A Argentina é parceira de empresas catarinenses de longa data.
E, nesse tango comercial, não são raros os passos fora de ritmo.
A crise financeira no país de Mauricio Macri surpreende pela gravidade, mas não chega a pegar desprevenidas as companhias do Estado acostumados a negociar com os hermanos.
– A Argentina sempre foi um parceiro importante de Santa Catarina, mas sempre temos cuidado, porque as instabilidades são corriqueiras. Chegamos a ampliar as vendas para lá com a chegada de Macri à presidência, mas o cenário começou a mudar e a tendência é de que as vendas comecem a cair – diz Rita Conti, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário da região de Brusque (Sindivest).
Os produtos têxteis, principalmente os de cama, mesa e banho, estão no topo da pauta de exportação de Santa Catarina para a Argentina. O país vizinho ficou em terceiro lugar entre os parceiros comerciais catarinenses em agosto, com alta de 65,14% no acumulado deste ano.
Com uma inflação que deve superar a casa dos 40% ao ano e uma forte crise cambial, o país enfrenta também um processo de desindustrialização. Rita conta que chegou a ser procurada por uma empresa que fechou as portas de uma indústria de pijamas e roupas íntimas e buscava no Brasil produtos para manter a rede própria de lojas abastecida.
Para Maria Teresa Bustamante, presidente da Câmara de Comércio Exterior da Fiesc, os empresários sentiam que a economia argentina não vinha bem desde maio, quando Macri pediu ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
– O setor empresarial está aflito porque a expectativa era de melhora nas vendas para a Argentina. Agora, deve haver uma redução nas exportações – afirma.
Além da perda do poder de compra com a inflação e a retração do mercado, os vizinhos enfrentam um problema importante, que é conhecido dos brasileiros: a falta de previsibilidade.
Um ingrediente que dificulta a visibilidade e compromete a economia de se movimentar.
Mercado para animais
Maior rede de lojas de produtos pet para shopping centers, a Cobasi chega a Santa Catarina. Investe em loja de 1,3 mil metros quadrados no Continente Shopping, em São José, onde vai gerar 20 empregos diretos a partir de dezembro. A unidade oferecerá mais de 20 mil itens para animais de estiação, casa, piscina e jardinagem. A empresa paulista tem 68 unidades e avança nesse mercado porque a maioria das famílias brasileiras opta por animais de estimação. No ano passado, esse mercado faturou R$ 25 bilhões, 7% mais que no ano anterior.
Imbituba-Ásia em alta
O transporte de longo curso Asas, entre o Porto de Imbituba e a Ásia, acaba de completar um ano com resultados positivos. Segundo o Tecon Imbituba, que opera a linha em SC, a movimentação de cargas cresceu 28% no primeiro semestre deste ano frente aos mesmos meses de 2017 quando era operada pelo Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. A razão desse resultado maior, segundo o diretor de Operações Portuárias da Santos Brasil, Danilo Ramos, é o maior potencial do Tecon Imbituba, um porto de águas profundas que também está mais perto das grandes cidades do Sul, Florianópolis, Porto Alegre e Curitiba. Entre os produtos mais transportados estão celulose, polímeros de plástico, couro, madeira, carnes, cerâmicas e fumo.
Madeira para a China
Um dos setores que aproveitam a nova linha Imbituba-Ásia é o madeireiro. As empresa MXM Comércio Internacional e China Forest Group iniciaram embarques de toras de eucalipto de reflorestamento para a província chinesa de Fujian. Outros portos do Estado são usados para essas cargas, mas Imbituba entrou como alternativa competitiva. Segundo Antônio Guimarães Neto, diretor da Simetria, empresa de logística responsável pela operação, os empresários chineses manifestaram interesse de instalar fábricas em SC para levar móveis prontos no futuro. Hoje usam a madeira para fazer compensado e fabricar móveis na China.
Construção civil
Empresários catarinenses encerram neste domingo missão empresarial no Panamá. Lá, participaram de uma feira internacional que expôs novidades e tendências da construção civil, segmento que cresceu 8,3% de 2016 para 2017 no país da América Central.
Planos de saúde
Levantamento feito pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS) revela que operadoras de planos de saúde podem ter pago de maneira indevida, somente no ano passado, R$ 27,8 bilhões com despesas hospitalares e pedidos de exame cobrados por meio de fraudes e procedimentos desnecessários.