Desde as entrevistas na sexta-feira, o clássico teve cara de clássico. É claro que ninguém quer confusão ou mesmo ressaltar que a confusão é boa. Mas um encontro com tamanha rivalidade sempre é tenso, nervoso. E começou assim, com muito bate-boca, e confusões. A arbitragem contribuiu decisivamente pra isso. Foi um jogo clima quente no primeiro tempo e tenso até o final. Aberto em termos de placar. Até o último lance algo diferente poderia acontecer.
Figueirense melhor com a bola no pé
Na iniciativa, no toque de bola, o Figueirense esteve melhor. Comandado por Jorge Henrique no toque de bola. No primeiro tempo o time fez o que tinha que fazer, teve gol mal anulado, fez com Jorge Henrique um golaço e ainda teve uma grande chance com André Luís. Era o cenário perfeito, ainda mais com a expulsão de Luanzinho. Mas o time caiu no segundo tempo, não sabendo lidar com a vantagem de um homem a mais em campo. A saída de Jorge Henrique tirou o que ainda havia de confiança no time.
Milton Mexeu mal
A escalação do time foi corajosa, com a entrada de Gustavo Ferrareis, no lugar de João Paulo, que foi desfalque em cima da hora com dores musculares. Era preciso ir pra cima para buscar vitória, ainda mais com a vitória da Chapecoense diante do Joinville. O time jogou bem a primeira etapa, com posse de bola e criando chances. Mas as duas mexidas durante o segundo tempo não foram produtivas pra equipe. As entradas de Renan Mota e Abuda mais atrapalharam do que ajudaram. A saída de Jorge Henrique para a entrada de um volante foi senha para que o Avaí, que fazia um bom segundo tempo, fosse todo pra cima.
Avaí nunca desistiu
A postura inicial do Avaí foi equivocada. O zagueiro Alemão falou sobre isso: “nós queríamos ganhar o clássico antes de entrar em campo”. O camisa 4 ainda disse que o Avaí caiu numa pilha errada no início da partida. Foi exatamente isso. O Avaí só foi jogar o jogo como devia e competir de verdade, na bola e no futebol, a partir do segundo tempo. E aí entrou o Leão que não desistiu nunca. Soube ser perigoso e provocar insegurança no rival. Soube correr riscos para buscar o empate. E soube colocar o time pra cima com as mexidas corretas – entradas de Menezes e Marquinhos. O Avaí mereceu o empate e soube correr muito, mesmo com um homem a menos.
Arbitragem fraca
Quando todo mundo sai reclamando, é porque não há muito o que contestar. A arbitragem de Ramon Abatti Abel foi muito ruim. As confusões vieram da insegurança dele e de uma postura equivocada. Ele foi engolido pelos jogadores e pelos dois bancos de reserva. É claro que outros profissionais erraram, como Luanzinho, que mereceu a expulsão, e Claudinei Oliveira, que se perdeu totalmente como comandante. Não é postura de um treinador, muito menos de Claudinei, um profissional que já conhecemos bem e que não tem esse perfil. Mas errou e errou demais. Já Abel errou feio na anulação do gol de André Luís. E na confusão não teve discernimento para tomar as melhores decisões. O jogo só seguiu por causa da atitude de dois líderes. Betão e Jorge Henrique se reuniram para acalmar os ânimos e pra fazer o jogo ser de futebol, como o grande espetáculo pedia. Ramon Abatti Abel teve seu grande teste e, desta vez, não aprovou.