naquele dia valia a pena ele ganhar R$ 200 do bico e não ir trabalhar. A pessoa que está estressada – e a falta de dinheiro é uma grande causadora de estresse – briga com o colega de trabalho, não faz as tarefas direito, desengaja, troca de emprego por causa de R$ 100, e a empresa tem que recontratar, treinar – afirma Raposo, CEO da Leve.

A ideia da empresa surgiu dentro de casa, com a ajuda de Raposo a uma funcionária que estava com problemas financeiros. O engenheiro viu a oportunidade de desenvolver um produto que atendesse essa dor. Atualmente, cerca de 80 empresas utilizam a Leve, que teve seu principal produto, a plataforma de orientação financeira, disponibilizado recentemente, em abril deste ano. Hoje, 10 mil pessoas já têm acesso ao sistema, sendo a plataforma utilizada por metade delas.

– Cerca de 50% dos brasileiros estão devendo de alguma forma, entre 25% e 30% estão endividados com alguma conta vencida, digamos assim. A grande maioria é cartão de crédito, cheque especial e crediário no varejo. Cerca de 25% dos colaboradores que nós atendemos não conseguem chegar no fim do mês com o dinheiro que recebe. É um problema super -relevante no Brasil – afirma Raposo.

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O primeiro serviço oferecido pela fintech foi uma linha de crédito para trabalhadores endividados. Mas bastou um ano para Raposo entender que o crédito não era a solução e, sim, uma ferramenta, e foi aí que João Zaratine, fundador da Conta Azul, entrou em campo e a orientação financeira virou a grande aposta.

– As outras empresas brasileiras de bem-estar financeiro são empresas de crédito, que emprestam dinheiro, e têm lá um blog de orientação financeira, e não é isso que nós fizemos. Nós pegamos o cara pela mão e ajudamos ele a resolver os problemas financeiros dele. O brasileiro da vida real está preocupado com as contas do fim do mês e não em encontrar o melhor investimento financeiro para um dinheiro que ele nem tem. Queremos fazer um negócio de impacto para as pessoas de fato – afirma o engenheiro.

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Atualmente com equipe de 40 pessoas, a Leve oferece um serviço onde o colaborador, com o uso de uma plataforma disponibilizada pela empresa em que trabalha, ganha acesso a um consultor financeiro.

– O trabalhador faz o acesso, a gente entende como é a vida financeira dele e encaminha para um consultor financeiro, alguém de verdade, que vai pegar essa pessoa pela mão e resolver problemas da vida real, tirar o nome do Serasa, quitar dívida, sair do cheque especial, e assim por diante, e aí, em paralelo, oferecemos serviços financeiros contextualizados. Está muito baseado em entender o problema da pessoa, resolver e ajudar. E, depois, partimos para o próximo passo. Quitou a dívida, então vamos começar economizar, a pensar em um sonho, e assim por diante – explica Raposo.

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Para o empresário, o mercado financeiro, de maneira geral, não incentiva o equilíbrio das contas, não olha para a pessoa, até porque, vive disso. Uma pessoa que ganha R$ 2 mil facilmente tem três cartões de crédito, e facilmente, também, consegue se enrolar e acumular dívidas.

Segundo Raposo, o incentivo à educação financeira vem sendo uma aposta em outros lugares no mundo. EUA têm duas empresas que investem no assunto, e a Inglaterra, uma. Foi nesses negócios que ele buscou inspiração para o modelo da Leve Finanças, que é pioneira no Brasil em vários sentidos.

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– Somos uma companhia que ajuda as pessoas e ao mesmo tempo ganha dinheiro, porque não é uma ONG, é uma companhia que a gente chama ‘da próxima geração’, onde ajudar e estar alinhado com o cliente é tão importante quanto ganhar dinheiro. Acho que não vão existir companhias daqui 10 anos que não pensem assim. A gente só está tentando ser a primeira do mercado financeiro. Do mesmo jeito que não teremos mais carro a gasolina, não teremos mais empresas que só exploram e não devolvem nada para a sociedade. Estamos pensando um pouquinho lá na frente – explica Raposo.