Tarifas de Trump: WEG e Portobello endossam defesa do Brasil em audiência nos EUA contra taxa de 25%

O representante do escritório de SC nos EUA, Rodrigo Prisco Paraíso, e também representantes das indústrias WEG, Portobello e Schaefer Yachts participaram da audiência pública sobre decisão de taxar produtos brasileiros em 25%

Compartilhe:
Foto mostra as fachadas das empresas WEG e Porttobello para ilustrar matéria sobre ida de representantes de SC para audiência nos EUA contra tarifas de 25% sobre produtos

Empresas de SC, como WEG e Portobello, estiveram em audiência nos EUA contra tarifas de 25% para produtos brasileiros (Foto: Reprodução)

A audiência pública de dois dias realizada nesta semana pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre o plano de taxar em 25% importações do Brasil pela Seção 301 foi acompanhada pelo representante do escritório de SC nos EUA, Rodrigo Prisco Paraíso, e por representantes de indústrias de SC como a WEG, Portobello e Schaefer Yachts, e também da Klabin, que tem fábrica em SC. Se a taxação for adotada a partir do dia 15 deste mês, a economia catarinense será uma das mais afetadas.

Continua após a publicidade

Rodrigo Prisco informou para a coluna que o setor privado brasileiro usou na audiência diversos argumentos para evitar a nova tarifa, destacando a complementaridade das economias dos dois países e que partes industriais e produtos agrícolas não deveriam ser taxados. As empresas brasileiras pediram exceções para seus produtos como plano B caso a seção 301 seja aplicada pelo governo de Donald Trump.

– Os painéis foram muito técnicos, com algumas discussões aprofundando aspectos do fornecimento de matérias primas e dos custos operacionais de eventuais mudanças de supply chain. A impressão dos participantes é de que a aplicação da tarifa vai depender das negociações entre os governos federais americanos e brasileiros, mas de que alguns produtos devem ter seus pedidos de exceção aceitos – avaliou Rodrigo Prisco.

Continua após a publicidade

O representante de SC achou importante o fato de a defesa das empresas catarinenses WEG, Portobello e Schaefer ter sido feita diretamente pelos executivos americanos dessas companhias nos EUA. Segundo ele, isso trouxe um peso maior na importância das importações dessas empresas para a manutenção das operações industriais nos EUA.

Na audiência, Peter Barry, CEO da WEG EUA, disse que produtos chineses irão ocupar o espaço dos produtos fabricados pela empresa de SC caso as tarifas sejam aplicadas.

O board member da Portobello nos EUA, James Durbin, afirmou que a unidade da companhia necessita de produtos e da matéria prima que vem das outras empresas do grupo Portobello no Brasil. São itens essenciais para a manutenção dos empregos gerados pela planta no Tennessee.

De acordo com o representante de SC, a principal pergunta dos integrantes do governo americano na audiência foi sobre alternativas para fornecimento a empresas americanas hoje atendidas por empresas brasileiras. E vários industriais americanos presentes informaram que diversos produtos seriam substituídos por fornecedores baseados na China.

Continua após a publicidade

Veja quais produtos mais exportados de SC aos EUA

Governo federal tem apoio de outras empresas em defesa do fim das tarifas

O Brasil teve representação pública do governo federal, mas o setor privado foi o que mais defendeu o país na audiência porque o governo participa das negociações diretas com o governo dos EUA.

Do setor privado, participaram representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Câmara de Comércio Estados Unidos-Brasil (Amcham).

Continua após a publicidade

Os representantes dos setores afetados foram divididos em 14 painéis sendo que cada um tinha 5 minutos para resumir sua defesa. Após os resumos a bancada podia fazer perguntas.

Conforme Rodrigo Prisco, a Amcham destacou que tarifas não são a melhor maneira de garantir melhora no comércio bilateral e partes industriais e produtos agrícolas não deveriam ser taxados.
O Brasil enfatizou que o Pix é uma infraestrutura e que nesse caso é preciso uma parceria entre os dois países e não conflitos.

Continua após a publicidade

Conforme o representante de SC, o setor cerâmico destacou que as tarifas conflitam diretamente com o programa de habitação do governo federal americano.

Como representante da CNI, Roberto Azevedo, ex-presidente da Organização Mundial do Comércio (OMC) destacou a complementariedade das economias do Brasil e dos EUA, o superávit bilionário dos EUA com o Brasil e a cooperação para o setor de terras raras.

Continua após a publicidade

Depois dessa audiência pública de dois dias, o escritório de comércio (USTR) vai finalizar seus estudos e fazer as recomendações de tarifas para o presidente Donald Trump. Ele vai decidir se adota ou não.