Cresce rotatividade de mão de obra na indústria de SC

Compartilhe:

Santa Catarina é o sexto Estado com maior rotatividade de mão de obra na indústria. Em agosto deste ano – que é o período com informação mais atualizada –, o percentual de troca de trabalhadores foi de 4,4% do total de funcionários. O dado é 26% superior à média nacional para o mesmo mês: no Brasil, o percentual é de 3,5%.

Continua após a publicidade

O número referente à economia catarinense também é maior do que o da média dos três Estados do Sul, que marca 3,9%. Santa Catarina aparece atrás apenas de Roraima, Espírito Santo, Distrito Federal, Rondônia e Mato Grosso. Os números constam de amplo estudo feito pelo Observatório da Indústria, estrutura vinculada à Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc).

Igualmente, a rotatividade expressa o grau de descontentamento dos empregados com o seu local de trabalho. Neste sentido, informação muito importante do estudo indica que, neste ano, mais de um quarto dos funcionários pediu para sair das empresas onde trabalhavam.

Continua após a publicidade


Menos competitividade


Esta realidade é negativa e expõe a fragilidade das relações trabalhistas em nosso Estado. A situação também contribui para a redução da competitividade e reforça a ideia de que o compromisso das partes é com o curto – no máximo com o médio – prazo. Acrescente-se que a constante mudança de profissionais nas empresas implica exigência de treinamentos para os que chegam, acarretando menor produtividade, ao menos nos primeiros meses de trabalho. 

 

Pouco mudou 

Quando se considera a rotatividade apenas na indústria de transformação catarinense, percebem-se duas coisas: o índice de 2018, de 4%, é somente 0,1 ponto percentual abaixo do de 2014, quando cravou 4,1%. A lembrar que 2014 foi o ano em que se desencadeou a crise econômica, com forte recuo da produção e do PIB. Mas o número de 2018 é superior aos dos anos de 2015 e 2016, quando atingiram 3,3% e 3,7%, respectivamente, com o ano de 2017 repetindo o ano imediatamente anterior.

Esta evolução anual da rotatividade se explica pelo fato de que a crise econômica aguda diminuiu o total de gente empregada nestes anos. Desde 2014, havia muita gente desempregada, e essa circunstância permitiu às empresas fazerem as mexidas no seu quadro de pessoal, recrutando parcela dos sem-emprego por salário menor, na clássica forma para forçar a queda de custos com a folha. 

 

Troca de pessoal (em %)

 

Santa Catarina

Continua após a publicidade

2014: 4,1

2015: 3,3

Continua após a publicidade

2016: 3,7

2017: 3,7

Continua após a publicidade

2018: 4,0

 

Região Sul

Continua após a publicidade

2014: 3,9

2015: 3,1

Continua após a publicidade

2016: 3,6

2017: 3,7

Continua após a publicidade

2018: 3,9

 

Brasil

Continua após a publicidade

2014: 3,4

2015: 2,8

Continua após a publicidade

2016: 3,3

2017: 3,3

Continua após a publicidade

2018: 3,5

 

 

Trabalhadores pedem para sair

Outra informação muito significativa diz respeito ao tipo de desligamento de trabalhadores. Do conjunto desse tipo de dados, impressiona o aumento de 59% no número de pessoas que pediram demissão.

Continua após a publicidade

Em 2015, o percentual dos que deixaram seus empregos por conta própria, em busca de novos desafios no linguajar corporativo, era de 17% do total das dispensas; em 2018, já ultrapassa um quarto do total, com 27% de todas as demissões realizadas.

O índice vem subindo ano a ano. Em 2016, eram 22%, e no ano seguinte, já chegava a 25%. Isso quer dizer que cresceu, ao longo dos últimos quatro anos, o descontentamento do trabalhador com o seu emprego.

Continua após a publicidade

A resultante é a busca feita pelos empregados por melhores condições de trabalho e salários. Além disso, a impaciência dos trabalhadores jovens para a construção de carreira e sua inquietude por desafios novos e constantes contribuem para o aumento espontâneo dos pedidos de desligamentos.

Tem lógica esse movimento constatado pelas indústrias: a recente melhoria da economia, com o surgimento de milhares de novas oportunidades de trabalho recuperadas, animaram as pessoas a trocar de emprego.

Continua após a publicidade

Outro número importante do estudo indica crescimento do total de acordos entre empresas e trabalhadores para a dispensa. Neste ano, são 4% do total; nos três anos anteriores, o percentual era praticamente nulo, estatisticamente. Apenas 1% dos desligamentos ocorre por justa causa.

 

Por segmentos 

No Estado, o setor da construção de edifícios lidera o ranking de rotatividade, seguido pela área conexa de serviços para construção e obras de infraestrutura. Negócios em segmentos como vestuário e borracha e plástico, que são intensivos em mão de obra, também apresentam índice elevado de rotatividade. Em compensação, as indústrias metalúrgicas e de máquinas e aparelhos elétricos têm os percentuais mais baixos. A tabela 1 mostra isso. E não há surpresas.

Continua após a publicidade

 

Os motivos

É lógico que a maior rotatividade ocorra nos segmentos de construção civil. Historicamente, isso acontece. É a área onde os serviços são sazonais e onde há maior velocidade de contratar ou demitir funcionários.

Exatamente porque o volume de serviços é incerto e depende estritamente da percepção de como será a economia nos meses seguintes, já que o produto – as construções de prédios e outros tipos de empreendimentos – são lançados e erguidos tendo em vista essas perspectivas.

Continua após a publicidade

 

 

Rotatividade por setores

Construção de edifícios: 5,93

Continua após a publicidade

Serviços para construção: 5,76

Obras de infraestrutura: 4,98

Continua após a publicidade

Vestuário: 4,41

Metal: 3,71

Continua após a publicidade

Borracha e plástico: 3,54

Alimentos: 2,97

Continua após a publicidade

Têxtil: 2,84

Celulose e papel: 2,03

Continua após a publicidade

Metalurgia: 2,01

Máquinas e aparelhos elétricos: 1,94 

Continua após a publicidade

 

 

Só um ano

O estudo também chama a atenção para mais um dado revelador da realidade: metade (exatamente 50%) das dispensas dos funcionários na indústria de transformação catarinense ocorre após 12 meses de trabalho. Isto é prejudicial às empresas porque perdem, rapidamente, conhecimento técnico de funcionários sobre atividades e rotinas.

No varejo, o percentual de dispensas é ainda mais significativo, como se vê na tabela 2. Mesmo o índice de trocas de pessoal após completar três anos de trabalho – de 21% – é elevado. Significa a substituição de um quinto do total de empregados num período relativamente curto de tempo.

Continua após a publicidade

 

Desligamentos – por tempo de trabalho 

Até 12 meses (em %)

Agricultura: 73

Continua após a publicidade

Construção: 62

Indústria de transformação: 50

Continua após a publicidade

Comércio: 54

Total geral: 54

Continua após a publicidade

 

Acima de 36 meses (em %)

Agricultura: 9

Continua após a publicidade

Construção: 12

Indústria de transformação: 21

Continua após a publicidade

Comércio: 16

Total geral: 17

Continua após a publicidade

 

Leia também:

Pavimentação da Estrada Rio do Morro deve ser concluída em meados de 2019

Joinville registrou apenas seis dias inteiros de sol em outubro